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Energia renovável: Brasil espera progressos no setor

Uso de energia solar pode chegar a 30% da população até o final de 2022.

O setor de energia renovável no Brasil vem apresentando melhores resultados, e progressos devem ser registrados também nos próximos anos. Alguns exemplos incluem a expansão da oferta de fontes de energia elétrica solar e eólica, a confiança depositada pelos brasileiros em tais fontes e a geração de vagas de empregos nos segmentos de energias renováveis do país.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do total de gigawatts (GW) em operação no país, 83,26% correspondem a usinas que geram energia a partir de fontes renováveis, como a água dos rios, os ventos e a luz solar.

A perspectiva do Ministério de Minas e Energia é de que a produção de energia elétrica fique em praticamente 700 terawatt-hora (TWh) em 2022. Assim, é projetado um crescimento de 3% comparado aos 680 TWh de 2021. A tendência do comércio de energia também é ser mais sustentável, com algumas mudanças de atitude, como comprar energia no mercado livre.

De acordo com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), da geração total em construção das fontes de energia solar e eólica no Brasil, 82% tem previsão de entrar em operação até 2026. Nesse cenário, 97% da capacidade das usinas centralizadas fotovoltaicas é voltada ao mercado livre. Já no caso das usinas eólicas, 86%.

Além disso, vale ressaltar que o mercado livre também tem viabilizado 68% da oferta de geração elétrica a biomassa, e 61% da oferta de pequenas centrais hidrelétricas e centrais geradoras hidrelétricas, que têm a previsão de começar a operar até 2026.

Entenda o mercado livre nesse contexto

O mercado livre de energia é um ambiente de contratação em que fornecedores e consumidores podem negociar livremente. Essa forma de negociação corresponde a 34% do consumo de eletricidade de todo o Brasil. Além disso, o mercado livre de energia tem sido considerado o principal indutor do crescimento da oferta de energia elétrica no país.

Segundo a Abraceel, do total de 45 Gigawatt (GW) de energia elétrica centralizada e em fase de construção para começar a operar até 2026, 83% estão sendo viabilizados por meio do mercado livre. O quantitativo representa mais de R$ 150 bilhões de investimentos ao longo dos próximos cinco anos.

Conforme o presidente-executivo da Abraceel, Rodrigo Ferreira, o mercado livre de energia se mostra essencial para ampliar a geração renovável, pois apoia os esforços para manter limpa a matriz elétrica brasileira. Ele enfatiza que essa realidade é especialmente importante diante de um cenário em que se acelera, no mundo todo, a transição energética para uma economia com menos emissões de gás carbono.

Principais fontes de energias renováveis no Brasil

Segundo análises do Ministério de Minas e Energia, a geração de eletricidade, no Brasil, ocorre majoritariamente por meio de hidrelétricas – que é uma energia renovável. Até o final deste ano, a previsão é de que essa fonte represente 60% de toda a produção elétrica do país, aproximadamente.

É estimado um salto de participação da matriz solar, de 2,5% para 4%. Em relação à biomassa, a proporção deve sair de 8,2% para 8,6%. Já a eólica tende a ficar próxima de 12%.

Quando somados todos os tipos de energia, a pasta do governo estima a geração de 305 toneladas equivalentes em petróleo. Segundo as projeções oficiais, o aumento da oferta de energia deve ficar acima do consumo.

Recebem destaque os produtos da cana, no setor de energia renovável, com representação de 16,7%. Em relação a toda a matriz, no entanto, o petróleo continua detendo a maior participação individual, com 35,3%. Em terceiro lugar, aparece a fonte hidráulica, com 11,8%.

Menos déficit de energia

Atualmente, de acordo com dados da International Energy Agency (IEA), estima-se que mais de 90% da população do globo tenha acesso à energia elétrica – seja ela de boa ou de má qualidade. Contudo, o uso de energia solar pode chegar a 30% da população até o final de 2022, percentual considerado promissor pela agência.

Assim, considera-se que o uso da produção solar possa ser uma maneira de garantir que as nações não sofram com o déficit de energia, que traz consequências como um aumento significativo da inflação.

Alemanha e Japão, por exemplo, estão entre os países que contam com a maior capacidade de geração neste setor. O Brasil, por sua vez, também tem feito um caminho importante e conseguido dar passos para alcançar este objetivo. Conforme a IEA, a economia brasileira deve receber um aporte de cerca de R$ 300 bilhões até o final deste ano para esse fim.

Mais empregos no setor

Projetos de energia renovável ativos no país também permitem que haja a criação de empregos em todo o território nacional. Segundo dados da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), o Brasil conta com mais de 1 milhão de vagas de trabalho na indústria de energia renovável, sendo um dos maiores criadores de empregos no segmento.

O país fica atrás somente da China e tem aberto vagas em setores ligados a diversas áreas, como de biocombustíveis, energia hidrelétrica, solar e eólica, além de biomassa e biogás. Conforme a Irena, o Brasil tem a maior quantidade de empregos em energia renovável na América Latina desde 2018.