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Coluna de Leandro Heringer – O estadista e o populista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou a ação de defesa de Israel contra os atos terroristas praticados pelo Hamas ao Holocausto. Não é a opinião pessoal de Lula. É a fala do representante do Brasil em um evento internacional.

Essa diferença de percepção leva o país a ser percebido na comunidade internacional de modo diferente de sua postura histórica de neutralidade. Mais do que isso. Posiciona o Brasil a tal ponto de o Hamas parabenizar o país pela fala do presidente. É uma opção de política internacional.

Um posicionamento que não foi feito quando do assassinato do opositor do presidente da Rússia, Wladimir Putin. Posicionamento não feito quando dos ataques terroristas do Hamas. Discurso que não é reproduzido com a violação de direitos humanos em países que sofrem com ditaduras como Cuba e Nicarágua.

A comparação da ação israelense ao genocídio do Holocausto é descabida de várias formas. Tenta-se construir uma narrativa para posicionar Rússia, Irã, Hamas, Hezbollah e outras instituições nacionais ou transnacionais como defensores da democracia e dos direitos humanos. Não são. Nem democracias são.

A Rússia, outrora chamada União Soviética, possuiu um pacto de não agressão com a Alemanha nazista. Stalin e Hitler tiveram mais semelhanças do que diferenças. O discurso vergonhoso do presidente do Brasil ilustra a diferença entre um líder populista e um estadista. Longe de demonstrar visão de longo prazo, responsabilidade e compromisso com o bem comum e buscar estabilidade, diplomacia e soluções sustentáveis para os desafios enfrentados pelo país – características de estadista como Churchill, Lula explora emoções, retórica simplista buscando não a verdade, mas uma construção narrativa.

Desde 2002 quando assumiu a presidência, o discurso “Nós X Eles” está presente na oratória do chefe do Executivo brasileiro. Em uma analogia rasa da teoria marxista em que “nós” seria a classe trabalhadora e “eles” consistiria na elite nacional, a divisão nacional foi feita entre petistas e tucanos.  Contudo, no contexto global, o discurso raso, falho e comprometedor afeta o país tanto em imagem quanto em relações comerciais e diplomáticas.

Não é possível trabalhar a radicalização ocorrida no Brasil entre “fascistas” e “comunistas” sem retaliações e críticas na ordem internacional. Posicionar o país próximo ao Hamas e, consequentemente, à política antissemita é um ato irresponsável. O Holocausto representou momento pela busca do extermínio do outro. Mesmo longe do epicentro da II Guerra, no Brasil, campos de concentração foram feitos para descentes de alemães, italianos e japoneses.

Atacar o Estado de Israel e questionar o direito de defesa maximiza políticas antissemitas, expõe o pensamento político-ideológico do presidente e envergonha o povo brasileiro. O presidente do Brasil não representa a si mesmo, mas a República Federativa do Brasil. Como chefe de Estado e Chefe de Governo, deve desculpas a Israel e ao povo brasileiro.

Leandro Heringer