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Em 29 de agosto, especialistas alertam para danos acumulados pelo cigarro ao sistema respiratório, que podem evoluir de inflamações persistentes a doenças pulmonares graves e necessidade de suporte hospitalar
Em 29 de agosto, especialistas alertam para danos acumulados pelo cigarro ao sistema respiratório, que podem evoluir de inflamações persistentes a doenças pulmonares graves e necessidade de suporte hospitalar

Dia Nacional de Combate ao Fumo: tabagismo ainda atinge 11,5% dos adultos nas capitais brasileiras

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O Brasil registrou avanços importantes no controle do tabagismo nas últimas décadas, mas o cigarro ainda faz parte da rotina de uma parcela relevante da população. Dados mais recentes do Vigitel mostram que 11,5% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal eram fumantes em 2024. Entre os homens, a proporção chegou a 13,9%, enquanto entre as mulheres foi de 9,5%.

O dado ganha atenção com a proximidade de 29 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Fumo, data voltada à conscientização sobre os efeitos do tabaco. Apesar da redução observada desde 2006, quando 15,7% dos adultos pesquisados fumavam, o próprio INCA aponta que a prevalência permaneceu estatisticamente estável entre 2019 e 2024.

O que anos de tabagismo provocam nos pulmões?

Os prejuízos não surgem apenas quando uma doença grave é diagnosticada. A exposição contínua à fumaça pode provocar inflamação das vias aéreas, aumento da produção de muco, alterações no funcionamento pulmonar e destruição progressiva de estruturas responsáveis pelas trocas gasosas.

Uma das principais consequências de longo prazo é a doença pulmonar obstrutiva crônica, a DPOC, condição associada a bronquite crônica e enfisema. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença causou aproximadamente 3,4 milhões de mortes no mundo em 2023 e permanece entre as principais causas de mortalidade global. O tabagismo está entre seus fatores de risco mais importantes.

O dano provocado pelo tabagismo é acumulativo. Em muitos pacientes, falta de ar, tosse persistente ou redução da tolerância ao esforço aparecem gradualmente e acabam sendo incorporadas à rotina como se fossem consequência natural do envelhecimento. Esse comportamento pode atrasar a investigação de uma doença respiratória”, afirma Marcus Vinícius Chini Preto, consultor estratégico de insumos, da MA Hospitalar.

Cigarro também compromete circulação e oxigenação

Os efeitos não ficam restritos aos pulmões. O monóxido de carbono presente na fumaça do cigarro tem afinidade com a hemoglobina, estrutura responsável pelo transporte de oxigênio pelo organismo. Essa interação interfere na oxigenação dos tecidos e contribui para prejuízos cardiovasculares e circulatórios.

A OMS considera o consumo de tabaco um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, respiratórias e mais de 20 tipos ou subtipos de câncer. Em junho de 2026, a organização estimou que o tabaco seja responsável por mais de 7 milhões de mortes por ano no mundo, incluindo mais de 1,6 milhão de pessoas que não fumam, mas são expostas à fumaça ambiental.

No câncer de pulmão, a relação é particularmente relevante. Estudo publicado em 2025 na Revista Brasileira de Cancerologia aponta que o tabagismo está associado a cerca de 80% das mortes pela doença no Brasil.

Diagnóstico e suporte mudam conforme a gravidade

A avaliação de pacientes com histórico prolongado de tabagismo pode envolver exames de função pulmonar. Na suspeita de DPOC, por exemplo, a OMS indica a espirometria para confirmação diagnóstica, porque o exame permite mensurar o funcionamento dos pulmões. Casos avançados também podem exigir oxigenoterapia, medicamentos e reabilitação pulmonar.

Quando ocorre uma descompensação respiratória grave, o atendimento hospitalar pode avançar para suporte intensivo e manejo das vias aéreas. Em situações de insuficiência respiratória aguda que demandam intubação, recursos como o videolaringoscópio podem integrar a estrutura utilizada pela equipe assistencial para visualização das vias aéreas e condução do procedimento.

Tecnologia hospitalar não substitui prevenção ou diagnóstico precoce. Ela passa a ter um papel maior justamente quando a condição clínica se agrava. No caso das doenças respiratórias, ter recursos adequados para monitoramento, oxigenação e manejo das vias aéreas contribui para que a equipe consiga responder de acordo com a complexidade de cada paciente”, explica Marcus Vinícius Chini Preto.

Mesmo depois de muitos anos de exposição, interromper o consumo continua trazendo benefícios. O INCA destaca que parar de fumar pode melhorar progressivamente a respiração e a circulação e permanece recomendado mesmo para pessoas que já desenvolveram doenças relacionadas ao cigarro.

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