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Coluna – De quando havia quintais

Mergulho na piscina dos tempos dos quintais, em Montes Claros, e muita gente vai se recordar, as famílias daquela época eram numerosas. E não havia tanta opção de lazer, além de ler livros de literatura, frequentar os cinemas, horas dançantes, jogar futebol, praticar esportes de modo geral.

Os pais de famílias dormiam cedo porque mal havia o incipiente rádio. Muitas vezes rádio asmático porque chiava, até dó dava.

O melhor programa então era fazer filhos. Havia casas de jogos e zona boêmia, e se sabia que homens casados frequentavam estes lugares existentes em pontos por onde as senhorinhas nem podiam se aproximar. Sabia-se de pais de famílias que tinham também “mulher na zona”.

Um casal da época dos quintais com dez ou mais filhos era a notícia mais comum na cidade de trânsito de veículos resumidos em alguns poucos carros das décadas de 40/50.

Numa primeira leva de lembranças anoto as famílias Correa Machado, Macedo, Araujo (Zé Amaro), dentre outras, inclusive a minha Sena Batista. Meus pais tiveram 11 filhos – seis mulheres e cinco homens.

O mesmo tanto de filhos teve Zé Amaro, sendo 10 homens. Dizem que ele queria por que queria uma menina em casa e não conseguia. A cada gravidez, Zé Amaro alimentava a expectativa de, enfim, nascer uma criança do sexo feminino. Aconteceu.

Da minha família, dez sobreviveram. Há 14 anos morreu uma das irmãs. Os nove estão vivos. Todos aparentemente em boas condições de saúde. Exceção de uma das irmãs.

Essa filharada toda dos meus pais leva-me a refletir sobre a importância de um casal gerar tantos filhos e estes se multiplicarem não com a mesma quantidade, mas de modo representativo.

É preciso levar em conta que o fim dos quintais se deu já faz décadas, e, também, precisa ser considerado que tudo rolou no pós-advento da televisão. As influências da TV em todo tipo de comportamento, nos usos e nos costumes. E principalmente pela descoberta da pílula anticoncepcional.

Terezinha a primogênita casou-se e teve quatro filhos. Depois dela veio Elza, que se casou também e teve seis filhos. Geralda, Ladinha apelidada, não se casou.

Noutra leva veio Waldyr, que se casou e teve três filhos. E, pela ordem, chegou Miguel, que não sobreviveu um ano. Depois vem José Venâncio com duas filhas; Célia com duas filhas também; Lúcia com três filhos. Wanda não se casou. Eu com quatro filhos e Antônio, com um casal de filhos.

Resultado: o casal Elvira de Sena Batista e José Batista da Conceição gerou ao todo, em duas levas, 37 pessoas, entre filhos e netos. Os netos já geraram outro tanto – qualquer dia desses vou iniciar o levantamento deles pra árvore genealógica da família. É tanta gente que se acontecer de todos se encontrarem um dia será necessário alugar um clube.

A tarefa de desenhar a árvore genealógica está muito mais fácil do que no tempo dos meus pais, quando não havia o costume de sacar fotografias e grande era a carência de informações.

Atualmente, com o advento do celular, qualquer pessoa pode vir a ser fotógrafo. Mas no caso dos meus pais, as informações são poucas a respeito dos ancestrais de um e de outro. Tenho uma ou outra foto e alguma informação. Só.

Mas eu, os irmãos e os nossos filhos tivemos a oportunidade de tirar muitas fotografias, de modo que não será uma tarefa difícil fazer álbuns.

É importante as pessoas saberem das suas origens. Essa necessidade é intrínseca aos humanos. É a herança de si mesmo.

Uma pessoa que sabe da sua origem deve ser mais segura de si do que quem nada sabe. Quem não conhece o pai ou não sabe quem é a mãe deve sofrer por isso. Há muitos casos desses por todos os cantos do Brasil e do mundo.

Conhecer as próprias raízes é tão importante quanto amar a terra natal. Amo Montes Claros porque foi onde nasci. E nada tenho a reclamar do tempo em que vivi perambulando pelas ruas estreitas da cidade, hoje metrópole com todos os problemas decorrentes do progresso e do crescimento sem planejamento.

Feito isso, a conclusão: particularmente, agradeço a Deus por me ter dado tanta vida e de ter feito nascer no seio da família de meus pais em tempos de quintais.

Peguei bicho de pé, subi em árvores, corri livre por ruas empoeiradas da urbe pacata, hoje quase perdida em meio à capital do Norte de Minas.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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