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COPASA - MONTES CLAROS
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Coluna – Velhos tempos de mim

Parafraseio a letra da música “Casaco Marron”, de Evinha – voltei aos velhos tempos de mim. Só não vesti casaco nenhum, muito menos casaco marrom porque em Montes Claros daquela época não fazia frio como tem feito ultimamente, o que é um espanto.

Mas também pudera o asfalto e o concreto armado dos edifícios, que parecem buscar as nuvens acabaram por influir no clima da cidade. Já era quente. Ficou agora parecido com o do deserto do Saara. Estorrica de dia e de noite esfria.

Isto foi no século passado, num tempo em que se amarrava cachorro com linguiça e Epaminondas, um personagem da escritora Lúcia Casasanta, no livro As Mais Belas Histórias, lido, relido e trelido, arrastava pacote de manteiga pelo chão amarrado em barbante.

Era tempo de estudo primário no Grupo Escolar Gonçalves Chaves, por onde passou gente de renome como Darcy Ribeiro e outras feras vivas no meio de nós para alegria própria e dos parentes.

A sala era da professora Bernadete Costa. Tinha fama de durona. E era mesmo. Mas possuía vocação. Sem dúvida alguma desasnou gerações de montesclarinos. Ela era mãe do, naquela época, futuro jornalista Robson Costa.

Robson iniciou carreira no O Jornal de Montes Claros, na Rua Dr. Santos 103, depois ele foi para o jornal Estado de Minas, em Belo Horizonte, e mais tarde para O Estado de São Paulo onde brilhou também no Jornal da Tarde.

Não se podia dar um pio dentro da sala em determinados momentos. Então, a meninada sussurrava porque dona Bernadete era realmente brava. Tínhamos o maior respeito. Claro, ela era brava com quem não cuidava das obrigações escolares com a necessária seriedade.

Com dona Bernadete não acontecia entra e sai na sala de aula, aquela desculpa de, “posso ir ao banheiro?”, não colava com ela. Tinha hora pra tudo. O que ela fez questão de estabelecer desde o início, pra ninguém passar por desavisado.

Mas, como a gente sabe muito bem quase nada nós controlamos no nosso corpo. Não controlamos os pensamentos – embora seja possível controlar se usarmos a técnica do “pensar consciente” e de “autocontrole” para pensar o que quer e não os pensamentos que vierem à cabeça.

Não controlamos a respiração. Em sã consciência, quem vai se rebelar dizendo que parará de respirar. Ou vai ficar sem respirar só durante 15 minutos?

Ninguém poderá dizer “não vou comer mais”. Quem controla a fome? E as batidas do coração? Quem pode dizer que controla? Alguns iogues dizem controlar.

Ainda não foi falado sobre as necessidades fisiológicas. Depois de encher o bucho d’água alguém será capaz de dizer: “Não vou mais urinar?” Claro que não.

Pois então, estávamos, todos nós, na sala de aula. O silêncio só não era igual ao do espaço sideral porque passava de vez em quando um carro ou algum cachorro latia.

Duma hora pra outra começamos a sentir mau cheiro característico. Um olhou para o outro, inclusive Carlos Meira, que morava ao lado da casa do dr. João Valle Maurício, na Rua Dr. Santos; Roberto Avelar, Marcos Tolentino, Teófilo, entre outros.

No primeiro momento não deu pra desconfiar de ninguém, mas o mau cheiro aumentou e começamos a nos inquietarmos.

Dona Bernadete escrevia de costas pra nós no quadro negro, naquela época era negro mesmo, e se virou perguntando: “O que está acontecendo aqui?” Indagação feita, a colega M. desatou a chorar.

Claro, o constrangimento foi grande. Não pra nós, pra ela, menina de 8 anos, linda. Tão linda que, anos depois, já adulta, ela foi eleita “Miss Montes Claros” e ficou bem colocada no concurso “Miss Brasil”.

A faxineira da escola entrou com balde d’água e pano, enquanto M. era conduzida ao banheiro e depois levada pra casa, aos prantos.

Veio o recreio. Alguns colegas também estavam apertados. Era quando dava a hora do recreio uma corrida só ao banheiro, em frente às escadas para o pátio. O pátio ficava abaixo do piso das salas de aula, um bom lugar pra uns e outros mostrarem as habilidades de futebol, peteca e queimada.

Por causa do constrangimento, M. ausentou das aulas por dois dias. Ela descobriu, logo cedo, controlar as necessidades fisiológicas é impossível.

Afinal, o que entrou pela boca, uma hora sai naturalmente ou por livre e espontânea pressão.

Por Alberto Senba

Alberto Sena
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