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Cultura Moc – Montes Claros comemora 160 anos com nova postura: Confira curiosidades sobre a história do município

Cultura Moc – Montes Claros comemora 160 anos com nova postura: Confira curiosidades sobre a história do município

Dário Teixeira Cotrim
Dário Teixeira Cotrim

 

No próximo dia 3, a cidade de Montes Claros comemora seu aniversário de 160 anos.

A história de nossa cidade tem fatos interessantes, conforme o historiador e fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, Dário Teixeira Cotrim.

Por exemplo: a data de aniversário não marca exatamente a criação da cidade, mas apenas a mudança para o nome atual, já que, desde outubro de 1831, a localidade já era independente, contando com câmara municipal e intendente (cargo que era equivalente ao de prefeito). Segundo Dário, o que mudou no dia 3 de julho de 1857 foi, de fato, o nome: que passou de Vila de Formigas de Montes Claros para cidade de Montes Claros.

Mas a história da cidade é bem anterior à própria vila, com suas origens remontando ao início do século XVIII, no ano de 1707, quando Antônio Gonçalves Figueira criou a Fazenda Montes Claros. O nome “Montes Claros” tem a ver com a família de Figueira, já que seu avô, português, lutou na Batalha de Montes Claros, em 1665, que foi uma das grandes vitórias de Portugal sobre a Espanha.

Dário explica que, desde a época em que era uma fazenda, Montes Claros já desfrutava de uma posição geográfica privilegiada, fato aproveitado pelo visionário proprietário, que fez estradas ligando sua fazenda à Pitangui, à Bahia e ao rio São Francisco. Com isso, ele criou uma ampla rede de distribuição de carne, recebendo o gado que vinha da Bahia, através Rio São Francisco, e abastecendo as cidades mineradoras de diamante com a carne já salgada (charque).

Com a mudança de Antônio Figueira para o litoral paulista, onde iniciou uma exitosa carreira política, a Fazenda Montes Claros viveu um longo período de abandono, o que só mudou quando José Lopes de Carvalho, garimpeiro vindo de Itacambira, adquiriu a propriedade das mãos dos familiares do já falecido Figueira, em 1768.

Praça da Matriz - Foto: Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros
Praça da Matriz – Foto: Instituto Histórico e Geográfico de
Montes Claros

 

Foi José Lopes quem construiu uma capela no local, dedicada a Nossa Senhora e São José, que hoje é a Igreja Matriz de Montes Claros. Tempos depois, a Fazenda recebeu Miguel Domingos, que veio fugido de Itacambira junto com diversas famílias que procuravam escapar de um confronto com garimpeiros da Bahia que disputavam a exploração mineral na região. Foi com a chegada de Miguel Domingos e das famílias de garimpeiros que a Fazenda Montes Claros passou a adquirir ares de vila.

Logo os moradores da pequena localidade perceberam a necessidade de criar uma passagem sobre o rio Vieira, que na época era muito mais largo do que hoje. Para isso, foi feita uma pinguela (embora, segundo Dário Cotrim, exista a versão de que a pinguela não foi construída pelo homem, mas surgiu como resultado da queda acidental de uma árvore) para facilitar a travessia do rio. A população logo percebeu que as formigas (que desde aquela época já eram abundantes na região) também passaram a utilizar a pinguela. Por isso, ela foi batizada como Passagem das Formigas. E assim a localidade começou a ser conhecida, informalmente, como Arraial das Formigas.

O nome se manteve até outubro de 1831, quando a localidade foi denominada oficialmente como Vila de Formigas de Montes Claros e se tornou independente da comarca de Serro.

Passaram-se poucos anos para que, em 3 de julho de 1857, a cidade recebesse o nome atual, tornando-se apenas Montes Claros e deixando pra lá as formigas (apenas no nome, já que os insetos continuam a marcar presença no município).