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MG – Assassinatos tiram sossego dos moradores do interior de Minas Gerais

MG – Assassinatos tiram sossego dos moradores do interior de Minas Gerais

Na pequena Claraval, no Sul de Minas, os moradores cresceram acostumados a dormir de portas e janelas destrancadas, deixar as crianças brincarem nas ruas até escurecer e sair de casa sem se preocupar com a hora. O medo da violência é estranho para os pouco mais de 4.800 habitantes da cidade que, no primeiro semestre deste ano, registrou um homicídio. O número pode parecer pequeno para moradores de grandes cidades, como Belo Horizonte, que teve 271 assassinatos nos primeiros seis meses de 2017, mas para um município sem casos há cinco anos, o episódio assusta e muda rotinas.

MG - Assassinatos tiram sossego dos moradores do interior de Minas Gerais
MG – Assassinatos tiram sossego dos moradores do interior de Minas Gerais

 

“Meu muro era baixinho e eu podia dormir com tudo aberto. Agora, temos cerca elétrica, câmera e alarme”, disse a aposentada Maria Gomes, 64, moradora de Claraval há 34 anos. Segundo ela, assaltos a casas e comércios e uso de drogas tornaram-se frequentes.

Claraval não é a única cidade que voltou a conviver com homicídios no primeiro semestre. No total, 156 municípios mineiros que não registraram nenhuma ocorrência desse crime entre janeiro e junho do ano passado tiveram casos nos primeiros meses de 2017, de acordo com levantamento feito pela reportagem a partir de Estatísticas Criminais da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

A maioria das cidades entrou para a lista com um ou dois registros, mas há situações de altas mais expressivas, como a de Lagoa da Prata, na região Centro-Oeste, onde os homicídios passaram de 0 para 7. Entre os casos, estão o de um homem de 28 anos morto a tiros na porta de casa e o de uma mulher de 27 anos que foi esfaqueada no Carnaval. “A cidade está muito violenta, assalto à mão armada virou rotina. Antes, eu trabalhava em uma boate e voltava para a casa a pé, de madrugada. Hoje, depois das 22h, já não ando na rua”, contou o morador Elvis Eleno, 39.

Além das cidades que saíram de nenhum homicídio para alguma ocorrência, 95 municípios tiveram alta nesse tipo de crime de janeiro a junho deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando 251. Desses, 108, ou 43%, têm menos de 10 mil habitantes e apenas nove têm mais de 100 mil moradores.

Queda. Enquanto as cidades pequenas aprendem a conviver com os homicídios, esse crime caiu na maioria das grandes cidades mineiras, o que explica a queda de 3,2% registrada pela Sesp no Estado no primeiro semestre. Em Belo Horizonte, a redução foi de 8,7%. Em Contagem e Betim, na região metropolitana, a queda foi de 16%.

Para o professor da Una e especialista em segurança Jorge Tassi, a proliferação do tráfico de drogas no interior é a principal razão da alta. “Os traficantes usam a violência para marcar território”, explicou. Ele ressalta que os criminosos aproveitam também a falta de estrutura policial nos pequenos municípios para atuar.

Taxa zero. Paiva, na Zona da Mata mineira, de cerca de 1.580 habitantes, não registra um homicídio há quase 60 anos. O último crime desse tipo na cidade aconteceu em 1957.

RESPOSTAS

Empenho. A Polícia Civil afirmou que trabalha com o mesmo empenho e as mesmas técnicas em todas as cidades e que em 2016 aumentou seu efetivo.

Reforço. A Prefeitura de Claraval recebeu uma viatura e aumentou seu efetivo. A Prefeitura de Lagoa da Prata recebeu novas viaturas, teve o efetivo da PM e da Guarda Municipal aumentados e implantou câmeras.

Estado descumpre meta de expansão

Seis anos depois de o governo do Estado anunciar a meta de expansão dos Centros de Prevenção à Criminalidade (CPC) para 64 núcleos em 2014, Minas Gerais conta, hoje, com 45 unidades. O projeto é responsável, entre outros, pelo programa Fica Vivo, que foca na prevenção e redução de homicídios de adolescentes e jovens.

Os CPCs estão em áreas de risco social em Belo Horizonte, Betim, Contagem, Governador Valadares, Ipatinga, Montes Claros, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, Uberaba, Uberlândia e Vespasiano. A Sesp afirmou que deve construir uma nova unidade ainda neste ano, mas não informou o local.

Sobre a criminalidade no interior do Estado, a Sesp informou que coordena uma força-tarefa formada por 13 instituições voltada para a redução dos casos. O grupo atua na área de inteligência, identificando o modus operandi dos criminosos e as quadrilhas.

Tráfico é motivação da maioria dos casos

O número de assassinatos subiu 6,7% no Brasil no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016. Foram 28,2 mil homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios nos primeiros seis meses deste ano, cerca de 155 por dia. Os números foram obtidos a partir da análise dos levantamentos divulgados pelas Secretarias de Segurança Pública de cada Estado.

No período analisado, o país registrou massacres em presídios, acirramento de conflitos entre facções do crime organizado e cortes nos investimentos na área. A alta foi puxada por Estados do Nordeste, como Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

De acordo com o coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública da PUC Minas, Luis Flavio Sapori, o tráfico de drogas é a principal causa de violência também no país. “O traficante não mata apenas por motivos econômicos, mata muitas vezes por conflitos banais, para se impor”, afirmou.

Ele conduziu um estudo sobre a relação entre o tráfico e os assassinatos em Belo Horizonte e Maceió (AL) e diz que metade dos homicídios está diretamente ou indiretamente ligada ao comércio de drogas.

Ranking. Araxá (5ª), Conselheiro Lafaiete (9ª), Barbacena (13ª) e Lavras (23ª) estão entre as cidades menos violentas do país, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

 

As informações são do Portal O Tempo.

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