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Coluna do Hesiodo José – Fragmentos Diários (aumento e também invento)

Coluna do Hesiodo José – Fragmentos Diários (aumento e também invento)

Inutilidades Públicas

O padre Talarico

É simples entender. Numa destas cidadezinhas próximas a Montes Claros no Norte de Minas Gerais, o Padre Deilson M. Grotas é considerado exemplo de santidade para muitos, e de peraltice e sacanagem para outras. O ferreiro Demetrio Saracura vinha ouvindo cochichos de todos os lados de que sua esposa Bila de Mariinha “saltava a cerca” ou “embainhava o punhal alheio” ou se preferir ser mais direto Demetrio estava de cabeça engalhada, comendo “pão com banha”. Mas quem seria? Não queria matar inocente, fazer uma lista de supostos comedores da esposa era uma saída justa. Primeiro da lista: Pedro Pingola de bode, limpador de piscinas, comentava-se que o sujeito espiava as clientes no banho e já dissera ao próprio desconfiado que Bila era uma senhora jeitosa. Numero dois da lista: Salustino da Farmácia, safado declarado, além da esposa sustentava uma amante que vendia pastel na Praça dos Caxias, também tivera um caso com uma tia que mora na zona rural. Terceiro da lista: Fê Gonorréia, este Deus o livre, já transara com a galinha da avó, as éguas das tias e tentara a cadela da cunhada. É bom parar por aqui, pensou o ferreiro, assim foi à longa procura ao “artista” que lhe ornava a cabeça, as conversas não cessavam, até que um dia um bêbado solidário e catrumano lhe dissera; “Você está procurando no lugar errado, pergunte ao Padre o que ele acha!” Demetrio Saracura refletiu,

— Olha só, como é que eu não pensei nisso antes, vou agora pedir orientação ao homem santo!

 Entrou e sentou-se olhando para uma imagem melancólica de Cristo na cruz. A fila de pecadores confessando era longa, ele falava silenciosamente com aquela figura triste dependurada nas alturas, queria uma luz para seu caso. Assim que o ultimo fez o sinal da cruz se livrando das pendengas com Deus ele encostou.

 — Bom dia seu Padre! O Padre que não esperava por aquela visita, arregalou os olhos receosos pela consciência pesada e ancorou em um canto.

 — Bom, bom dia meu filho! O que este servo do Senhor pode fazer por você?

— Quero pedir perdão por um crime que vou cometer!

— Mas meu filho, como assim, ninguém perdoa por antecipação! Deus não veria isto com bons olhos!

— Estou decidido Padre! Então só quero avisar que matarei o safado que está comendo minha mulher, mesmo sem o perdão de Deus! O Padre pôs a mão sobre o peito, os olhos cresceram e um calor subito lhe invadiu o corpo.

— Mas como se o senhor nem sabe quem é? Digo, espera ai que fiquei nervoso! Como você pode desconfiar da sua esposa, parece tão digna, mas ainda que desconfie dela como pode ter certeza da outra pessoa?

— Investiguei Padre! Fiz uma lista, mas por fim, agora a pouco um bêbado me indicou o senhor! O padre ficou  transtornado.

— Desgraçado, Maldito! Eu o excomungo filho do demônio! Judas!

 Riso da Hora

 

Fica Assim, amanhã tem mais…

 

Hesiodo José
Hesiodo José

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