Inicio » Colunistas » Júlio Cesar Cardoso » Coluna do Júlio C. Cardoso – Reforma da Previdência Social sem laudo de auditoria

Coluna do Júlio C. Cardoso – Reforma da Previdência Social sem laudo de auditoria

Coluna do Júlio C. Cardoso – Reforma da Previdência Social sem laudo de auditoria

Sem abrir a caixa preta da Previdência Social para se conhecer de forma transparente como o dinheiro previdenciário foi administrado até hoje  e, por outro lado, sem apresentar documento de auditoria atestando a situação da Previdência, o governo tenta resolver o ajuste fiscal através da reforma da Previdência Social.

Pois bem.  Não há dinheiro para manter a saúde da Previdência Social, mas para bancar os gastos de Brasília, a fonte  pública mostra-se inesgotável.

Vejamos. A ilha da fantasia Brasília é um buraco negro por onde grande parte do dinheiro público some. O governo não reduz a quantidade de ministérios. Não dá demonstração de austeridade nos  gastos públicos. As mordomias com ministros, parlamentares e servidores do alto escalão estão estampadas nas residências, nos carros e nas viagens às suas disposições. Os gabinetes de parlamentares e de suas representações amparam contingente enorme de servidores sem  concurso público. O Senado oferece aos senadores, ex-senadores e familiares  serviços médicos e hospitalares gratuitos e de forma definitiva. E, a par de tudo isso, o governo ainda tem a pachorra de querer ferra os servidores ativos, inativos e pensionistas e de pregar que quem é contra a reforma é porque não quer perder privilégio? Mas os privilegiados estão todos encastelados no Planalto, onde o dinheiro do país jorra como água.

No governo Lula, os aposentados e pensionistas foram atropelados com a cobrança de 11% de seus proventos e pensões.  Agora, esses mesmos aposentados e pensionistas são ameaçados por outra reforma.

Por acaso, os parlamentares favoráveis à reforma da Previdência conhecem o suposto déficit previdenciário com base em laudo  de auditoria? Ou se baseiam apenas em dados fornecidos pelo governo?

Não se pode  ignorar que  R$ 426 bilhões devidos por empresas ao INSS representam quase o  triplo do déficit anual calculado pelo governo: R$ 149 bilhões. Entre as devedoras estão as maiores empresas do  país, como Bradesco, Caixa, BB, JBS, Itaú,  Santander, Valle.  Vejam, por exemplo:

– Itaú/lucro/2016: R$ 6 bilhões. Dívidadorcom Previdência:  R$ 88 milhões

– Caixa/lucro/2016: R$ 4 bilhões. Dívida com Previdência:  R$ 550 milhões

– BB/lucro/2016: R$ 3 bilhões. Dívida com Previdência: R$ 208 milhões

– Bradesco/lucro/2016: R$ 16 bilhões. Dívida com Previdência: R$ 465 milhões

Fonte: Sindilegis.

O relator da CPI no Senado concluiu que a Previdência Social não é deficitária, e aí? Assim, como se pretende endossar uma reforma previdenciária alicerçada apenas em dados fornecidos pelo governo e não em laudo de auditoria?

O  Banco Mundial recomenda a reforma. Mas a instituição, certamente, não conhece como o dinheiro previdenciário foi administrado pelos diversos governos. O trabalhador – ativo, inativo e pensionista – não pode ser penalizado pela má administração política da Previdência Social.

Portanto, sem apresentação de  laudo de auditoria atestando o déficit previdenciário, a reforma carece de credibilidade.

Júlio César Cardoso / Bacharel em Direito e servidor federal aposentado

 

Júlio César Cardoso
Júlio César Cardoso

Aviso: Nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto e esperamos que as conversas nos comentários de artigos do JORNAL MONTES CLAROS sejam respeitosas e construtivas.O espaço de comentários em nossos artigos é destinado a discussões, debates sobre o tema e críticas de ideias, não às pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão tolerados de maneira nenhuma e nos damos ao direito de ocultar/excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, preconceituoso, calunioso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem nome completo e/ou email válido).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *