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Coluna do Adilson Cardoso – Coisas que não contei no outro diário

Coluna do Adilson Cardoso – Coisas que não contei no outro diário

Nunca tive sorte na vida. Acho que algumas pessoas nem deveriam ter nascido, ou então nascer e morrer antes de sentir as dores deste mundo.  Somos seis lá em casa, poderia ter sido sete. Mas uma irmã morreu com sete dias, dizem que o mal dos sete dias é coisa da roça, culpam as parteiras  por falta de higiene, e dá outras explicações de merda que às vezes nem explica nada! Minha irmã morreu aqui na cidade, na Maternidade Nossa Senhora não sei de quê, a enfermeira falou com a minha mãe que a prioridade do hospital era fazer o parto humanizado, aquele tradicional em que a mulher sente uma porrada de dores e grita feito desvalida, se não me engano foram mais de dez horas para a menina nascer e ficar só sete dias viva! No atestado de óbito o medico escreveu que foi insuficiência, mas de quê eu não sei. Não gosto de ler letra de medico, não gosto e não sei, faço confusão, um dia apanhei por ter lido errado um garrancho que falava de uma coisa e era outra. Nunca mais quis saber, bem feito que meu pai tomou laxante contra diarreia, não gosto dele, tampouco da minha mãe, foda-se que seja pecado ou o caralho, eles também nunca gostaram de mim. Sempre penso, porque tive que ser filha daqueles dois?  Qual foi o esforço que a filha da Xuxa fez para ser gerada naquele ventre rico?  Sandy e Junior também não fizeram nada para ter os pais famosos e ainda nascerem com a voz pronta para cantar. E os filhos de Eike Batista, o esforço que tem é de entrar no avião e descer na Austrália, não sei por que me lembrei da Austrália, eu tenho pavor de Cangurus, acho esquisito aquele bicho ficar pulando e chutar as pessoas, aquilo tem um pouco de Satanás no meio! Falam que Bode é bicho do Capeta, eu tenho minhas duvidas, para mim é o Canguru. Às vezes falo coisas que sai sem querer da minha boca, acho que tenho problemas de cabeça. Poucas pessoas acreditam quando eu conto  o que aconteceu com Eliezia, minha irmã mais nova, ela tinha quinze anos quando sofreu um acidente voltando de um passeio na praia, vinha num ônibus desses que a gente vê sempre as propagandas nos postes, chamando para semana Santa, Carnaval e outras datas, ela ficou em estado grave na UTI, minha mãe rezava todos os dias, chorava dizendo que se a filha  morresse sua vida acabaria. E foi fazendo promessas absurdas, a primeira foi de levá-la quando saísse do hospital para ser rebatizada na Aparecida do Norte em São Paulo, mudaria seu nome de Eliezia para Elicida ( Eliezia com Nossa Senhora de Aparecida) Não deu certo, acho que a Santa não gostou da proposta. O quadro continuava grave, os médicos não davam esperanças, fizera então outra promessa, ainda mais bizarra, prometera a Santa Bernardete, que se minha irmã se recuperasse naqueles dias ela ficaria seis meses sem depilar a “Perereca.” Nada de melhora, penso que a Santa não viu nada de atrativo naquela promessa escatológica. Então sobrou para mim, Minha mãe bradou a Santo Antonio de joelhos no chão, que se ele ajudasse minha irmã sair daquele estado, ela daria minha virgindade ao Padre Luiz Bento, um velho safado que rezava olhando  os decotes das blusas das mulheres, perto dele não passava uma que ele não comesse a bunda com os olhos, mas era devoto do Santo e fazia  festa para ele. Eu fiquei duas noites rezando para minha irmã morrer! Sonhava em ter a minha primeira experiência com meu ex-professor de Literatura. Mas infelizmente Eliezia abriu os olhos doze horas depois de a promessa ser feita, repeti diversas vezes rezando baixinho que Santo Antonio fosse tomar no cú! Queria que ele se chateasse e revertesse o milagre, mas não adiantou. O Padre sínico chamou minha mãe com aquela cara de tarado que tinha ou tem, não sei se já morreu, para dizer que promessa deve ser cumprida imediatamente para evitar que o Santo desfaça o milagre. Marcamos para domingo depois da missa, faltavam três dias, a puta da minha irmã já estava até sorrindo e tomando iogurte, sem saber de onde sairia o pagamento para sua cura, minha angustia só aumentava, queria sumir, às vezes pensava em morrer, chorava sozinha para não pagar de fracote, sou mulher macho! Foi então que veio a ideia, ás nuvens se abriram, brotaram sorrisos nas paredes e eu levantei o dedo médio três vezes em protesto, primeiro para minha mãe, toma vaca velha! Depois para o Santo, aqui ó seu casamenteiro de araque, vá tomar no cú mais uma vez! E por ultimo ao Padre, quer comer uma virgem seu pilantra filho da puta? Vai comer viu? Espere sentado. Troquei de roupa e fui direto à casa do meu ex-professor de Literatura, cheguei quando a  mulher dele estava saindo, ela  me conhecia e mandou que eu ficasse a vontade, ele estava na sala escrevendo no computador. Ela sairia para trabalhar, também era professora, pedira desculpas, eu agradeci sorrindo por dentro. Vou ficar a vontade sim, pensei apertando a campainha, ele abriu a porta com seu jeito alheio de sorriso tacanho, me ofereci para entrar, disse que precisava falar a sós, era segredo. Ele tinha Síndrome do Pânico, achou que era alguém tentando lhe matar e me levou para um quarto nos fundos da casa, trancou a porta e me pediu para contar tudo, quem queria matá-lo. Eu levantei a saia e mostrei minha “Perereca lisa com a língua de fora” disse: Ela veio para te matar! Não dei tempo para o seu corriqueiro uso  de  metáforas, ficamos o tempo suficiente para perder a virgindade três vezes. Fui embora, tomei banho e troquei de roupa. Fiz um lanche e fui para a casa de Sayonara, uma colega da escola que adorava fumar e beber, se lixava para o estudo, morava  sozinha numa casa de dez quartos, os pais trabalhavam em Brasília, ela não gostava de falar sobre a função deles, devia ser uma dupla de “Laranjas” de deputados ou coisa assim. Fumei maconha  e bebi tudo que vinha, nos beijamos e ficamos peladas roçando uma na outra, mais tarde chegaram seus amigos playboys que traficavam Ectasy, pediram mais bebidas e chamaram  outras  pessoas, de madrugada estava  todo mundo louco e sem roupas numa  Suruba foi infernal. Eu estava tão atordoada que certa hora acordei no meio de três desconhecidos fungando em cima de mim. Mesmo assim  me lembrava da promessa, dizia “Foda-se”, os caras achavam que eu falava com eles e fodiam sem parar. Amanheci tão relaxada que quando dei um peido caguei na roupa. Mas estava satisfeita. Vá comer virgem lá na casa do caralho seu Padre safado! Domingo como nunca havia acontecido, minha mãe  estava toda preocupada comigo. “Não vá se atrasar para a missa, olha a promessa!” Se for pecado que eu seja castigada, mas eu pensei “Vá pro meio dos infernos sua vaca velha!” Tomei quatro doses de vodka pura, me sentei nas cadeiras de trás. Minha mãe se sentou em outra fileira, mas próximo a mim. O Padre parecia técnico de time de futebol quando está ganhando no segundo tempo, toda hora olhava o relógio para a missa acabar. Quando bateu as oito, ele quase expulsa o povo. Uma senhora de cadeira de rodas pediu para receber a extrema unção, achava que não passaria daquela noite, ele disse apressadamente, “Vá com Deus!”. Dentro do seu quarto  tinha uma imagem de Jesus com seus apóstolos, ele nem se preocupou em cobrir seus rostos,  só queria deflorar a virgem que se entregava pelo bem da irmã. Querido diário, amanhã conto mais coisas.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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