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Coluna do Adilson Cardoso – Bolinhas de gude cintilam no céu ( A Julio Galinheiro)

Coluna do Adilson Cardoso – Bolinhas de gude cintilam no céu ( A Julio Galinheiro)

Galinheiro  um homem

Para alguns  um doido

Para outros,  Julio

Ele pouco se lixava, Julio, homem, doido, se foda!

 Menos Galinheiro

Queria contar suas estórias para ele mesmo

Falar sozinho interagindo com as suas  Quimeras

Ordenava que  a caneca não tilintasse

Que as garrafas soltas não se tocassem,

 Que  buzinas dos  carros  se calassem!

Singularmente quando menino de escola se aproximava da esquina

Ouvido atento na escuta, ele não era Galinheiro

Poderia ser a mãe, o pai, o cu da Vó, ou a puta que pariu!

Menos ele,  homem, doido ou Julio, Galinheiro não!

Ao atrevido a pedra voava certeira

Se as pernas alcançassem

O cabo de guarda-chuvas ou um pedaço de galho

Cantava na orelha com um calombo nas costelas

As ruas vinham de todos dos lados

Ele sabia disso, por isso ia atrás delas

Vagando nas veias da cidade

Como um sangue sujo para certos olhos

Andava sem pressa com seus mocós abarrotados

Suava sem descanso, mas arrastava sem queixas

Ao findar a rua descobria que cobiçava outra rua

Assim vagava cumprindo sua sina sob chuva e sol

Nas artérias da cidade feito sangue sujo para certos olhos

À noite, Julio o homem doido que era não Galinheiro

Contava as bolinhas de gude que apareciam no céu

Dormia e sonhava como se sonha um louco

Fantasia, Utopia, Ficção,

Um cisco no olho da cidade para certos olhos

Ele  não temia a solidão das pessoas

Dormia com seu bule descascado

Suas colheres enferrujadas, sua panela furada,

Seu resto de comida, suas caixas de papelão,

 Um carrinho de crianças que perdera  as rodas

Agendas com anotações diversas, segredos contábeis

Jamais revelados por um analfabeto menino, pequeno, franzino

Que um dia se deitou novamente

Foi olhar suas bolinhas de gude piscar no espaço dele

E cantar a poesia da noite antes de fechar os olhos

Mas da vil plenitude dum energúmeno sem alma,

Despencara o ódio da sua obra mais prima naquela cabeça ingênua

 Que sorria ás estrelas e falava diretamente com a lua

Homem, Julio ou  doido, Galinheiro era a puta que pariu!

 

Apagou-se com serenidade  eterna

A luz daqueles olhos que enxergava  inocência.

O vil assassino justificando seu crime

Mostrou  o crachá ominoso  e  saiu ileso de faixa no peito

Sopramos o cisco sujo do olho da cidade (Dizia a faixa)

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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