Inicio » Minas Gerais » Estupros aumentam 10,8% em Minas Gerais em um ano

Estupros aumentam 10,8% em Minas Gerais em um ano

Estupros aumentam 10,8% em Minas Gerais em um ano

Outros crimes violentos contra a mulher como tentativa de estupro e feminicídios também tiveram aumento.

Estupros aumentam 10,8% em Minas Gerais em um ano
Estupros aumentam 10,8% em Minas Gerais em um ano

 

Todos os tipos de crimes violentos contra as mulheres em Minas Gerais aumentaram de 2016 para 2017. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018, divulgado nesta quinta-feira (9), em São Paulo. O anuário mostra que os estupros, as tentativas de estupro e os feminicídios cresceram de um ano para o outro.

Em 2016, foram registrados 4.692 estupros contra as mulheres, já em 2017 o número subiu para 5.199, aumento de 10,8%. A taxa desse crime por 100 mil habitantes aumentou 10,2% de um ano para o outro, sendo que em 2016 essa taxa era de 22,3 e em 2017 passou para 24,6.

Os dados mostram um crescimento também na tentativa de estupro. Em 2016, foram registrados 613 deste tipo de crime e em 2017 foram 628 registros, aumento de 2,8%. Já os feminicídios passaram de 134 em 2016 para 145 em 2017, um aumento de 8,2%.

Cultura machista potencializa crimes contra a mulher 

Para a psicóloga e professora da Faculdade de Ciências Médicas e conselheira do Conselho de Psicologia de Minas Gerais, Cláudia Natividade a violência contra a mulher tem uma cultura de tolerância já que temos uma sociedade muito machista.

“Um grande empecilho é que as mulheres muitas vezes ficam acuadas e envergonhadas de denunciar. Em conversas com amigas ou familiares muitas vezes elas ouvem que ‘homem é assim mesmo’ ou que ‘casou tem que aguentar’ e vários outros sistemas históricos da nossa sociedade machista que criam essa cultura de tolerância na violência contra a mulher”, explica a especialista.

Segundo ela, o feminicídio acaba sendo a forma mais radical de violência contra a mulher, mas antes disso, ela costuma ter sido agredida anteriormente. “Não existe uma regra, pode ser que a mulher esteja sendo agredida há vários anos ou aconteça em um relacionamento rápido. Sempre por homens com medidas extremas de controle sobre a mulher”.

A psicóloga ressalta ainda os danos a uma mulher quando ela é estuprada. “Os reflexos dessa violência perseguem a mulher para a vida toda. Essa é uma experiência de desumanização enorme. Os efeitos são devastadores, sem falar no estigma social de uma sobrevivente do estupro”, conclui.

O professor da Universidade UNA e especialista em segurança pública Jorge Tassi ressalta que o aumento nesse tipo de dado mostra também que as mulheres estão denunciando mais e os crimes contra as mulheres aparecendo mais.

“Essa violência contra a mulher sempre existiu, porém cada vez mais ela está aparecendo e as mulheres estão procurando mais a sua voz”, considerou.

 

Denúncias 

Na última terça-feira (7), a Lei Maria da Penha, que visa proteger as mulheres de crimes violentos, completou 12 anos, mas esses dados mostram que o país ainda tem muito o que avançar na proteção das vítimas.

Aviso: Nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto e esperamos que as conversas nos comentários de artigos do JORNAL MONTES CLAROS sejam respeitosas e construtivas.O espaço de comentários em nossos artigos é destinado a discussões, debates sobre o tema e críticas de ideias, não às pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão tolerados de maneira nenhuma e nos damos ao direito de ocultar/excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, preconceituoso, calunioso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem nome completo e/ou email válido).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *