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Coluna do Adilson Cardoso – Meus sonhos bizarros

Coluna do Adilson Cardoso – Meus sonhos bizarros

“Todo o material que compõe o sonho procede de nossas experiências, daquilo que foi por nós vivenciado na vigília. Este material é recordado no sonho, embora não seja imediatamente reconhecido pelo sonhador como originário de suas próprias experiências.” (Freud)

Sempre tive pensamentos fabulosos, ás vezes do nada me pego imaginando uma grande explosão, crateras se abrindo no meio da rua e monstros terríveis saindo com suas garras  pontiagudas, perseguindo e devorando as pessoas. Talvez seja por isso que meus sonhos são  tão delirantes. Dentre eles destaco alguns que nunca consegui encontrar nenhuma explicação, ou motivos para tê-los vivido enquanto roncava.

 Era domingo, eu estava num parque próximo da minha casa. Tinha nas mãos algumas folhas rabiscadas e uma caixinha de fósforos vazia. Um garoto muito gordo com voz anasalada, berrava empurrando um carrinho de picolés, estranho que ao invés de pedir que as pessoas comprassem, clamava para que ninguém adquirisse. De repente veio  entrando pelo portão e atropelando as pessoas, o zelador do parque montado sobre uma vaca e soprando um apito. Neste momento o garoto abriu a tampa do carrinho e mergulhou dentro dele como se fosse um pequeno boneco gordo.

Quando o homem estava  próximo,  pude observar que a vaca  não tinha um dos olhos e, vinha correndo na direção de onde eu estava, quando tentei me levantar daquele banco, percebi que estava grudado com uma espécie de cola, tentava gritar por ajuda, mas a fala estava presa,  do meu lado direito estava minha Avó, morta há mais de vinte anos, tinha um lenço na cabeça e um vestido amarelo, varria umas folhas que caiam da Mangueira e assoviava, estranho, pois seu assovio espalhava as folhas, mas elas as varria novamente assoviando. Mostrava  uma falha nos dentes da frente, eu tive medo. Ela se chamava Luzia, quando fiz a associação com aquele  fóssil humano, mais antigo da nossa America ela  apontou para a minha blusa,  dizendo que a vaca viera buscar seu olho.

Baixei a vista, o olho da vaca estava se mexendo em mim. O homem sobre a vaca havia trocado o apito por uma trombeta e estava vestido de branco,  tinha cabelos compridos e barba longa, a vaca cada vez mais próxima de mim, urrava ecoando naquele céu escurecido de repente, ela queria seu olho. Não havia mais ninguém no parque, somente eu e minha avó que já era  toda esquelética,  assoviando e varrendo as folhas. Novamente se virando para mim, ordenou que eu devolvesse os olhos da vaca, eu tentei dizer que não eram os olhos,  apenas um, que minhas mãos não conseguiram soltá-lo da  minha blusa. Mas ela grunhiu, dizendo que  o meu joelho direito era o outro olho da vaca, neste momento, ápice da minha aflição, consegui me soltar do lado esquerdo e sair correndo com parte do meu corpo, o chão do parque era uma areia fofa que dificultava  sair do lugar, quando me virei para trás, a vaca que tinha aquele homem sobre ela, estava também com minha avó, segurando sua vassoura, não era mais o fóssil Luzia, mas uma bruxa que tenho tatuado na panturrilha. Acordei ofegante, com Maria Orlinda me dizendo que já era quase meio dia, eu precisava ir embora para limparem o puteiro.

 

Adilson Cardoso

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