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Montes Claros – Conselho Tutelar de Montes Claros fica alarmado com os dados sobre abuso sexual

Montes Claros – Conselho Tutelar de Montes Claros fica alarmado com os dados sobre abuso sexual

Montes Claros – A cidade de Montes Claros apresentou cerca de 700 casos de crianças abusadas ou exploradas sexualmente nos últimos três anos, conforme dados repassados pelo conselheiro tutelar Samuel Oliveira Magalhães, durante a  audiência pública realizada nessa quarta-feira (15), na Câmara Municipal para discutir o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado no dia 18 de maio.

O conselheiro explicou que  o número não é compatível com a realidade, pois mais de 70% das crianças vividas nessas situações não denunciam o abuso, por medo de ameaças do agressor. O major Geovane Rodrigues, subcomandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, mostrou que somente no ano passado 64 meninas menores de idade, e 12 meninos menores de idade, foram estuprados. Neste ano, apenas nos quatro primeiros meses, 10 estupros de vulneráveis foram registrados – um aumento de 33% em relação ao ano passado.

O subcomandante explica que  infelizmente, não tem como prevenir o abuso sexual e que campanhas na mídia como outdoor e propagandas sobre o assunto não são suficientes. “Não tem como saber se a criança vai ser abusada ou não. Porém podemos reduzir os danos e perceber pequenos sinais que essa vítima está sendo violentadas, algumas acham que isso é natural, não sabem o que é abuso. Em outros casos as garotas estão induzidas a cometer o ato, sem mesmo querer aquilo. É preciso fazer rodas de conversa, palestras para aproximar esses jovens da realidade que vivem”, concluiu o major.

O conselheiro Samuel Oliveira se queixou da falta de estrutura para atuação do Conselho Tutelar e cita um exemplo: Montes Claros tem 400 mil habitantes e deveria contar com quatro grupos de Conselho Tutelar, mas tem apenas três. Cada grupo é formado por cinco conselheiros. O secretário municipal de Desenvolvimento Social, Aurindo Ribeiro rebateu a alegação e informou que nessa semana o Conselho Tutelar recebeu novos móveis para suas funções. Ele se queixou ainda que Montes Claros está sem receber R$ 2,3 milhões do Piso Mineiro de Assistência Social, de 28 meses de retenção e isso compromete o atendimento.

O conselheiro Samuel Oliveira  se queixa ainda que é preciso reforçar a rede de atuação para as vítimas desses abusos, pois quando surge a denuncia, a polícia ou o Conselho Tutelar encaminha a vítima para o Hospital Universitário, onde é dado o primeiro atendimento. Constatado o abuso, a vítima é encaminhada a Delegacia Especializada da Mulher e Família, onde o caso é apurado. Se o acusado for uma familiar da vítima, ela não fica no mesmo endereço. Aparecida de Cássia Vieira reforça a cobrança sobre o funcionamento dessa rede.

Representando a Pastoral da Criança, Maria Zuma, pontuou que quando há suspeita de abuso, a vítima é encaminhada para o Cras mais próximo e quando há denúncia o caso é levado ao Conselho Tutelar. “Na nossa região, principalmente mulheres negras e da zona rural, é ‘normal’ a exploração sexual. Todos são agressores, desde o que comete o ato, até aqueles que sabem e preferem ficar em silêncio. Esses assuntos devem serem divulgados para essas pessoas saberem que não estão sozinhas”, enfatizou Zuma.

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