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Coluna do Edson Andrade – Anos de Cinéreo Céu

Coluna do Edson Andrade – Anos de Cinéreo Céu

Não nos esforçaremos muito. Um repuxo na memória, algumas cenas de filme em preto e branco e eventos de triste lembrança nos serão suficientes para o estremecimento, em pleno Século XXI, quando o tema, inadvertida e irresponsavelmente é trazido à tona, em mais uma semana de estupefação. Independentemente de quem o tenha protagonizado e do ensejo de um país sob estertor hebdomadário de falácias, ameaças e estultices, serve-nos o desejo de esclarecer aos incautos o que representou o Ato exarado em 13 de dezembro de 1968.

O Ato Institucional nº 5 representou para o Brasil (sob incredulidade do mundo pós-guerra mas em evolução), o tiro de misericórdia na democracia republicana. Teve duração até 1978 e foi responsável pelo período de exceção mais violento e desumano, promovendo atos de uma arbitrariedade sem precedentes. Naquele ano (1968), a Igreja – mergulhada em silêncio conivente – encenou alguma defesa dos direitos humanos e a juventude brasileira, notadamente a universitária fez história com uma enxurrada de movimentos de contestação, a partir do slogan “é proibido proibir”.

O cenário descrito no período compreendido entre 1964 a 1985 tem ares do período hodierno? Poder-se-ia afirmar que, na atualidade, verborragia incandescente poderá levar o país ao cinéreo céu? Ou serão meros bafejos de desenho néscio? Qualquer que seja a resposta, eis esclarecer ao país que o mundo evoluiu em direção ao atendimento das necessidades coletivas, em detrimento dos atos solitários de loucura. Ou não seriam solitários?

O país encontra-se dividido. De um lado, alguns sonham com a pureza da raça, ao estilo lamentável do mundo germânico de triste lembrança; do outro, pseudo pensadores esgrimam discursos vazios de significado e de ação. No centro da complexa questão, eis que milhões de brasileiros digladiam e vociferam sua absoluta ignorância. E não há muito o que fazer em benefício de um povo e sua proverbial preguiça de ler, pensar e agir .

A nação necessita de mais inteligência e menos holofotes. Não será com ameaças supostamente veladas que vamos equacionar a dívida brasileira para com seu povo, notadamente o hipossuficiente, no que concerne os temas Educação, Saúde, Saneamento Básico, Segurança, Habitação e Emprego. Melhor mergulharmos no mar modorrento que nas marmorras e nas marés miraculosas de outras tantas palavras em “eme”. Nosso povo bom e sonhador – nem sempre laborioso, antes festeiro – precisa de presente e não de passado.

Ao encerrarmos uma semana em que muito se falou e pouco se fez – calor abrasador do Oiapóqui ao Chuí – melhor abraçarmos a causa dos que pensam o país com intenções claras de reconstrução. E que nos surjam ideias e algum salvador da tragédia em que nos encontramos, pelo bem do olhar que nos possa projetar melhor futuro.

O Brasil que queremos nada tem a ver com o atual modelo de condução em todas as esferas de poder. Cláusulas pétreas constitucionais estão sendo rasgadas por quem deveria ser o guardião da Carta Magna. O Congresso Nacional é um ninho de gente despreparada e insensível aos clamores do povo. O Poder Executivo é um manancial de notícias falsas e pedidos de desculpas.  Nosso povo não tem estrutura para o debate profundo de questões complexas. Sabendo disso, não faltam mentes malévolas nas redes sociais para, no mínimo, chegar mais lenha à fogueira do inferno em que nos encontramos.

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

 

Edson Andrade
Edson Andrade

 

 

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