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Coluna do Edson Andrade – O ano que já morreu

Coluna do Edson Andrade – O ano que já morreu

O esgarçamento das horas levou os dias à exaustão do material de que são feitas as semanas. Consequentemente, os meses deste ano exalaram suspiros breves e mataram o tempo célere em pó da inutilidade do relógio desenhado na poesia de Cassiano Ricardo: “Diante de coisa tão doida/conservemo-nos serenos/Cada minuto da vida/ Nunca é mais/é sempre menos.”

O ser nunca foi tão breve. E o ser se submete ao tique-taque suspicaz dos minutos em serena, suave, sonora, sibilante e sonhadora imaterialidade. Pare o tempo e ter-se-á o automóvel drummondiano no hematódromo do corpo. Inspire a seiva do verde açoitado pela brisa, a modos de perenizar improvável longevidade e correrá o risco de vislumbrar a curva do tempo célere nos desvãos dos labirintos em que nos perdemos. Somos o corpo enlouquecido e desorientado em meio à multidão dos que buscam suas horas, multidão ignara, consciências por perfazer um grama de perfeição.

E então é Natal. Não mais do que a simbologia do garotinho na manjedoura e o olhar enternecido do transeunte, muito mais nas formas coloridas do presépio alvissareiro, do que na esperança de uma volta que não acontecerá. Mas o Natal é tudo isso, um misto de coisas mundanas com algum resquício de fé na divindade do menino.

Mais uma volta do tempo e nossas células já não serão as mesmas que sorveram o vinho do ano transato. Porque o interregno sob ação das intempéries não favoreceu a descoberta da fonte de Ponce de León, em cuja crença pairava a certeza de uma juventude pelo mergulho nas águas tépidas do sonho e morto em sua natural abstração. O relógio andou, mas nos mantivemos estacionados na pilha que exauriu a força inútil dos ponteiros. Inobstante, é Natal.

And what have you done? O que fizemos do conta-giros do nosso tempo? Qual utilidade demos ao período que nos foi concedido no espaço-tempo do ano que se vai? Fomos felizes? Perdemos nossas horas com as escolhas inúteis que nos caracterizam? Ou encontramos nossa proficiência na azáfama que nos tirou o sono e nos fez mortais à medida que nos afogamos na perda de nossa paz?

Então é Natal. Muito para muitos, muito pouco para tantos e quase nada para uma multidão de zumbis que se arrastam pelo mundo, livres de Deus, do Papa, do evangelho e de todos os imprescindíveis alimentos de suas almas e corpos já prontos para o abismo. Mas verdadeiramente muito para nossas crianças e sua pureza. Porque, a despeito do mercado, das mercadorias vivas e inertes em suas cores e formas, os pequeninos acreditam na figura e em seu vagar veloz pelo espaço. E é o que importa.

Os meses que se perderam na curva tresloucada do tempo poderão ser revividos no calendário gregoriano que se avizinha. E nossas horas conformarão um tempo que precisa ser melhor aproveitado, sob pena de nos perdermos, um ano mais, nas bobagens que ocupam nossas tarefas inúteis, vidas costumeiras, rotinas estafantes, amores desvalorizados nas mesmices de nossa cruel incapacidade de agregar valor ao que fundamentalmente interessa. Então é Natal. Vivamos um pouco mais de nossa Esperança.

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

 

Edson Andrade
Edson Andrade

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