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Coluna do Edson Andrade – A arte da palavra em Sêneca

Coluna do Edson Andrade – A arte da palavra em Sêneca

O grande mestre da retórica, a arte da palavra e da eloquência Lucius Annaeus Seneca foi advogado, escritor e festejado intelectual do Império Romano. Influenciado por Epicuro, Ovídio, Virgílio, Eurípedes e Platão, viveu o período conturbado do Século IV antes de Cristo. Escreveu várias obras do pensamento filosófico, dentre as quais “Thyestes”, “Medeia”, “Agamenon”, “Octavia”, “Phaedra”, “Edipo”, consideradas vastas e profundas contribuições para a melhor compreensão do mito, do homem e da vida.

           “Não há vento favorável para barcos sem destino”, asseverou Sêneca. Em pleno século IV, anterior ao advento do Cristianismo, aquela mente privilegiada buscou água profícua e original do pensamento de seus mestres para legar à humanidade obra impagável e imortal.

                Barcos sem destino são partícipes da vida cotidiana e dos ambientes familiares e sociais que nos são afetos. Não há raridade na observação de seres humanos perdidos em seu des(norte)amento, constatação que nos aproxima da inércia, da inação, da ausência de uma pulsão própria das catexias. O ID de muitos se sobrepõe a egos e superegos, manifestamente aprofundados em desejos e instintos irrealizáveis, ID dominador, rédea bravia de um cavalo sem freios, droga paralisante das melhores intenções egoicas.

                Ao melhor perquirir a mente humana, fortemente bêbado em Freud, Lacan e Carl Jung, melhor atracar-se ao empirismo bem intencionado para, laivos de uma observação silenciosa, comprovar o imobilismo alheio e infrene. Porque de todos os barcos singrando mares plácidos, voluntariamente, raros possuem bússola. E são humanos barcos navegando indolência de causar pena, modelos prontos para estudos fenomenológicos – eia, a vida não tem freios!

                Não há viver sem norte. Máxime quando, ensimesmados na preguiça e na introspecção afeita aos instintos profundos do ID e do inconsciente hibernal, jovens se entregam às ilusões do nada fazer pela consecução de objetivos vitais, adultos se entregam à acomodação da pobreza em sua feição geral, crianças vêm ao mundo despossuídos de alguma estrutura que as possam nortear face aos obstáculos do horizonte moderno em crise.

                Não há vento favorável para barcos sem norte, diria Sêneca. Não existirá, por conseguinte, mares de cujo enfrentamento resultem peixes, lavouras em explosão de frutos, campinas verdejantes mordidas por gado gordo, profissões exitosas aquinhoadas de muito estudo e conhecimento vasto, serviço grávido da melhor mão de obra, porque fartamente disponível, indústrias silenciadas e de sirenes históricas caladas, mas sinônimo de altíssima tecnologia pelo bem da microeconomia, do homem farto em sua luta e da vida digna a que TODOS temos direito.

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

Edson Andrade
Edson Andrade

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