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Coluna do Edson Andrade – De todas as perdas

Coluna do Edson Andrade – De todas as perdas

De todas as perdas, fixei o olhar no cenário do cotidiano e não pude identificar as maravilhas de um universo em desconstrução. Tudo nublado. Tudo envolto em névoa inexpugnável. Na sequência da tentativa desesperada de enxergar, perdi os detalhes e me evolei em conjecturas: afinal, o que me circunda? O plano alheio ou meu inconsciente envolto em trevas?

                        Há muito perscruto a floresta de cipoais entrelaçados. E, no afã de me autoanalisar psicanaliticamente, descubro que sou meu melhor paciente: um ser às escuras, perdido no ID tresloucado de sonhos, mas vigiado, monitorado de perto pelo superego agigantado. É momento de reflexão. Urge entender o que não me compraz.

                        As semanas se sucedem e, exercitando meu lado honesto e vocacionado à objetividade, embora fundamentalmente humano e sensível, apuro que essa introspecção não serve ao ideal de conquistas planejadas, perseguidas, exploradas, estudadas, a cada minuto distanciada (minha introspecção inútil) de uma perfeição utópica. Sou o que sou. Sou o que jamais seria, construção sob bases frágeis e soltas ao vento.

                        Não estou pessimista. Antes, decepcionado. Frustrado pela inelutável inumação de tantos intelectos jovens, medianos e velhos, por consequência de um ser minúsculo, um vírus, um nano biológico de cuja explosão resta a paralisação do mundo, face à soberba tecnologia, à espetacular capacidade humana de criar resistência e de sobreviver aos próprios e terríveis inimigos de semelhante espécie, ambições, sonhos, sangue e esperança.

                        Eu me armo de palavras. Com elas esgrimo minha resistência e torno-as simulacros bélicos profusos e mortais, não obstantes as diferenças, as nuances alienígenas, as semelhanças que me transformam em ser igual, fragilizado, intimorato mas próximo de uma incapacidade de enfrentamento que me assemelha ao ser entrincheirado, bicho de uma caverna de onde jamais verá o sol.

                        A semana recomeça e não sei em que direção evoluir. Ou involuir. Ou paralisar-me face ao vírus e aos insetos humanos de cuja redoma perscrutam mundos e ameaçam limites. Estamos diante da tragédia. Nem por isso melhor vocacionados, melhor preparados, expertise zero diante do animal que nos devora e dos vizinhos que o não fazem menos.

                        “Cada minuto na vida nunca é mais, é sempre menos”, como diria O Relógio de Cassiano Ricardo. E não nos sentimos exatamente conscientes do que virá, quer holocausto, quer salvação. De tudo, uma certeza: estamos mais próximos da vala comum do que subestimam nossa vã e desesperada filosofia. Muito mais aderentes à inumação cruel do que heroicamente salvos pelo narcisismo que nos espatifa contra o espelho inexorável da vida. Não acordei pessimista. Para todas as inteligências e ociosidades quarentenais, somente refletindo em meu texto o que enxergo, catarata embaçando as lentes dos óculos, nas faces episódicas, circunstanciais de minha escapada eventual ao café com pão e manteiga.

Edson Andrade
Edson Andrade

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