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HISTÓRIA DE ZICO

Dos tempos do Juventude de Quintino, um pequeno time de futebol de salão formado por familiares e alguns amigos, à estátua erguida em sua homenagem no Japão, Arthur Gomes Coimbra, o nosso Zico construiu uma história brilhante no futebol brasileiro e mundial.

O caçula de seis filhos, nascido no dia 3 de março de 1953, Arthurzico, como era chamado em razão do corpo franzino, teve logo o diminutivo ainda mais reduzido para Zico, por uma prima de nome Ermelinda. A lenda em torno do nome começa assim, já a saga como jogador de futebol quando o radialista Celso Garcia, amigo da família, assistiu a um jogo de futebol interior de salão no qual Zico marca dez dos quinze assinalados por sua equipe, o River Football Club. Encantado com o rapazote de quatorze anos, o apresenta à escola de futebol do Flamengo.

O galinho de Quintino, outro apelido decorrente do corpo miúdo, estrearia profissionalmente em 1971, mas só se firmaria como titular em 1974, depois de um intenso trabalho físico para ganho de altura e massa muscular. Acreditem, em 1969, aos dezesseis anos, o corpo atarracado de Zico o impediu de jogar por empréstimo no Fluminense de Feira de Santana, Bahia.

Nesse mesmo ano de 1974, liderando uma equipe bastante jovem, Zico conquista seu primeiro título carioca e já demonstra ser um fora de série. Seus dribles, arrancadas e suas cobranças de falta à perfeição, passam a fazer parte dos noticiários e os cronistas o veem como o substituto de Pelé. Sua primeira Bola de Ouro da revista Placar, também foi ganha em 1974.

Os anos seguintes, todavia, não foram de conquistas. Zico viu o Fluminense de Rivelino conquistar o bicampeonato carioca em 1975 e 1976, e em 1977, o Vasco de Roberto Dinamite. Mas o galinho já muito prestigiado, aguardou pacientemente por melhores ventos e a partir de 1978, vive um momento áureo no Flamengo. Um tricampeonato carioca, além do tão cobiçado campeonato brasileiro em cima do fortíssimo Atlético mineiro de Reinaldo, Cerezo e Éder.

Neste período de ouro, Zico suplantaria outra lenda, Dida, como o maior goleador do Flamengo, ao marcar seu 245º gol, em 1979. Em 1981, Zico se consagra campeão da América. O oponente naquela ocasião, o Cobreloa do Chile, perdeu a primeira no Maracanã por 2 x 1, mas fez 1 x 0 no Chile, levando a um terceiro confronto em campo neutro. Jogando no Centenário de Montevidéu, o Flamengo marcou 2 x 0, dois gols de Zico.

No final daquele ano, o time da Gávea mete um 3 x 0 sobre o Liverpool da Inglaterra no final do mundial interclubes. Zico participou de todos os gols; duas assistências para Nunes e um rebote de Adílio numa falta cobrada por ele. Zico estava definitivamente consagrado e o mundial de seleções de 1982, apresentava o Brasil como grande favorito.

Quis a história, contudo, que o Brasil ficasse pelo caminho. Derrotados pela Itália por 3 x 2, três gols de Paolo Rossi, a tragédia de Sarriá é considerada por Zico, a maior frustração de sua carreira. Mas nada como o tempo e novas conquistas para reanimar o espírito.

Em 1983, o Flamengo é campeão brasileiro, título conquistado sobre o Santos, num sonoro 3 x 0 no Maracanã. Zico, no entanto, jogou tristonho, pois já sabia que seu passe havia sido negociado com a Udinese da Itália. A negociação de quatro milhões de dólares, na época, a maior cifra já paga por um jogador na Itália, gerou um verdadeiro escândalo.

A população da pequena Údine não se conformou com a fábula e o negócio quase foi desfeito. Em meio a ameças separatistas, sim, Údine pretendia separa-se da Itália e unir seu território à Áustria, o governo italiano teve que intervir e, depois de muita conversa, muita negociação, Zico acabou ficando. Por lá, Zico marcaria cinquenta e sete gols, sendo dezessete deles de falta, sua marca registrada.

O ano de 1985 marca seu regresso ao Flamengo. Graças a uma operação financeira que envolveu diversas empresas, incluindo a Sul América Seguros e a Rede Manchete, Zico volta para o seu clube de coração, onde ainda ganharia mais um carioca e mais um título brasileiro. No segundo semestre de 1989, Zico resolve parar. Despede-se do futebol numa partida contra o Fluminense. Placar final, Flamengo 5 x 0.

Quem imaginou nunca mais vê-lo jogando profissionalmente, enganou-se. Na verdade, todos nos enganamos. Em 1991, torcedores e imprensa são surpreendidos com a notícia de que Zico assinara com o Sumitomo Metals, atual Kashima Antlers. Zico virou um Deus e é uma unanimidade no Japão, sendo considerado o grande responsável pela estruturação do futebol naquele país.

Ao aposentar-se em 1994, Zico passa a dedicar-se à família, mas em 1998, assume a função de coordenador técnico da seleção brasileira e, logo em seguida, a de treinador do Kashima. Sua carreira como técnico inclui clubes como o CFZ, Fenerbahçe, Olympiakos, além da seleção japonesa entre 2002 e 2006. Hoje, Zico é diretor técnico do Kashima Antlers.

São três copas do mundo no currículo, título de terceiro maior jogador brasileiro de todos os tempos, atrás de Garrincha e Pelé, quinto maior jogador da América do Sul, décimo quarto maior do mundo de todos os tempos, segundo a Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), quinhentos e oitenta e sete gols na carreira, inegavelmente, um dos maiores.