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Inflação desacelera em Montes Claros, mas alerta sobre tarifaço dos EUA preocupa especialistas
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Montes Claros — 09/09/2025, o Índice de Preços ao Consumidor de Montes Claros (IPC Moc) registrou queda na inflação, passando de 0,30% em julho para 0,21% em agosto, segundo levantamento do Departamento de Ciências Econômicas da Unimontes. O acumulado do ano chega a 4,14%, enquanto o índice dos últimos 12 meses é de 6,85%. Apesar do resultado positivo, especialistas alertam para possíveis impactos do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que pode pressionar os preços nos próximos meses.

Alimentação ainda pesa no orçamento

O Grupo Alimentação, que representa o maior peso na composição do orçamento doméstico (29.4700), teve alta de 0,40% em agosto, contribuindo com 0,12% para o IPC Moc. Entre os produtos com maior aumento estão chuchu (48,57%), abóbora (48,51%), banana caturra (25,45%) e limão (23,96%). Já itens como cebola seca (-16,49%), alho (-16,28%), tomate (-14,30%) e banana maçã (-11,44%) apresentaram quedas significativas. A coordenadora do IPC Moc, professora Vânia Vilas Boas, atribui parte da redução ao período de safra e à demanda interna controlada.

Vestuário e habitação também influenciam

O Grupo Vestuário teve variação negativa de -0,69%, com destaque para quedas em maiôs e biquínis (-15,46%) e pijamas (-4,17%). Já o Grupo Habitação apresentou alta de 0,19%, puxada por aumentos em aluguel (0,36%), desinfetantes (1,79%) e materiais de construção, como revestimento (6,08%) e ripa (5,80%). A queda em itens como saco de lixo (-1,91%) e carvão (-1,06%) ajudou a equilibrar o grupo.

Tarifaço pode pressionar preços nos próximos meses

A professora Vânia Vilas Boas alerta que o tarifaço de 50% sobre importações brasileiras, em vigor desde 6 de agosto, ainda não impactou o índice atual, mas pode provocar elevação progressiva nos preços a partir de setembro. Alimentação, eletrônicos e setores dependentes de importação são os mais vulneráveis. “Precisamos acompanhar com cautela. A queda é positiva, mas ainda não é consistente”, afirma.

Cesta básica consome mais de um terço do salário

Em agosto, a cesta básica teve alta de 0,04%, custando R$ 564,80 ao trabalhador com renda bruta de R$ 1.518. Isso representa 37,20% do salário, restando R$ 953,20 para outras despesas como moradia, saúde, transporte e lazer. O índice é calculado com base em 400 estabelecimentos varejistas da cidade e reflete o custo de vida das famílias com renda entre um e seis salários mínimos.

Jornal Montes Claros | Texto: Jornal Montes Claros – com informações da Unimontes e IPC Moc

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