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Série Especial: Montes Claros - Raízes, Sabores e Histórias
Série Especial: Montes Claros - Raízes, Sabores e Histórias

Série Especial: Montes Claros – Raízes, Sabores e Histórias

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Montes Claros que canta, cura e celebra

Montes Claros — 1º de outubro de 2025. No terceiro capítulo da série “Montes Claros — Raízes, Sabores e Histórias”, o foco recai sobre os pilares que sustentam a alma da cidade: a cultura popular que pulsa nas ruas, a saúde que acolhe nas comunidades e as tradições que atravessam gerações. Se os dias anteriores revelaram as origens e os personagens que moldaram Montes Claros, hoje celebramos o que a cidade tem de mais vivo — seus ritos, seus sons e seus gestos de cuidado.

 Folclore: fé que dança e resiste

Montes Claros é um dos maiores redutos de folclore religioso afro-brasileiro do país. Os Catopês, Marujos e Caboclinhos não são apenas danças — são manifestações de fé, resistência e identidade coletiva. Com raízes no século XIX, essas expressões ganham força na Festa de Agosto, que transforma a cidade em um grande cortejo de cores, tambores e devoção.

  • Os Catopês, com seus chapéus floridos e passos ritmados, reverenciam Nossa Senhora do Rosário. Liderados por mestres como o icônico Mestre Zanza, são símbolo da resistência negra no sertão mineiro.
  • Os Marujos, inspirados nas tradições marítimas portuguesas, celebram São Benedito com coreografias que simulam batalhas e navegações.
  • Os Caboclinhos, com influência indígena, representam a força da terra e da natureza, com danças vibrantes e indumentárias coloridas.

Esses grupos não apenas se apresentam — eles educam, preservam e conectam gerações, sendo reconhecidos como patrimônio imaterial de Montes Claros e do Brasil.

 Música e arte: vozes que ecoam além do sertão

Montes Claros é terra de poetas, músicos e artistas visuais que transformam o cotidiano em arte. O cantor e compositor Lô Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina, nasceu aqui e levou o nome da cidade para os palcos do mundo. Grupos como os Sarandeiros, com suas danças folclóricas, e artistas como Jorge Ventura, Thalya Dias, Pedro Tommaso, Ana Catarina, entre outros, mantêm viva a produção cultural contemporânea.

A cidade abriga espaços como:

  • Centro Cultural Hermes de Paula: coração da vida artística local, com exposições, saraus e espetáculos.
  • Museu Regional do Norte de Minas: guardião da memória sertaneja, com acervo de objetos, documentos e fotografias que narram a história da região.
  • Memorial Darcy Ribeiro: dedicado ao antropólogo e educador montes-clarense, com foco em educação, cultura e pensamento crítico.
  • Casa da Cultura, Museu do Folclore, Biblioteca Pública Municipal: espaços que promovem encontros, pesquisa e preservação da memória.

Saúde: entre tradição e modernidade

A saúde pública em Montes Claros é marcada por instituições centenárias e desafios contemporâneos. A Santa Casa de Montes Claros, fundada em 1861, é uma das mais antigas do estado e referência em atendimentos de alta complexidade. O Hospital Aroldo Tourinho, com foco em urgência e emergência, e o Hospital Universitário Clemente de Faria, vinculado à Unimontes, são pilares da rede hospitalar regional.

A cidade conta com:

  • Mais de 40 UBSs espalhadas pelos bairros e distritos
  • Programas como Saúde da Família, Melhor em Casa, Saúde na Escola
  • Maternidades como a da própria Santa Casa, além de alas obstétricas em hospitais como o Aroldo Tourinho e o Hospital das Clínicas Mário Ribeiro

Apesar dos avanços, ainda há gargalos em especialidades médicas, fila de espera para exames, carência de leitos e desigualdade no acesso à saúde mental e preventiva. Iniciativas comunitárias como mutirões de saúde, ações de prevenção ao câncer de mama, campanhas de vacinação, atendimentos itinerantes em comunidades rurais e projetos de acolhimento psicológico têm sido fundamentais para ampliar o acesso e fortalecer o vínculo entre profissionais e população.

 Tradições que resistem e se reinventam

Montes Claros preserva sua história com carinho e criatividade. Além dos museus e centros culturais, há tradições que se mantêm vivas nas ruas, nas praças e nas famílias:

  • O Encontro de Folias de Reis, que reúne grupos de várias partes do Norte de Minas em celebrações de fé e música.
  • O Arraial da Serra, que mistura quadrilhas, culinária típica e artesanato local.
  • As rezas de terço, os bailes de forró pé de serra, os encontros de violeiros e os desfiles escolares são práticas que continuam a marcar o calendário afetivo da cidade.

Essas tradições não apenas resistem — elas se reinventam, ganham novos significados e continuam a formar a identidade cultural de Montes Claros.

📌 Amanhã na série especial:
🗓️ Dia 4 – Quinta-feira: Gastronomia, Mercado e Economia
🍽️ Tema: “O sabor e a força de Montes Claros”

Redação Jornal Montes Claros | Série Especial — Raízes, Sabores e Histórias

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