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Treino no inverno
Treino no inverno

Com a chegada do inverno, queda na motivação para treinar aumenta importância da rotina nutricional

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Meses frios reacendem debate sobre constância nos exercícios, alimentação adequada e  suplementação orientada para manter energia, recuperação muscular e bem-estar 

A chegada do inverno costuma alterar a rotina de quem pratica atividade física. Dias mais  frios, menor exposição à luz natural e mudanças no apetite podem reduzir a disposição para  treinar, sobretudo entre pessoas que ainda não consolidaram o exercício como hábito. O tema  ganha força neste mês por envolver não apenas estética ou performance, mas prevenção em  saúde, manutenção da massa muscular e cuidado com o bem-estar físico e mental. 

A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos realizem pelo menos 150 minutos  semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade intensa. Mesmo assim, a  inatividade física permanece como um dos principais desafios de saúde pública no mundo.  Em 2024, a OPAS informou que cerca de 1,8 bilhão de adultos estavam em risco de adoecer  por não praticar atividade física suficiente, dado que reforça a importância de estratégias para  manter a regularidade também nos períodos de menor motivação. 

No Brasil, o tema se conecta a um quadro mais amplo de comportamento e prevenção. O  Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde que monitora fatores de risco e proteção para  doenças crônicas nas capitais brasileiras, acompanha indicadores como prática de atividade  física, excesso de peso, alimentação e outros hábitos associados à saúde da população  adulta. Nesse cenário, embora o frio não seja isoladamente responsável pela interrupção dos  treinos, ele pode atuar como um fator adicional de desorganização da rotina. 

Nutrição ajuda a sustentar a rotina quando a motivação oscila 

Para especialistas, o ponto central não é exigir o mesmo nível de desempenho em todos os  períodos do ano, mas evitar que a queda de motivação leve ao abandono completo da rotina.  Neste contexto, alimentação equilibrada, hidratação e ingestão adequada de proteínas,  carboidratos, vitaminas e minerais passam a ter papel estratégico. 

Segundo Lucila Santinon, nutricionista da Vitafor, empresa brasileira do setor de suplementos  nutricionais, o inverno exige atenção porque muitas pessoas associam o período a maior  consumo de alimentos calóricos e redução do gasto energético.

No frio, é comum que a pessoa negocie mais com a própria rotina. Ela pula um treino, adia  uma caminhada e, ao mesmo tempo, muda o padrão alimentar. O problema não está em  adaptar a rotina ao clima, mas em perder completamente a constância. A nutrição entra como  uma base para preservar energia, recuperação e disposição”, afirma . 

A especialista destaca que a alimentação deve ser vista como parte do planejamento de  treino, não como uma medida isolada. Para quem treina com frequência, refeições mal  distribuídas ao longo do dia podem prejudicar o rendimento, aumentar a sensação de fadiga  e dificultar a recuperação muscular. 

Suplementação deve ser individualizada e orientada

A suplementação também aparece no debate, mas deve ser tratada com critério. Produtos  como proteínas, vitaminas, minerais e creatinas podem fazer parte da estratégia nutricional,  desde que associados a uma necessidade real e, preferencialmente, com orientação de um  profissional da saúde.  

A creatina, por exemplo, é uma substância naturalmente presente no organismo e em  alimentos como carnes e peixes, estudada por seu papel no fornecimento de energia para  esforços de alta intensidade. A Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva aponta a  creatina monohidratada como um dos recursos ergogênicos mais estudados para  desempenho em exercícios de alta intensidade e ganho de massa magra durante o  treinamento. 

Ainda assim, especialistas reforçam que nenhum suplemento substitui alimentação  adequada, sono, hidratação e consistência na prática física: “Suplemento não corrige uma  rotina desorganizada. Ele pode complementar uma estratégia, mas a base continua sendo  alimentação, treino possível, descanso e acompanhamento. O erro mais comum é buscar  uma solução rápida para compensar semanas de baixa regularidade”, diz Lucila, especialista  da Vitafor. 

Frio pode ser usado como ponto de reorganização 

Embora o inverno seja frequentemente associado à queda na motivação, o período também  pode funcionar como uma janela para reorganizar metas. Treinos mais curtos, horários  realistas, aquecimento adequado e refeições planejadas são medidas que ajudam a reduzir a barreira de entrada para a prática física.

Especialistas recomendam que a retomada seja progressiva, especialmente para quem  interrompeu os exercícios por semanas ou meses. A tentativa de compensar rapidamente o  tempo parado pode aumentar o risco de dores, lesões e frustrações. A prioridade deve ser  reconstruir a frequência antes de ampliar intensidade. 

O corpo responde melhor à consistência do que a esforços extremos e pontuais. No inverno,  pequenas decisões sustentadas, como manter uma rotina alimentar minimamente planejada  e adaptar o treino à realidade do dia, costumam ter mais impacto do que metas muito rígidas”,  explica Lucila. 

O debate do mês, portanto, não está apenas em como manter treinos durante o frio, mas em  como criar condições para que alimentação, suplementação responsável e atividade física  funcionem de maneira integrada. Em um cenário de alta prevalência de sedentarismo no  mundo, preservar a rotina nos meses frios deixa de ser uma questão individual e passa a  integrar uma agenda mais ampla de prevenção e qualidade de vida. 

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