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Padre prometia recuperar virgindade de fiéis para abusar delas

Padre prometia recuperar virgindade de fiéis para abusar delas

 Um padre foi preso em Goiás, na cidade de Caiapônia durante operação “Sacrilégio” nessa quarta-feira (14) em atendimento a um requerimento do Ministério Público de Goiás. O religioso prometia devolver a virgindade de fiéis, inclusive uma menor, e se aproveitava disso para cometer os abusos sexuais. Além do Ministério Público (MP), a operação contou com as polícias Militar e Civil.
Ele foi preso nessa quarta-feira durante operação do Ministério Público
Ele foi preso nessa quarta-feira durante operação do Ministério Público

 

Os depoimentos detalharam a estratégia que teria sido utilizada pelo padre para seduzir e convencer as vítimas a aceitar a prática do abuso. De acordo com o relato de uma delas, hoje com 17 anos, quando tinha 14 (em 2014), ela teria procurado o padre e se confessado com ele, em razão de ter perdido a virgindade e estar arrependida. O suspeito, então, a teria questionado se, caso houvesse uma forma de ela recuperar a virgindade, ela aceitaria fazer o procedimento.

Com o “sim” da jovem, o religioso a teria orientado a ir em casa tomar banho e retornar depois à casa paroquial. Ao voltar, destacou a garota nas declarações ao promotor, o padre teria dito que faria um procedimento de “santificação” para que ela voltasse a ser virgem. Em seguida, teria solicitado que ela tirasse toda a roupa e a teria tocado em várias partes do corpo, seios, por exemplo, e também a genitália. O toque na vagina, segundo afirmado à vítima, teria como finalidade exatamente “santificar” o local para a recuperação da virgindade.

Esses contatos íntimos teriam continuado em outras ocasiões, como em um encontro religioso em Caldas Novas em 2015. Nessa ocasião, o padre teria explicado à jovem que iria tocá-la para conferir se “havia voltado a ser virgem”.

A jovem relatou ainda ao MP que trocou várias mensagens por aplicativo de celular com o religioso, nas quais ele a teria orientado a seguir um outro ritual de santificação, após o qual deveria lhe enviar, pelo celular, fotos de seu corpo nu, incluindo da vagina, visando comprovar a “santificação”. Essa troca de mensagens foi objeto do registro em uma ata notarial em cartório, medida aconselhada por uma amiga da garota, e também de uma medida judicial de interceptação telemática, que comprovou as conversas.

Já com as conversas sob monitoramento telemático, o suspeito, neste mês de agosto, solicitou novamente por mensagem novas fotos da vítima, em várias posições, incluindo a genitália. Com base nessas mensagens, a equipe do MP solicitou a identificação do proprietário do número do celular, confirmando pertencer ao padre. Esse fatos levaram ao requerimento da prisão preventiva e à deflagração da operação.

Com uma outra jovem ouvida pelo MP, os fatos, bem semelhantes, inclusive com o ritual da santificação, teriam ocorrido quando ela tinha 21 anos, também em 2014.

Crimes

A investigação apura, inicialmente, a prática, pelo religioso, dos crimes de violação sexual mediante fraude (artigo 215 do Código Penal) e o previsto no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente). A partir da deflagração da operação, a apuração deve avançar ainda para verificar se teria havido também a prática de estupro de vulnerável (quando a vítima é menor de 14 anos).

A apuração que está sendo conduzida pelo MP foi instruída com o depoimento das jovens que teriam sido abusadas pelo padre e também de amigos e familiares que conheciam as histórias. Conforme os relatos, alguns dos abusos ocorreram dentro da casa paroquial de Americano do Brasil, no período em que o religioso esteve naquela paróquia.