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OPINIÃO – Perigos da migração rural

OPINIÃO – Perigos da migração rural

Cerca de 30 milhões de brasileiros ainda vivem e trabalham no meio rural. Entretanto, estudos feitos pelo Ministério das Minas e Energia estimam que o processo de urbanização dessa população só tende a aumentar, podendo chegar, em 2035, com as seguintes taxas de urbanização nas regiões brasileiras: Norte, com 78%; Nordeste, com 81%; Sudeste, com 96%; Sul, com 91%; e região Centro-Oeste, com 94%.

Caso esse cenário se concretize, diversas áreas sociais e econômicas serão fortemente impactadas, ressaltando-se a nossa segurança alimentar, com um possível descontrole de preços dos produtos da cesta básica que, por sua vez, também afeta o controle do processo inflacionário e, finalmente, a qualidade de vida de toda a população.

Esse fluxo migratório precisa ser contido. E para isso é fundamental que as populações que ainda resistem no meio rural, sobretudo os jovens, recebam políticas públicas e ações para sua inclusão econômica e social. Não basta mais focar apenas nos investimentos à produção agrícola para que o campo continue a cumprir seu inquestionável papel para o desenvolvimento do país.

É preciso que a população rural alcance os mesmos direitos já conquistados pela população urbana e, assim, tenha a opção de viver e trabalhar em suas comunidades. Moradia, saneamento básico, telefonia, internet, estradas, e principalmente, serviços de qualidade na saúde e educação precisam chegar ao meio rural para que deixe de ser um ambiente apenas econômico, mas também um espaço de convivência e qualidade de vida.

Vivemos o desafio de uma crescente demanda por alimentos. Dados da ONU/FAO apontam que, diante da projeção de uma população mundial de 9,3 bilhões de pessoas em 2050, a produção de alimentos precisa de um crescimento de 70%. Em 1950, a população mundial era de 2,5 bilhões de habitantes; em 2011, já era de 7 bilhões.

Desafios da humanidade

Trata-se de um desafio produzir alimentos na quantidade dessa demanda, mas é também uma janela de grandes oportunidades. Para aproveitá-la, é imperativo que a valorização das populações rurais seja real e efetiva, a começar pelo atendimento de seus direitos de cidadania.

Segundo dados do professor Alan MacDiarmid, Prêmio Nobel de Química, apresentados na 3ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada em Brasília em 2005, no enfrentamento para a superação dos 10 maiores desafios para a humanidade até o ano de 2050 (energia, água, alimentos, meio ambiente, pobreza, educação, democracia, população, doenças, terrorismo/guerras), os cinco primeiros passam diretamente pelas ações e interações que se estabeleçam no meio rural.

Portanto, o papel desempenhado pelas populações rurais não se restringe à produção de alimentos. Passa também por outras questões fundamentais, como garantia de energias renováveis, disponibilidade de água, equilíbrio ambiental e redução da pobreza. Os governos, e até mesmo as populações urbanas, precisam conhecer melhor esse papel estratégico e fundamental da população do campo.

E é nesse contexto que sobressai a urgência de atendimento das demandas históricas dessa população, para que tenha oportunidades de melhores condições de vida e trabalho. E que são, em essência, direitos de cidadania.

Zé Silva é agrônomo, extensionista rural, deputado federal
Zé Silva

 

(*) Zé Silva é agrônomo, extensionista rural, deputado federal pelo Solidariedade/MG

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