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Coluna do Edson Andrade – O SUS que todo mundo usa e critica

Coluna do Edson Andrade – O SUS que todo mundo usa e critica

 Em nível de Brasil poucos conhecem a verdadeira origem do SUS. Aos melhor esclarecidos, acredita-se que o Sistema originou-se da Carta Constitucional de 1988, ainda em vigor, mas, com o perdão do arroubo ufanístico, eis esclarecer: a origem do Sistema Único de Saúde se deu a partir do longínquo ano de 1974, por decisão e engenhosidade de técnicos, enfermeiros e médicos lotados no Centro Regional de Saúde de Montes Claros. À época, foi criado o Projeto de Saúde do Norte de Minas – o Projeto Montes Claros – com o objetivo de criar uma rede de atenção primária em dezenas de municípios da sofrida região, denominadas Unidade de Saúde (com a presença de pessoal auxiliar e um médico) e Unidade Auxiliar de Saúde, que recebia as visitas de médicos periodicamente, mas mantinha pessoal auxiliar permanentemente. Nascia ali, portanto – desdobrando-se com a criação do Projeto Integração Saúde/Educação – a origem primordial do Projeto de Saúde, cujo pessoal era treinado na cidade de Porteirinha.

Para melhor organização geográfica, as dezenas de municípios foram setorizadas em Áreas Programáticas (APs) e distribuído o pessoal técnico para atendimento específico naquelas regiões. Como exemplos, os municípios adstritos a Bocaiúva formavam a AP02; Grão Mogol, AP03, Januária, AP06, total de dez. Muitas foram lutas e dificuldades – este escritor defrontou-se com uma onça negra em uma de suas viagens, em pleno período chuvoso – e os veículos utilizados eram, geralmente, Rurais Willys ou Ford, com tração nas quatro rodas, o que não impedia que, não raro, ficassem atolados nas estradas ermas de terra e muitos buracos.

A regulamentação do SUS, após a implantação exitosa do Projeto Montes Claros – que serviu de modelo para o Ceará e dezenas de países – se deu com as Leis Federais 8080/90 e 8142/90 e foram precursoras da Municipalização da Saúde, modelo sustentado até esta data, com o prejuízo flagrante das más gestões e, consequentemente, responsáveis pelas críticas severas ao Sistema, que nós, partícipes da criação do Projeto Montes Claros consideramos, não raro, injustas.

A Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros dedica-se ao acompanhamento técnico e de suporte do SUS em vasta região. Nossos técnicos são profissionais bem formados, muitos dos quais já ostentando títulos de Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado, o que qualifica o importante trabalho ali exercido sobretudo no que concerne ao treinamento de médicos, enfermeiros e pessoal de apoio dos municípios de sua área de jurisdição. É gratificante, aos 44 anos de serviços prestados ao Grande Sistema Único de Saúde acompanhar, apoiar e participar dos eventos de treinamentos de pessoal de toda a região que abrange o norte de Minas. Mas, no mesmo diapasão, é triste observar como a população desconhece o trabalho executado por essa estrutura, ainda que, tempos de vacas magras, salários e condições materiais estejam longe da realidade e do merecimento dos seus brilhantes técnicos e pessoal de apoio.

Todos os discursos, especialmente em épocas de campanhas políticas, apontam para a não validação do SUS no Brasil. E não são raras as tentativas de privatização do imprescindível Sistema, em cujas tratativas despontam promessas miraculosas de perfeição, sem considerar-se a perda de qualidade e universalidade.

À guisa de homenagem póstuma, gostaríamos de recordar o livro “O Projeto Montes Claros”, do inesquecível técnico, entusiasta e um dos seus fundadores, José Alves de Almeida, em cujas páginas buscou documentar as fases do Projeto e as fontes de financiamento tais como USAID e Banco Mundial.

Gostaríamos também de homenagear alguns importantes personagens dessa heroica construção: Pedro Alberto Ribeiro Novais (aposentado), João Osmar Costa Miranda, já falecido (Rural 0E 4163), Domingos Mendes Barbosa, já falecido (Rural OF 2730), Loidimar Gomes Sobrinho, aposentado (Caminhão 608-D, placa OE 2804), Adivar Soares do Carmo, aposentado (Rural OE 2582), Josefino Rodrigues Rosa, aposentado (Rural OE 2583), Pio Soares Mota, mecânico, já falecido, Francisco de Assis Machado, Diretor, aposentado, José Saraiva Felipe, Diretor, Secretário Municipal, Estadual de Saúde e Ministro da Saúde, José Agenor Álvares da Silva, Ministro da Saúde, Olívia Gomes de Queiroz, administradora e aposentada, Abigail Lima do Rosário, contadora, aposentada, Dealtagnan Azevedo Coelho, técnico, já falecido, João Batista Silvério, médico e professor, Sérgio Arouca, glorioso sanitarista. E este escriba, orgulhoso de nossa gloriosa História, além de dezenas de outros construtores do SUS no Brasil, a partir do PROJETO MONTES CLAROS, já aposentados ou falecidos. E não poderíamos esquecer da equipe técnica que mantém, com muita qualidade, o funcionamento do SUS em nossa região, além da recém-chegada superintendente Dhyeime Tauanne Marques.

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

Edson Andrade
Edson Andrade

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