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Coluna do Edson Andrade – Não mais que de repente

Coluna do Edson Andrade – Não mais que de repente

O romantismo habita em todos nós. Quando negado, somos traídos pela lágrima furtiva ou pelo gesto improvável.  Quem, dentre nós, já não cantarolou sonetos derramados e musicados do poeta Vinícius de Moraes, quando, em versos, sentenciava: “E que seja eterno enquanto dure”?

Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913, e nos deixou – mar silente, céu plúmbeo de uma tristeza sem tradução, notas do indefectível violão suspensas no ar – vozes de seus intérpretes nunca roucas como dantes – no fatídico, trágico dia 9 de julho de 1980. Poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, compositor e cantor de suas canções, ele, como ninguém na Poesia mundial traduziu o amor, a tristeza e a dor com tamanha proximidade da perfeição.

Um homem de seus tantos amores, Vinícius nos legou pérolas e romantizou a vida em sonetos memoráveis. Hoje, embalado pelo lirismo em dia estival de sóis profundos e profusos, rememoro os lábios doces com gosto de coco e os olhares perdidos na inconsciência do amor juvenil para resgatar uma saudade, “de repente, não mais que de repente”:

Soneto de Separação

 De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 De repente da calma fez-se o vento

 Que dos olhos desfez a última chama

 E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

Em nossa imperfeição cronológica somos o equívoco ambulante e personificado. Erramos nas escolhas, nos gestos, na ambição da posse e nas grosserias de nossa proverbial incivilidade.  Em consequência, segue nossa vida errante no destempero do tempo. Não raramente choramos as saudades de um pretérito inelutável e sentindo a coisas mal terminadas, olfato de adeus nos perfumes mortos das flores que o passado deixou perdidas no interior de um caderno qualquer. O que perdemos nos augúrios aziagos e nas buscas de amores vários, polissêmicos, doidivanas e, contudo, promissores, nós nos iludimos, mas os resgatamos na saudade: “ De repente, não mais que de repente.”

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

Edson Andrade
Edson Andrade

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