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Coluna do Edson Andrade – A chuva no banco dos réus

Coluna do Edson Andrade – A chuva no banco dos réus

O meritíssimo juiz proclama o início da audiência e o órgão acusador já está a postos. “Senhoras e senhores, membros do egrégio corpo de jurados, excelentíssimo juiz desta causa, o Ministério Público apresenta provas irrefutáveis de que as chuvas que caem em nossa cidade são as verdadeiras culpadas das tragédias humanas dos últimos e cinéreos dias. E pede, concedidas todas as vênias, sua condenação em caráter irrevogável e irrecursável.” Ao que a defesa posta-se perante os jurados, e perora: Protesto!

Geografia em que as chuvas mais se assemelham aos políticos com seus surgimentos sazonais, o norte de Minas recebe, nos últimos dias do mês de janeiro, uma precipitação pluviométrica mal distribuída e preocupante: as estruturas viárias, de escoamento hídrico e as construções habitacionais em áreas de risco condenam nossas vidas ao caos e às perdas de bens materiais e seres humanos. Mas o poder público leva a julgamento as águas que tombam dos céus, como rés indefensáveis, acusadas de todos os crimes aqui não detalhados.

“Protesto, Excelência! As chuvas não são responsáveis pelos desvios, em bueiros entupidos pela ação humana, de recursos públicos mal geridos e surrupiados em desfavor das comunidades, legal ou ilegalmente, instaladas nos meios urbanos das cidades.”

O senso comum determina, peremptoriamente: “As chuvas destruíram ruas, estradas e habitações, deixando as populações entregues ao sofrimento!” A mídia, não raro despreparada, faz coro com a exaltação compreensível das comunidades e aponta seu dedo maculado para o réu que ora se busca condenar.

Onde o dinheiro que deveria servir à res pública? Onde o planejamento em que a prevenção fosse protagonista? Onde os agentes públicos eleitos que, também sazonalmente, ocupam gabinetes e não resolvem os pontos de alagamentos nas cidades?

Dizem os ingênuos que o “mundo acabou em água”. Faltar-nos-á um Noé, com sua indefectível arca? Ou ser-nos-ia mais útil defenestrar, por definitivo, a incompetência da gestão pública? Ao longo das últimas décadas, o que se fez para prevenir intempéries e tragédias? Onde a culpa da chuva ré, useira e vezeira em molhar nossa esperança?

O veredito final é apresentado e o meritíssimo juiz lê a sentença:

“Apresentadas as provas e presente o respeito ao devido processo legal, o corpo de jurados decide que AS CHUVAS SÃO CULPADAS! Passo à leitura da sentença e da dosimetria da pena: Seis meses sem chover e mais trinta períodos eleitorais para a solução paliativa dos problemas verificados. E que a sociedade pague por todas as despesas, salários dos políticos, mordomias, taxas, impostos e contribuições de melhorias, auxílio residência e pensão vitalícia. Cumpra-se!”

Precisamos das chuvas. Muito. Não somente para lavar os campos, fazer rebrotar os alimentos e a vida. Precisamos das chuvas para lavar as consciências dos eleitores nacionais, lavar a falta de vergonha que enlameia o país; lavar e descobrir em nós um mínimo de sensibilidade e inteligência; revelar em nós o altruísmo e a HONESTA destinação dos recursos arrecadados, sempre visando às necessárias obras e serviços pelo bem público.  

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

Edson Andrade
Edson Andrade

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