Casa das Apostas Online Betway

Últimas Notícias

SAIBA MAIS AQUI - FAÇA CLICK

Inicio » Colunistas » Edson Andrade » Coluna do Edson Andrade – Perdas no tempo Algoz

Coluna do Edson Andrade – Perdas no tempo Algoz

Coluna do Edson Andrade – Perdas no tempo Algoz

A corrida célere do tempo, em bólido de circuito oval – percurso de nascer e chegar à linha terminal – impele incautos humanos ao fim. Todos o somos na medida em que, onírica existência, realizamos as fases de uma passagem inexorável. E não existe perquirição de profundidade científica que nos absolva do processo de negação, em cujas fases nos aprofundamos em dor.

                                    Por inelutável, o fim humano nos apequena. Máxime na inumação indigna em solo crespo, improdutivo, vermelho e soçobrando a “ph” de mísero campo. E há os que, não raros, do alto da ingênua fé, busquem a sublimação do composto psicossomático como a justificar terrena sorte, vilipendiando a grotesca campa e exaltando suposta ascensão aos céus de improvável glória.

                                    Perdemos, recentemente, Ildeu Braúna, um poeta sonhador em poesia e notas de violão. Assim como vimos evolar Reginauro Silva, prenhe de todas as tipografias de jornal. Foi-se, qual pássaro desasado, altivo e sorridente para éter em simulacro de paraíso, o nosso Luiz Carlos Peré. E vimos Artur Leite desmembrar-se de seu amor ao descompassar-se com a higidez organicamente humana. Foi-se Elias Siuf, mestre da radiofonia e nos desapartamos do médico Geraldo Mota, exemplo perfeito de homem, profissional e ser humano. Divorciamo-nos do nosso Padre Henrique, símbolo da caridade objetiva e não meramente contemplativa, batina surrada pelas lutas tantas em nome do amor.

                                    Após completar um centenário de vida exemplar, digna, profícua e nobre, nossa poetisa e mestra maior Yvonne Silveira ascendeu ao universo de sua melhor poesia e ganhou uma borboleta mecânica e nobremente simbólica. Mas não perdeu sua imortalidade na Academia Montes-clarense de letras, sua casa e uma de suas grandes obras. Dizem que ela foi ao encontro de Olintho Silveira, poeta inspirado em amor à cultura e à vida.

                                    É hora de nos despedirmos de Zezé Colares do inimitável Grupo Banzé, e ícone celebrado do Conservatório Lorenzo Fernandez. Também homenageada em asas translúcidas, embora mecânicas, nossa inspiração cultural aportou nesta cidade dos Montes Claros no longínquo ano de 1931, 24 de março. Hoje, quase a completar 89 anos de idade dedicados à melhor cultura brasileira, Dona Zezé ganhou asas para a necessária imortalidade. Que os corações gratificados a tenham. Que os vórtices imortais de nossa cultura, em novidades nem sempre exemplares, conservem seu vulto e sua importância na seara do eterno, do nobre, do digno e do exemplar. Porque, carentes profundíssimos de Yvonne Silveira e Zezé Colares, somos órfãos nessa laia de humanos introspectivos em nossa questionável importância. Mas que ganhemos outros exemplos de luz, sabedoria, altruísmo e amor à nossa terra. 

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

Edson Andrade
Edson Andrade

                            

Aviso

  • • Nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto e esperamos que as conversas nos comentários de artigos do JORNAL MONTES CLAROS sejam respeitosas e construtivas.
  • • Os espaços de comentários em nossos artigos são destinados a discussões, debates sobre o tema e críticas de ideias, não as pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão tolerados de maneira nenhuma e nos damos ao direito de ocultar/excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, preconceituoso, calunioso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem nome completo e/ou e-mail válido)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *