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Coluna do Edson Andrade – A travessia do mar sem ondas

Coluna do Edson Andrade – A travessia do mar sem ondas

Enquanto Caronte, o barqueiro de Hades carrega as almas dos 1.223 recém-mortos sobre as águas do Rio Estige e Aqueronte, divisores do planeta dos vivos e do mundo dos mortos, o Mau Vaqueiro, faixa verde transversal, toca seu gado em direção ao vírus letal e impiedoso. E a nação, embasbacada e empobrecida do líder e da economia sobrevive à custa de sustos, medos e pavores e fake news.

Vive o mundo em pandemia, mas os poetas resistem com seus teclados e canetas em riste. Mais forte do que o monstro invisível sobreleva-se a verve literária para fazer nascer fundamental antologia sob o signo de uma Glória.                          Somos o que fomos sob Miguel de Cervantes, Quixotes de La Mancha em busca de nossa inspiração à feição de uma Dulcinéia Del Toboso e estimulados pelo tropel imaginário de um Rocinante. Haja moinhos de vento! Mas, onde nossos fiéis escudeiros?

                                                              Sobrevivemos, em tempos hodiernos, a golpes de solidão. Todavia, nos comprazemos com o retardamento da foice inelutável para jogarmos (todos!) o que “Seu Rei Mandou Dizer”. E nos fiamos no artigo constitucional de número cinco, inciso décimo-quinto para sonhar com uma liberdade de ir e vir meramente insculpida em folha de papel sem qualquer valor para momentos tão sombrios. Nesse ínterim, muitos dos nossos já fazem a travessia, sob forte oposição dos que ficam, em lágrimas, afastados da desumana inumação, posto que o monstro invadiu mãos, faces, pulmões, lares, ares e urnas funerárias.

                                                  O exício de muitos deveria servir às consciências dos que permanecem em toca, almas e ânimos em desarvorada e permanente epidemia. Somos, nesse tempo de incertezas e dores, o que melhor há em nós: um misto de rebeldia acovardada face ao inimigo invisível. Alguns dos muitos acreditam em orações e na intercessão de um Deus cuja imunidade absoluta nos possa resgatar, ao largo da ciência. E nada mais existe além dessa crença no heroísmo dos cientistas, médicos e enfermeiros, mas todos eles, em seu conjunto absoluto, submetidos à vontade de um ser, supremo por excelência e cultura.

                                                              Não há deserção. Estamos aqui, escritores encimando cavalos belos e velozes e, finalmente, coadjuvados por nossos neurônios, fiéis escudeiros que nos aliviam, em poesia e prosa, esta dor e esta pungente solidão.

Edson Andrade
Edson Andrade

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