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Pacientes devem se atentar a riscos das interações medicamentosas

Pacientes devem se atentar a riscos das interações medicamentosas

Em alguns casos, o uso de dois medicamentos pode causar problemas à saúde como insuficiência renal, convulsões e alteração cardíaca.

“Faz uso de algum medicamento?” Esta é, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma das perguntas mais comuns em uma consulta médica. Nesse momento, de acordo com a instituição, é importante que o paciente informe sobre remédios, pomadas e, até mesmo, chás consumidos com frequência.

A resposta ao questionamento é capaz de evitar complicações na saúde por meio da interação medicamentosa. Por exemplo, pessoas que usam anticoagulantes, como o Xarelto, apresentam restrições para uso de outros medicamentos, pois podem ter reações adversas que, em alguns casos, podem desencadear problemas mais sérios.

Só em 2020, mais de 1,7 milhão de pessoas procuraram atendimento ambulatorial no Brasil com algum problema de saúde por conta da interação medicamentosa ou pelo uso incorreto de remédios, conforme informações do Ministério da Saúde.

Mesmo diante da relevância do assunto, nem todas as pessoas sabem o que é interação medicamentosa e quais representam mais riscos. A informação correta pode ser determinante para evitar problemas de saúde.

Entenda o que é uma interação medicamentosa

Segundo informações da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a interação medicamentosa é um evento clínico que pode acontecer ao usar dois medicamentos ao mesmo tempo. O termo também pode ser utilizado para designar os efeitos adversos ocasionados após a combinação entre medicamento e alimentação ou medicamento e drogas.

Por esse motivo, muitos médicos perguntam sobre medicamentos, drogas e estilo de vida aos pacientes. Em entrevista à imprensa, a coordenadora de farmácia do Hospital Regional de Cotia, em São Paulo, Roberta de Carvalho, explicou que a substância presente em um fármaco ou produto pode interferir na ação do outro, aumentando ou diminuindo o seu efeito.

Como consequência, o paciente pode perceber a potencialização ou a redução dos efeitos do medicamento, o aparecimento de reações adversas com diferentes graus de gravidade e, em alguns casos, nenhuma alteração clínica.

Os riscos da interação podem ser classificados como leves, moderados, graves ou contraindicados. Nos episódios dois últimos, a profissional afirma que pode ocorrer insuficiência renal, hepática, convulsões, alterações cardíacas ou agravamento do quadro clínico do paciente. Há situações em que a interação pode ser tão negativa a ponto de levá-lo a óbito.

Exemplos de interações medicamentosas

Estar atento às interações medicamentosas ajuda a evitar prejuízos para o tratamento de doenças e o desenvolvimento de problemas de saúde. O uso simultâneo de canabidiol e antibióticos, por exemplo, pode inibir ou potencializar os resultados, afetando o tratamento do paciente.

Segundo a médica especializada em medicina integrativa, Paula Reichert, em entrevista à imprensa, há antibióticos que aumentam os efeitos do canabidiol. Como resultado, há a inibição de enzimas do citocromo P450, o que faz com que o metabolismo do paciente fique mais lento e o medicamento fique por mais tempo no corpo.

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) alerta para a interação entre antiácidos, capaz de alterar as taxas de dissolução e absorção de medicamentos como os hormônios tireoidianos, antifúngicos e alguns anti-inflamatórios. Outro exemplo dado pela instituição são os anticoagulantes, que podem oferecer risco de hemorragia, quando utilizados em conjunto com alguns anti-inflamatórios.

Formas de evitar a interação medicamentosa

O conhecimento sobre as interações medicamentosas é fundamental para evitar problemas mais sérios à saúde. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde destacam a importância de evitar a automedicação, mesmo tendo a indicação de amigos ou familiares. O uso de remédios só deve ser feito com orientação médica especializada.

Além disso, durante as consultas, é importante informar todos os medicamentos utilizados com frequência, assim como drogas, chás e pomadas, conforme ressalta a Fiocruz.

Outra medida importante para frear os episódios de interação medicamentosa é ler a bula antes de consumir qualquer fármaco. Assim, a pessoa pode encontrar todas as informações sobre aquele produto, incluindo as reações adversas e as contraindicações.