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Adilson Cardoso

Coluna do Adilson Cardoso

Coluna do Adilson Cardoso – As varias versões de um crime

Adilson Cardoso

Coluna do Adilson Cardoso – As varias versões de um crime As pancadas eram intermitentes, mas incomodava, Graça marcou o ultimo livro da estante, abriu a portinhola do balcão e andou resmungando. No imenso espaço de pesquisas, as mesas estavam todas ocupadas, na primeira um rapaz de cabelos altos e despenteados, mordia o fundo da caneta, absorto em um grosso …

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Coluna do Adilson Cardoso – Um Puteiro Chamado Paraíso

Adilson Cardoso

Coluna do Adilson Cardoso – Um Puteiro Chamado Paraíso Minha Vó morreu atropelada, ela estava bêbada e tinha oitenta e dois anos. Meu pai não falava com ela, tampouco outros dois tios que trabalhavam de terno e gravata, atendendo como Advogados. Eles nunca conseguiram assimilar como a mãe resolvera ser prostituta aos sessenta e cinco anos. “Foda-se o cú é …

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Coluna do Adilson Cardoso – Bolinhas de gude cintilam no céu ( A Julio Galinheiro)

Adilson Cardoso

Coluna do Adilson Cardoso – Bolinhas de gude cintilam no céu ( A Julio Galinheiro) Galinheiro  um homem Para alguns  um doido Para outros,  Julio Ele pouco se lixava, Julio, homem, doido, se foda!  Menos Galinheiro Queria contar suas estórias para ele mesmo Falar sozinho interagindo com as suas  Quimeras Ordenava que  a caneca não tilintasse Que as garrafas soltas não se tocassem,  Que  buzinas dos  carros  se …

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Coluna do Adilson Cardoso – O menino e o sonho

Adilson Cardoso

Coluna do Adilson Cardoso – O menino e o sonho Magricela, olhar  apático e pele escura, pés descalços e  ingenuidade de criança. A idade ninguém sabia, talvez nem  tinha escrito  em  papel, muitos desses perambulam sem  registros. Entrou  na Padaria requintada de clientes nobres. —  Moça, me dá um sonho? A atendente ignorou,  mudando a direção do olhar. — Moça a senhora   pode me  dar  um sonho? Incomodada se aproximou  furiosa. — Pague no …

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Coluna do Adilson Cardoso – Coisas banais

Adilson Cardoso

Coluna do Adilson Cardoso – Coisas banais Charlene pisava forte na escada, bufava, demonstrando  cansaço, era o ultimo degrau para o terceiro andar. Colocou a mão no peito e olhou para baixo, as  sacolas plásticas dependuradas nas mãos pareciam  ter dobrado de  peso. — Ladrão miserável! A gente paga tanto pra ter que ficar subindo a pé! Ô inferno! Coloque um elevador nessa droga! …

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Coluna do Adilson Cardoso – O conto seguinte

Adilson Cardoso

Coluna do Adilson Cardoso – O conto seguinte Gemidos ecoavam das fendas que se  abriram  no chão da cozinha.  Pelas rachaduras do teto  era possível ver a  lua cheia se apagando no céu. Pessoas já falecidas faziam o jogo dos copos, chamavam  espíritos na mesa do café. Guido seu  amigo assassinado há poucos dias,  tinha um buraco na cabeça  onde se expunham  miiases, ele batia palmas com uma mão sem …

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