Últimas Notícias

Norte de Minas – Energia solar gera divisas e novas oportunidades no Norte de Minas

Norte de Minas – Energia solar gera divisas e novas oportunidades no Norte de Minas

Norte de Minas – Com alto índice de radiação solar, baixo custo fundiário, topografia favorável, mão de obra qualificada e uma política de incentivo fiscal, o Norte de Minas Gerais se tornou uma referência nacional na produção de energia solar fotovoltaica. Entre 2019 e 2020, investidores formalizaram o aporte de 28 bilhões de reais na região neste segmento. Em Jaíba, uma nova usina terá capacidade instalada de 1.357 megawatts. Esse é o valor recorde de geração instantânea desse tipo de energia no Nordeste em fevereiro, registrado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Norte de Minas - Energia solar gera divisas e novas oportunidades no Norte de Minas
Norte de Minas – Energia solar gera divisas e novas oportunidades no Norte de Minas Foto:FreePic

 

As obras começam neste semestre, com aporte de R$ 6 bilhões. Essa injeção, de luz e recursos, traz efeitos importantes. O diretor de negócios da Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais (INDI), Ronaldo Alexandre Barquette, lembra que investimentos em fontes de energia limpa estimulam a matriz renovável, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa, além de contribuírem também à criação de emprego e renda para as famílias. “Se juntar todos esses pacotes de vantagens, você consegue mostrar para os investidores que o Norte do estado é uma região muito propícia para esse tipo de projeto. Em função disso, nós conseguimos atrair esse valor muito importante nesse setor de energia. Mesmo com a pandemia, estamos falando de um valor superior a R$ 28 bilhões, anunciados. São 10 projetos. A expectativa de geração de emprego com esses aportes é de mais de 3.600 empregos diretos na região”, explicou Ronaldo.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Minas Gerais é o quarto maior gerador do país, atrás apenas de Piauí, Ceará e Bahia, com potência de 755 megawatts instalados e em construção. Na geração distribuída, instalada em residências, condomínios, indústrias, comércio, propriedades rurais e prédios públicos, o estado já é líder, com potência de 512 megawatts. Isso corresponde a 19% de toda a energia desse tipo em todo o país. O desempenho também tem a força dos pequenos empreendedores.

A diversificação da matriz econômica conta com a experiência de profissionais do Sistema Confea/Crea, que investem em soluções técnicas à cadeia produtiva, com o engajamento dos moradores do Norte. Foi o que ocorreu com a empresa do engenheiro eletricista Gilmar Narciso, Diretor de Recursos Humanos do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG). Com parceiros, ele implementou a primeira usina fotovoltaica no solo, em 2017, no município de Capitão Enéas, próximo a Montes Claros. O empreendimento, de 2 megawatts, atraiu a atenção de investidores do Brasil e do exterior, como chineses e portugueses. Vieram outras e com elas a capacitação de moradores locais.

Para Gilmar, é importante mostrar ao mundo que, mesmo na região semiárida, pode-se ter um trabalho também social, criando uma mão de obra especializada com moradores. “São mais de mil profissionais qualificados. Nós ensinamos como trabalhar com a instalação de placas, estruturas. Assim, os inserimos no mercado de trabalho. As pessoas que saíam do Norte de Minas e iam para outros locais, estão retornando”, contou.

Além da capacitação de mão de obra local, usinas empoderam os produtores individuais de energia, dando às famílias uma nova fonte de renda. No Norte de Minas, pequenas propriedades se transformaram em empreendimentos consorciados, unindo criação animal com produção de energia fotovoltaica. O modelo tem o apoio técnico da Emater, empresa de extensão rural do governo de Minas. “Você faz uma locação de 25 anos com aquele ribeirinho, de mil metros quadrados, no valor de 600 reais por mês. Faz um cercamento com tela rígida e postes de concreto, monta a usina numa área de 400/500 metros quadrados, gerando 92 quilowatts pico/hora. Você oferece aquela área para o dono da propriedade pra ele criar galinha. Chamamos a Emater e ela tem feito a certificação dessa galinha como caipira. Ele vai pegar aquela galinha, depois de seis meses, vai abater e oferecer ao mercado. Então nós estamos gerando outra forma de renda”, explicou Gilmar.

De acordo com estudos da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), a energia solar é a fonte renovável que mais gera empregos no planeta. A cada novo megawatt instalado, são criados entre 25 e 30 novos postos. Com isso, o setor tem a capacidade de impulsionar uma nova cadeia de produtos e serviços, gerando milhares de oportunidades de trabalho, desenvolvimento tecnológico de ponta, além de proporcionar o desenvolvimento sustentável de inúmeras comunidades no Norte de Minas.

Região Norte Crea-MG 

O Crea-MG dividiu o estado em sete regiões para otimizar suas ações, principalmente as de fiscalização. Cada uma das regiões conta com um supervisor que apoia as inspetorias e coordena o planejamento de blitze e outras ações de fiscalização. Com essa descentralização, as atividades ganharam agilidade.

A Região Norte possui uma área de 199.283,05 km² com 124 municípios. As unidades de atendimento que compõem a Norte são Capelinha, Diamantina, Janaúba, Januária, João Pinheiro, Montes Claros, Paracatu, Pirapora, Salinas e Unaí.  Nesta região, há mais de 2 mil empresas e atuam mais de 5.700 profissionais registrados no Crea-MG. Do total de profissionais registrados no Conselho, 6% estão na Norte e 1 em cada 4 desses profissionais são da modalidade agronomia.