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HISTÓRIA DE RONALDO FENÔMENO

Valqueire Tênis Clube, isso lhe diz alguma coisa? E Social Ramos Clube? Imaginei que não, agora, São Cristóvão já sugere alguma coisa, não? Para quem disse que esta é a sequência de clubes defendidos por Ronaldo Luis Nazário de Lima, em sua infância e adolescência, acertou.

O carioca, Ronaldo Fenômeno – apelido criado pela imprensa italiana – nasceu em 18 de setembro de 1976, e depois do futsal e dos primeiros passos no gramado do São Cristóvão, a jovem estrela se  transfere para o Cruzeiro de Belo Horizonte, ainda aos dezessete anos, onde se profissionaliza e já no seguinte, 1994, faz parte da seleção tetracampeão mundial nos Estados Unidos.

Em um ano de Cruzeiro, Ronaldo disputou quarenta e seis jogos e marcou quarenta e quatro gols, uma impressionante média de 0,95% por jogo. Tal média, segundo analisavam os cronistas, era superior a média de Pelé, em seu primeiro ano como profissional. Nas rodas esportivas, o garoto passava a ser reverenciado.

Ele foi comparado a alguns clubes em portugal inicialmente, mas depois as coisas correram de forma diferente

Pouco antes da Copa dos Estados Unidos, Ronaldo se transfere para o PSV Eindhoven, clube pelo qual disputou cinquenta e sete jogos e marcou cinquenta e quatro gols, média acachapante de 0,94% por partida. Embora não tenha sido campeão na Holanda, foi artilheiro do campeonato com trinta gols.

Em 1995, com apenas dezenove anos, Ronaldo começa a apresentar os primeiros problemas nos joelhos. Em fevereiro de 1996, depois de constatadas inflamações em ambos os joelhos e calcificação no direito, foi submetido à primeira cirurgia. Em abril já estava de volta, mas no banco. Nesse ano, disputou os Jogos Olímpicos e, na volta, já era contratado do Barcelona.

A temporada 1996/1997 foi surpreendente em todos os sentidos. Aos vinte anos de idade, o Fenômeno se tornaria o mais jovem jogador a ser eleito o melhor do ano, seria o artilheiro da temporada com trinta e quatro gols em trinta e sete jogos, mais uma vez média extraordinária, 0,91%. Além disso, seria campeão da Copa do Rei e da Recopa Europeia, marcando o gol do título em cima do PSG. No final da temporada, a Internazionale de Milão, finalmente, teria Ronaldo.

Aos vinte e um anos, embora contrariado, por ele teria ficado no Barça, chega ao clube italiano com a missão de tirá-lo de uma fila de incômodos sete anos sem um título. Não decepcionou. Ao final de 1997, Ronaldo não seria campeão italiano, mas seria mais uma vez eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA, e também pela prestigiada publicação francesa, a France Football.

As temporadas seguintes pela Inter seriam, no mínimo, confusas. Ronaldo pouca atua pelo clube, se não está contundido, está com a seleção ou atendendo compromissos junto a patrocinadores. A Copa de 1998, a estranha convulsão na final perdida para a França, 3 x 0 e, no final de 1999, outra lesão no joelho. Volta em abril de 2000 e num jogo contra a Lazio, em sua primeira intervenção, ao tentar driblar um zagueiro na entrada da área, estoura o mesmo joelho. Uma imagem que todos nós temos na memória. Ronaldo já era Ill Fenomeno e daí a virar lenda não demoraria muito.

A recuperação foi lenta, quinze meses, e Ronaldo só retornaria na temporada 2001/02, sendo ocasionalmente utilizado pela Inter. Convocado para a Copa do Mundo, Ronaldo conheceria o significado da expressão “redenção”. Eleito o melhor jogador, autor dos dois gols na final contra a Alemanha, voltou a Milão ovacionado.

O comandante do penta, porém, começou a forçar sua saída da Inter. Discussões seguidas com o treinador Héctor Cúper, a quem acusava e escalá-lo sem condições físicas, e a insatisfação declarada com o salário inferior aos de Recoba e Vieri, o foram afastando da equipe e da torcida que o passou a chamar de Ill Fuggitivo.

Em 31 de agosto de 2002, pouco mais de um mês depois da conquista do penta, Ronaldo foi negociado com o Real Madrid por quarenta e cinco milhões de euros. No final deste ano, Ronaldo seria eleito, pela terceira vez, o melhor jogador do mundo. Com o português Figo e com o francês Zidane, além de outros craques como Roberto Carlos, Ronaldo se tornaria um dos galáticos madrilenhos. Os títulos, contudo, foram escassos. Pelo Real conquistaria o Espanhol na temporada 2002/03 e, até 2006/07, ano em que deixaria Madrid rumo a Milão, nada de títulos. Desta vez, quem receberia o craque seria o Milan.

A temporada 2007/2008 era promissora. Apesar de não ter muitas chances no Italiano, a equipe iniciara o torneio com oito pontos negativos, punida pela participação em esquema de manipulação de resultados no ano anterior, Ronaldo jogaria o campeonato ao lado dos brasileiros Kaká e Pato e vislumbrava grandes conquistas. No entanto, em 13 de fevereiro de 2008, jogando contra o Livorno, o Fenômeno, em sua primeira participação na partida, sofre outra grave contusão no joelho e vê seus sonhos naufragarem. Ronaldo deixa o Milan e vem tratar-se no Brasil, mais precisamente no Flamengo.

Meses em tratamento, mas sem perspectivas de jogar pelo clube da Gávea, em 9 de dezembro de 2008, aconteceria o que menos se esperava; Ronaldo é anunciado pelo presidente Andrés Sanches, como o novo contratado do Corinthians. Pelo clube paulistano, Ronaldo foi campeão paulista em 2009 e, no mesmo ano, conquistaria a Copa do Brasil. As temporadas seguintes não foram tão boas e, após a desclassificação, ainda na pré-Libertadores, para o desconhecido Tolima, o craque resolve aposentar-se.

O atual cartola, Ronaldo é presidente do Real Valladolid, da Espanha, teve uma carreira ao mesmo tempo brilhante e dolorosa. Deixou sua marca por onde passou, fosse a de craque muito acima da média, fosse a de atleta perseverante, fosse a de goleador. Em copas do mundo marcou quinze vezes, sendo o segundo o segundo maior artilheiro da competição.         Ao todo são sessenta e sete gols, o terceiro maior da história da canarinho. Um talento, um fenômeno que as contusões muito prejudicaram, um predestinado.