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Coluna de Leandro Heringer – Como (des)construir imagens

No dia 17 de dezembro, o ex-jogador Marcelinho Carioca foi sequestrado. Após sair de um show, o ex-atleta foi abordado por bandidos que o levaram para cativeiro. No dia seguinte, foi veiculado vídeo em que Marcelinho aparecia ao lado de uma mulher dizendo ter se relacionado com ela sem saber que era casada. Também vítima de sequestro, Thaís aparecia confirmando o depoimento do ídolo corintiano.

Horas depois, a polícia encontrou Marcelinho próximo ao cativeiro e prendeu suspeitos. A ação não se relacionava ao que havia sido dito em vídeo e divulgado nas plataformas digitais. Houve a construção de uma narrativa para disfarçar a ação e destruir a imagem dos sequestrados.

Essa história exemplifica como ações de construção e desconstrução de  imagem pode ser feita. Uma figura pública conhecida pelo talento esportivo e também por polêmicas fora de campo e uma servidora pública tiveram feridos um de seus principais bens: a imagem. 

A desconstrução da imagem de ambos constitui violência e causa danos que o próprio direito protege, danos morais. Uma atitude estratégica utilizada pelos sequestradores. Objetivos? Desqualificar as vítimas. Criminalizar o ex-marido como suposto mandante. Criar a dúvida do que realmente ocorreu.

Foi feita uma fraude informacional. Uma modalidade de fake news. Apresentar fatos falsos caracterizados como verdadeiros. Utilizar de preconceitos para tentar legitimar falas. Essas são algumas das estratégias para desvirtuar fatos e percepções.

Em discursos diversos, pode-se identificar a construção de narrativas sejam em fatos cotidianos sejam em ações políticas, partidárias ou ideológicas. A pressa por julgamentos e a necessidade criada por posicionamentos instantâneos pode potencializar a crença em narrativas. No caso de Marcelinho, a polícia esclareceu o crime e desmentiu a narrativa. Mas, e os danos? E a imagem?

Leandro Heringer