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Mentiras e verdades sobre câncer: a importância da informação

Saiba o que é fato e o que não procede sobre a doença.

Falar sobre câncer ainda é um tabu. A palavra pode causar medo e, por isso, muitas pessoas preferem ignorar o assunto. A atitude prejudica o conhecimento sobre a doença, que pode auxiliar no diagnóstico precoce, no aumento das chances de cura e na qualidade de vida durante o tratamento. Além disso, abre margem para a desinformação.

Por isso, as autoridades de saúde recomendam não só falar sobre o assunto, mas garantir a disseminação de informações corretas. A palavra câncer, evitada por muitas pessoas, tem origem latina e significa caranguejo. A patologia recebeu esse nome, pois as células doentes atacam o organismo como se fossem as garras do crustáceo.

Na definição do Ministério da Saúde, o câncer é um tumor maligno que causa o crescimento desordenado das células, que se agrupam e invadem tecidos e órgãos, comprometendo seu funcionamento. Os sintomas variam, de acordo com a região atingida.

Os dado do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) mostram que os tipos da doença mais comum no Brasil são o de pele não melanoma, que corresponde a 31,3% dos casos; o câncer de mama, com percentual de 10,5%; e o câncer de próstata, com 10,2%.

Inúmeras ações, como “Outubro Rosa” e “Novembro Azul”, buscam conscientizar a população e evidenciar os resultados de pesquisas científicas sobre a doença, mas ainda assim, há muita desinformação sobre a condição. É comum dúvidas sobre fatores de risco, diagnóstico, tratamento e quais quadros exigem marcar cirurgia.

A informação correta é considerada uma grande aliada. Conforme explica a OMS, muitas mortes poderiam ser evitadas com métodos de prevenção e o diagnóstico precoce. Por esse motivo, saber o que é verdade e o que é mentira é fundamental para manter-se bem informado e ajudar no combate ao câncer.

O câncer é hereditário

Mentira. Uma das teorias sobre o câncer é que a doença é passada de pai para filho. No entanto, conforme aponta o manual “O câncer e seus fatores de risco”, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Inca, não há uma obrigatoriedade nessa relação, por isso, a afirmação é incorreta.

Algumas características hereditárias podem fazer as pessoas serem mais sensíveis aos agentes provocadores da doença. O Inca estima que os casos de câncer associados aos fatores hereditários correspondem a cerca de 5% a 10% do total de diagnósticos.

É aconselhável informar ao médico sobre a existências de casos da doença na família para que ele possa avaliar a condição conforme as particularidades de cada paciente. Mas é importante saber que o câncer não é hereditário.

Todo tumor é câncer

Mentira. Ao descobrir a existência de um tumor é normal ficar preocupado, mas as autoridades de saúde reforçam que isso não significa a existência de um câncer.

Segundo o Centro de Combate ao Câncer, o termo tumor é usado para referir-se ao aumento do volume observado numa parte do corpo que, quando se dá pelo crescimento de células, pode ser neoplasia benigna ou maligna.

Os cânceres são tumores malignos que se desenvolvem rápido e descontroladamente. Os tumores benignos, por sua vez, crescem de forma organizada e lentamente, não invadindo tecidos e órgãos.

Álcool e tabaco podem ajudar a desenvolver câncer

Verdade. Em rótulos de cigarro e descrição de algumas bebidas alcoólicas, é comum perceber a presença de avisos sobre o consumo e o surgimento de câncer. A realidade é que esses produtos são fatores de risco para a doença.

Segundo a Universidade de São Paulo (USP), a combinação entre o álcool e o cigarro aumenta a chance de câncer em 20 vezes. Já a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aponta o tabagismo como o principal fator de risco para a condição, causando 22% das mortes pela doença.

Pessoas de pele escura não podem ter câncer de pele

Mentira. Existe um grande mito acerca do câncer de pele que é a ideia de que pessoas de pele escura não apresentam riscos de desenvolverem a doença.

No entanto, o Ministério da Saúde alerta que, apesar de apresentar maior concentração de melanina, a pele negra também pode ser acometida pela condição. Por esse motivo, a fotoproteção é indicada para todos os tipos de pele, sem exceção.

Homens também podem ter câncer de mama

Verdade. Mais comum em mulheres, o câncer de mama também pode atingir os homens. De acordo com o Inca, os casos são mais raros e representam 1% do total de diagnósticos, ou seja, a cada 100 casos da doença, 99 atingem o público feminino e apenas um, o masculino.

Ainda conforme o órgão, o câncer de próstata é o que mais atinge os homens no Brasil. Entre os tipos da doença comuns entre a população masculina estão o câncer de cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral.

Amamentar protege contra o câncer de mama

Verdade. Além de ser fundamental para a saúde e o desenvolvimento dos bebês, a amamentação é uma aliada contra o câncer de mama para as mães. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o risco de surgimento da doença é 22% menor para as mulheres que amamentam.

A proteção aumenta de acordo com o tempo de alactamento, chegando a 26% caso o período seja de, pelo menos, um ano. Do mesmo modo, mulheres que amamentam também têm menor risco de desenvolver câncer de endométrio e ovário.

O câncer pode ser prevenido

Verdade. A maioria dos cânceres pode ser prevenida com a adoção de hábitos saudáveis. Alimentação balanceada, uso de protetor solar, prática regular de atividades físicas e evitar o uso de tabaco e bebida alcoólica podem ajudar a prevenir a doença, conforme informações do Centro de Combate ao Câncer.

Além disso, exames específicos para detectar a condição também são recomendados. Os procedimentos ajudam a identificar o surgimento de tumores malignos e iniciar o tratamento ainda na fase inicial da doença.

Conforme aponta o Ministério da Saúde, a mortalidade pela doença pode ser reduzida se os casos forem detectados e tratados no início. Para isso, a OPA reforça a importância da conscientização e cuidados com a própria saúde, busca por avaliação clínica quando há suspeitas e disponibilidade para realizar os tratamentos indicados pela equipe médica.

O câncer tem cura

Verdade. A mortalidade por câncer pode ser reduzida com o diagnóstico precoce e o tratamento no estágio inicial da doença, o que também aumenta a qualidade de vida do paciente durante o processo de cura.

Segundo o manual elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Inca, mais da metade dos casos da doença são curáveis quando tratados logo no início.