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Coluna – Um Caso Esportivo

No bairro das Candeias o futebol movimentava as manhãs de domingo. O campinho de terra batida com alguns resquícios de grama insistentes pelas laterais ficava no centro da comunidade, sendo que mesmo aqueles que não tivessem a menor vontade de participar dos jogos ouviam os gritos das torcidas e os apitos do juiz. Naquele domingo em especial o representante do lugar chamado de Candeias Futebol Clube, marcara amistoso com o time do Jacaré equipe de muita rivalidade nas disputas dos campeonatos locais. Entre os dois times havia dois destaques, o volante Rubaldo pelo Candeias e o atacante Chibata pelo Jacaré, ótimos atletas que foram profissionais em outras épocas, hoje são inimigos e a causa da inimizade tem o nome de Julia bocão.

Aos treze anos de idade Rubaldo já tinha quase um metro e oitenta, cabeceava bolas como se fosse um chute, era atração nos jogos da várzea e não demorou ser levado para uma peneira e passado de primeira, Chibata era da mesma idade e da mesma altura, fazia tantos gols que a feira da casa era ele quem garantia aos domingos. No auge do sucesso, uma modelo conhecida pelos lábios carnudos e beleza de televisão, fora contratada para campanha publicitária, entre uma foto e outra o Presidente do clube comemorava com ela em um motel de luxo, após um escândalo provocado por fotografias de um paparazzi, o todo poderoso negou qualquer envolvimento com a moça, que se sentindo menosprezada iniciara um romance com o Diretor de futebol, mas o paparazzi voltou a incomodar e a exemplo do Presidente, o diretor também organizara coletiva com a imprensa para desmentir os boatos. A moça mais uma vez sentira a punhalada do menosprezo e para curar a outra dor, se aproximara do Técnico do time. Neste romance não usavam o mesmo motel, se encontravam em casas de amigos e algumas vezes nos Campos de treinamentos, mas o paparazzi descobriu o novo envolvimento da modelo dos lábios grossos e partira para novo ataque, desta vez tornara ainda mais publico e um jornal esportivo dera especial destaque. O treinador na mesma linha dos outros dirigentes convocara a imprensa e chorando pedira perdão a esposa, dizendo que a moça era aventureira. Julia sem estrutura para mais outro baque do menosprezo, não perdera tempo e lançara um olhar de serpente para o Auxiliar técnico, que ciente do que enfrentaria não quis saber de problema, disse não. Sem tempo a perder mandara um bilhete com sugestões libidinosas para o Diretor do Departamento Jurídico, que também não aceitara. Então enviara inúmeras mensagens de celular para o Goleiro e todos os outros atletas inclusive os reservas, “quem caísse na rede era peixe”. Mas os únicos que se interessaram foram os Candeienses, Rubaldo e Chibata. Que não sabiam da existência um do outro na cama da mulher, segunda, quarta e sexta para um e terça, quinta e domingo para o outro. Mas a moça também saia com o roupeiro e com o motorista do ônibus. A suruba foi se repetindo até o dia em que aquele paparazzi perseguidor publicara as fotos, desta vez foram tantas que montara um livro denominado “Julia Bocão e as Bolas dos Jogadores”. Com mais este escândalo, Julia decidira por assinar o divorcio que o marido tanto queria, por coincidência era o conhecido paparazzi Juanito Cabedal que a seguia por noites e dias, descobrindo e denunciando seus amantes.

No dia do jogo entre as Candeias e Jacaré, muitas faixas no alambrado saudavam os ex-craques, fogos explodiam no ar e um grupo de forrozeiros levantava poeira… Infelizmente para os torcedores nenhum dos dois pudera vir, alegando em cartas de justificativa que receberiam homenagens em outro evento.

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso


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