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Sob forte esquema de segurança, Papa Francisco recebe Erdogan

Sob forte esquema de segurança, Papa Francisco recebe Erdogan

Encontro entre os dois líderes durou cerca de 50 minutos

O papa Francisco recebeu nesta segunda-feira (5) o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, em cerimônia privada no Vaticano. O encontro, que durou cerca de 50 minutos, começou em um clima cordial, apesar do forte esquema de segurança organizado no local e de uma série de protestos em Roma.

Sob forte esquema de segurança, Papa Francisco recebe Erdogan
Sob forte esquema de segurança, Papa Francisco recebe Erdogan

 

Apesar da pauta do encontro não ter sido divulgada publicamente, estima-se que os dois líderes debateram as questões ligadas a Jerusalém, especialmente o agravamento da tensão local após o reconhecimento de Donald Trump à cidade como capital de Israel, além dos ataques do governo turco contra os curdos e a situação das minorias cristãos.

No primeiro tema, os dois líderes têm uma visão parecida, rejeitando a declaração dos EUA. No entanto, há divergências sobre as ações de Erdogan contra minorias étnicas e religiosas.

“Eu lhe agradeço por seu interesse em me receber”, disse Erdogan a Jorge Mario Bergoglio assim que chegou ao encontro.

Na tradicional troca de presentes entre os chefes de Estado, o Pontífice deu um medalhão com um anjo para o mandatário visitante. “Este é um anjo da paz que estrangula o demônio da guerra. É o símbolo de um mundo baseado na paz e na justiça”, explicou o líder católico ao entregar o presente.

Francisco ainda deu um desenho da Basílica de São Pedro, retratada em 1600, uma cópia da encíclica “Laudato sí”, que tem foco ambiental, e a Mensagem para o Dia da Paz de 2018.

Por sua vez, o líder de Ancara deu um grande quadro de cerâmica com o panorama de Istambul e uma coleção de livros do teólogo muçulmano Mevlana Rumi.

Na delegação turca que acompanhava Erdogan, havia cerca de 20 pessoas. No entanto, elas só entraram para a reunião após os dois líderes, e seus intérpretes, conversarem a portas fechadas.

Segundo fontes do governo turco, Erdogan ainda visitará a Basílica Vaticana com a esposa antes de voltar para Roma. Essa é a primeira vez que o turco visita a cidade-Estado, apesar de estar no poder desde 2014. Por sua vez, Bergoglio foi à Turquia em novembro de 2014.

– Protestos em Roma: A visita de Erdogan ao Vaticano e à Itália está sendo marcada por uma série de protestos desde este domingo (4). Entre as principais críticas ao governante, estão os ataques contra os curdos e a perseguição de rivais políticos por conta do fracassado golpe de Estado de julho de 2016.

Com cartazes com as palavras “assassino”, “Turquia estrada para terroristas” e outras críticas, a maior manifestação foi organizada pela Rede Curdistão na Itália. Junto a eles, outras entidades italianas também se uniram e protestaram contra a visita.

Para garantir a segurança da comitiva turca, até blindados foram usados na proteção ao local onde o presidente está hospedado, em Castel Sant’Angelo. Há também vigias em pontos estratégicos e um grande contingente de militares – além do bloqueio de ruas próximas ao local.

Além dos protestos em Roma, há também atos contra a visita de Estado em Veneza, que chamavam o presidente de terrorista.

Da Itália, Erdogan partiria para a América do Sul, em viagem que incluía Brasil, Uruguai e Venezuela. No entanto, o giro foi cancelado. Especula-se que os protestos da comunidade armênia uruguaia, até mesmo dentro do governo local, tenha feito o cancelamento.

O Império Otomano cometeu o “genocídio armênio” entre os anos de 1915 e 1917, em termo que é negado pelo governo Erdogan.

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