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Coluna – Reminiscências

Coluna – Reminiscências

“As pessoas sempre confundem os sentimentos de nostalgia e saudade, pensam que é a mesma coisa. Não é! Nostalgia dói mais que saudade, mais que bater com a porta nos dedos, mais que cólica de rim. Nostalgia é como o fim do dia: a única saída é se conformar, já foi”, ensina-nos Karina Perussi.

Qual o valor atribuído hoje a um “diploma” de datilografia? E as fichas de orelhão na carteira? Os discos de vinil? Quem, em dias de chuva, nunca saiu pelos cantos da rua, andando pela enxurrada? Quantas lembranças de um tempo que não volta mais. Que teima em caminhar a passos largos. Estamos perdendo a oportunidade de apreciar muitas coisas admiráveis. Será a idade?

É certo que tudo passa, com os ciclos da vida se renovando nas gerações futuras. Mas ao observarmos a saudosa época em que colocávamos o “diploma” de datilografia na parede, temos a sensação de um atavismo que nos remete a momentos simples, que muitas crianças e jovens de hoje não saberão jamais do que se trata.

Em um diálogo com os mais velhos, ao observarmos as expressões utilizadas, encontramos nos grupos escolares de outrora as escolas de hoje; vemos, ainda, a antiga radiola, o velho conga, o kixute, a xereta, a arara feita de talisca de bambu, os carrinhos de rolimã… Saudades de um tempo que passou como um raio! Se fosse descrever aqui todas as coisas que preencheram a infância de muitos de nós, não caberia neste pequeno texto tantas reminiscências. Simplesmente vivemos….

Mario Quintana ensina-nos que “o tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo…”. Aquele cheiro de terra molhada, o gosto do frango e da comida do fogão de lenha da casa da vovó nos traz uma gostosa nostalgia, um sentimento tão bom que, acredito eu, voltamos no tempo por alguns segundos, e é aí que percebemos o quão foi importante aquele momento simples da nossa existência.

E na porta de casa? Quem não se lembra do jogo de bola em que cada participante tinha que proteger sua lata de óleo? Ou o garrafão riscado no chão? O jogo de queimada? Andar de bicicleta sem rumo, começar no centro da cidade e se vê onde hoje é o shopping Montes Claros. Jogar futebol na rua descalço, brincar de porta-bandeiras e proteger sua equipe com uma garra pueril…

Brincadeiras que nos permitiam interagir com inúmeras pessoas. Era a criança da rua de cima, unida àquela da quadra de baixo. Ricas, pobres, pouco importava. Era tanto menino que dava para fazer até campeonato. Ninguém se preocupava com nada ali, quem era quem, onde morava, nada. Todo mundo estava ali apenas para brincar. Só isso. Nem mesmo os pais se preocupavam. Se alguém perguntasse onde estávamos, a resposta era direta: – Está na rua, brincando!

Tínhamos uma regra de respeito ao próximo muito clara. Ninguém desrespeitava o outro. Podia até ter uma briga por um lance, um drible, mas os amigos não paravam “para filmar”, como em tempos ditos modernos. Juntavam todos, separavam a briga e, com uma rapidez de moleque, colocava a bola de novo no jogo. Simples assim! A gente só queria brincar até os pais começarem a gritar para entrarmos para dentro de nossos lares.

Hoje, vejo os meus “amigos” de outrora, alguns bens sucedidos, outros fanfarrões desde moleque, homens feitos e moldados em um passado simples, em que podíamos interagir e viver verdadeiramente como crianças. Mas como se divertem os filhos daqueles meninos de outrora?

Será que os jogos on-line de hoje têm a mesma graça? Vejo os meninos sentados no sofá, mexendo em uma manete, imaginando ser um craque de futebol. Mas como? Sequer jogam! Só ficam lá no sofá, por horas, sem sair do lugar. Nunca perderam um tampão na cabeça do dedo… E as corridas? ficam horas escolhendo o carro que irão pilotar: ferrari, Audi, Lamburgini. Se soubessem como é perder um dente em um carrinho de rolimã, como é ficar o dia todo montando e martelando aquele pedaço de madeira com rodinhas… Como era gostoso!

Volto ao meu diploma de datilografia, antes item obrigatório para se conseguir um bom emprego. Hoje, as crianças já nascem digitando nos mais modernos tablets e ultrabooks, mas nunca vão saber a essência da simples posição das teclas que passamos inúmeras horas decorando. Eram folhas inteiras de asdfçlkj…

Para Einstein, “a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente”, e é por isso, que em dias de chuva, tão escassas, não deixo de lembrar do cheiro e da alegria que ela já me trouxe… E pensar o quanto ainda vou sonhar… Que Deus nos dê muito mais sonhos!

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

Dr. Marcelo Freitas
Dr. Marcelo Freitas

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