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Coluna – Dia das Mães verdadeiro

Coluna – Dia das Mães verdadeiro

BitacaAs gerações atuais e as que ainda virão precisam saber que o “Dia das Mães”, na sua origem, não tinha a menor cotação comercial. Tudo começou na Grécia antiga, e o registro seguinte vem da Inglaterra, data do início do século XVII. O quarto domingo da Quaresma era dedicado às mães das operárias. Nesse dia, as operárias tinham folga pra ficarem com as mães. Era o “Mothering Day”.

Em 1872, nos Estados Unidos, a escritora Júlia Ward Howe fez as primeiras sugestões para celebração do Dia das Mães. Mas foi outra norte-americana do Estado da Virgínia Ocidental quem iniciou uma campanha para instituir o Dia das Mães, em 1905.

Anna Jarvis era o nome dela. A primeira celebração aconteceu em 26 de abril de 1910. Logo outros estados aderiram. Em 1914, o presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson unificou a celebração em todos os estados, sempre no segundo domingo de maio.

Sabe-se que Anna ficou muito triste porque a popularidade do feriado fez com que a data se tornasse um dia lucrativo para os comerciantes, principalmente para os que vendiam cravos brancos, símbolo da maternidade. “Não criei o Dia das Mães para ter lucro”, disse ela. Anna nunca teve a experiência de ser mãe.

Nos nossos dias, a celebração faz parte da agenda comercial, ajuda a rodar a roda. Afinal, dia das mães é todo dia e não há, no meu entender, necessidade de se criar uma data pra gente poder venerar a própria mãe. Acho que mãe é mais importante do que pai. Não há aquela expressão de extrema obviedade? “Mãe é mãe, pô!”

A minha mãe morreu no “Dia das Mães”, em 1985. Naquele ano o “Dia das Mães” caiu em 12 de maio. Tanto tempo depois considero a data uma boa data pra mãe da gente morrer. Ideal se não morresse nunca, mas em se tendo a necessidade, “Dia das Mães” é um bom dia porque a gente lembra com mais intensidade dela.

Mas a minha intenção é tratar também aqui do meu pai, José Batista da Conceição. É que hoje, eu tive a grata satisfação de ver uma foto da loja do meu pai, foto datada de 1940, nove anos antes do meu nascimento. Era uma foto ilustrativa de um anúncio publicado no jornal Gazeta do Norte, nestes termos:

“A Bitaca de José Batista da Conceição – Grande sortimento de Fazendas, Ferragens, Armarinho, Chapéos de Sol e de Cabêça, Louças, Calçados, Artigos para presente, Perfumaria, Conservas, Malas, Generos do País etc. – Prédio próprio da A Bitaca – Rua Lafaiete – 687 – Montes Claros”.

Bitaca é nome antigo de pequeno estabelecimento comercial. O nome da loja gerou um apelido para o meu pai, que passou a ser chamado de “Zé Bitaca”. Ele não gostava do apelido. E como as pessoas sabiam disto, não o tratavam pelo apelido, diretamente. Mas me recordo de pessoas se referindo a mim, menino, como “filho de Zé Bitaca”. Muitas vezes passei pelas imediações do imóvel onde fora a loja e gostava de saber que meu pai fora comerciante.

Tenho pouca informação a respeito dele. Sei que ele nasceu em Brasília de Minas e que era “filho único”. A mãe dele, minha avó teria tido outros três filhos que não vingaram. Ela teria morrido logo e o meu pai teria sido criado pela madrinha. Ele era sobrevivente.

Quando meu pai morreu, eu tinha 12 anos. Lembro-me como se fosse hoje. Tinha acabado de chover. A terra ainda estava úmida e jogava bolinha de gude com um amigo na rua, quando a minha irmã, Lúcia, veio me chamar. Pude ver o meu pai dar os últimos suspiros. No momento em que ele partia pude ouvir o estalido de ossos e alguém, não me recordo quem, disse: “Isto foi o sinal da partida dele”.

O amigo Haroldo Lívio de Oliveira, escritor, historiador, cronista, era nascido em Brasília de Minas e conheceu o meu pai, seu conterrâneo. Minha intenção era encontrar com ele um dia para obter informações a respeito de pai, mas Haroldo faleceu antes de abordá-lo sobre o assunto.

E pra voltar a falar de mãe, ela morreu em Belo Horizonte. Fui eu quem trouxe o corpo dela pra Montes Claros. Veio num carro da funerária. Era o motorista, eu e ela atrás. De BH a Montes Claros nós três ouvíamos músicas clássicas e Canto Gregoriano. No velório e no enterro também.

Por Alberto Sena

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