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Coluna Marcelo Freitas – O racismo e suas terríveis consequências

A expressão “caucasiano” é uma palavra costumeiramente utilizada como um adjetivo que descreve pessoas de pele branca, especialmente as de origem europeia. O termo “raça caucasiana” foi criado pelo filósofo Christoph Meiners no século XVIII, mas só se popularizou no século XIX pelo cientista e naturalista alemão Johann Friedrich Blumenbach, que acreditava que o Cáucaso (região próxima ao mar Negro), era o berço da humanidade, e que dali provinham a inteligência e a beleza. O termo ainda continua sendo usado até os dias de hoje.

Blumenbach definiu esta “classificação racial” a partir da análise de 245 crânios que fundamentariam o direito dos europeus de humilhar os demais povos do globo terrestre, dada a sua suposta superioridade em relação aos nativos australianos, índios americanos, asiáticos amarelos e, abaixo de todos, “deformados por fora e por dentro”, os negros africanos.

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A ciência sempre situou os negros “nos porões” da nau chamada humanidade. À guisa de exemplos, em 1863, a Sociedade Antropológica de Londres chegou à conclusão de que os negros eram intelectualmente inferiores aos brancos, e que só os europeus tinham a capacidade de humaniza-los e civiliza-los. 144 anos após, no ano de 2007, o geneticista norte-americano James Watson, Nobel de medicina, chegou a afirmar estar cientificamente demonstrado que os negros continuam sendo menos inteligentes que os brancos. Quanta maldade foi feita na busca pela hegemonia entre povos!

Caro leitor, a ideologia da superioridade de raças foi construída para “justificar as atrocidades dos espanhóis e dos portugueses, que se arrogavam o direito de explorar os povos ‘descobertos’. Que mal poderia haver em escravizar os índios, se eles eram seres inferiores, colocando-se em dúvidas se possuíam alma? Eis como se estrutura o racismo: primeiro se estigmatiza o grupo que se quer discriminar e depois se tira proveito desta estigmatização. Do mesmo modo se procedeu em relação à escravidão africana. Construiu-se primeiramente a ideologia da inferioridade natural dos negros e depois se legitimou a instituição escravocrata”.

Assim, que fique claro: ao se falar de raça e etnia, muitas pessoas demonstram total desconhecimento ou ideias completamente distorcidas sobre a questão. Não existem raças humanas! Apenas a espécie humana! A cor da pele, a forma do nariz, o tipo do cabelo, o tipo do sangue, o formato e cor dos olhos, a espessura dos lábios, não são suficientes para estabelecer diferentes tipos de raças entre os seres humanos, que biologicamente são iguais em praticamente tudo. Todas as ideias de racialização humana caíram por terra! Porém, a construção social erigida a partir de conceitos e visões estrábicas permanece, até hoje, no imaginário popular, gerando efeitos nefastos a minorias historicamente defenestradas.

Como se sabe, o racismo é a “convicção sobre a superioridade de determinadas raças, com base em diferentes motivações, em especial as características físicas e outros traços do comportamento humano”. A Declaração Universal dos Direitos do Homem foi criada com o objetivo de proteger os direitos fundamentais das pessoas, condenando todo o tipo de discriminação pela raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Está lá, expresso, em seu texto!

Desse modo, podemos afirmar, sem titubear, que o racismo só causa prejuízos para o futuro, o desenvolvimento e o diálogo dentro de uma nação, retirando do mercado de trabalho, não propiciando condições de sobrevivência mínimas, não viabilizando estudo e saúde de qualidade a minorias que vivem em lugares periclitantes e insalubres, em evidente situação de exclusão social.

Recente pesquisa feita em terras tupiniquins mostrou que os jovens negros são as principais vítimas de violências, o que é inaceitável. O Brasil tem hoje a maior população negra do mundo fora da África, e não podemos permitir que o racismo faça parte do nosso dia a dia, já que formamos uma população completamente heterogênea, com ascendências de todas as partes do planeta.

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Precisamos realmente corrigir os rumos! Quero aqui consignar, assim, que ninguém, absolutamente nenhuma pessoa debaixo do sol, tem o poder de sobrepor-se às outras sob quaisquer pretextos, mormente com base em critérios como cor da pele, etnia, opção sexual, nacionalidade ou religião. Temos uma enorme dívida social, em especial com a população negra. A conta tem que ser paga. A correção de rumos deve vir da base, desde a infância. Como diria Nelson Mandela, “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”. Escrevo hoje por um Brasil menos racista!

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

Dr. Marcelo Eduardo Freitas
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