You dont have javascript enabled! Please enable it! Literatura - Obscenidades da cidadania | Jornal Montes Claros

Literatura - Obscenidades da cidadania

Literatura – Obscenidades da cidadania

CLIQUE AQUI - Para receber as notícias do Jornal Montes Claros direto no seu WhatsApp!!!

Literatura – Obscenidades da cidadania

Literatura - Obscenidades da cidadania
Literatura – Obscenidades da cidadania

 

De um lado, um grande filósofo da contemporaneidade, famoso por seus vídeos motivacionais; de outro, um jornalista que não perde o tino provocador independentemente do canal em que atua. Assim se formou o diálogo entre Mario Sergio Cortella e Marcelo Tas sobre a cidadania na atualidade brasileira. O bate-papo – que teve duração de um dia, em “um lugar gostoso”, como revela Tas – resultou em “Basta de Cidadania Obscena!”, livro que será lançado por ambos no projeto Sempre um Papo desta quarta-feira (03/05/2017), que será realizado no Grande Teatro do Palácio das Artes, com mediação de Afonso Borges.

Mais do que a discussão sobre a cidadania, o livro lança luz sobre questões consideradas obscenas, ou seja, aquelas que se escondem e são acobertadas socialmente. Cortella esclarece que, atualmente, a sociedade brasileira vive em uma “cidadania bastante precária, humilde”, e que, por isso, o conceito de ser cidadão (sujeito com deveres e direitos individuais que trabalha para o bem coletivo) não é praticado como deveria. “Nós vivemos sendo lapidados pela corrupção, sem que houvesse algo ou alguém para lançar luz sobre os nossos verdadeiros direitos e deveres”, diz o filósofo.

A recorrência, de acordo com Cortella, permanece velada por causa do contexto social pelo qual o país já passou. “Vivemos por muito tempo em uma ditadura. Então, a cidadania é muito nova. Mas, com a constituição, abriu-se a possibilidade de democracia para todo mundo, tivemos uma elevação de consciência. Só que ela não chega ainda ao âmbito coletivo”, destaca.

A ideia é complementada por Tas ao trazer o conceito de “politicamente correto”. “Isso acontece quando alguém se julga na capacidade de dizer o que é certo ou errado, o que devemos fazer ou não. É como se alguém construísse uma régua que favorece o jeito que ele pensa, que, na maioria das vezes, não se traduz em um bem-estar coletivo. O politicamente correto pode ser apenas um jeito autoritário de uma pessoa mostrar o ponto de vista dela”, diz.

Hora de dar um basta. A proposta dos escritores é fazer com que seus leitores reflitam sobre o contexto social em que vivem e como transformá-lo em espaço de promoção de uma cidadania mais clara. Marcelo Tas, porém, chama atenção para o fato de que “os sabichões metidos, Tas e Cortella, não vão ensinar esse caminho”, mas sim promover um diálogo para pensar em como desanuviar a cidadania obscena.

“A bolha social é um dos eventuais causadores da cidadania obscena, especialmente a proveniente das redes sociais. Mas isso não quer dizer que nós estamos denunciando a bolha, uma vez que ela é mais antiga do que andar para frente. Todos nós vivemos em bolhas, como na família ou na escola. O que importa é descobrir como saber lidar com elas”, afirma Tas ao completar: “As novas bolhas são invisíveis, e é para isso que queremos chamar atenção neste livro. Nós queremos tornar visíveis esses novos hábitos, queremos transformá-los em conversa de botequim”.

Cortella reitera o discurso de Tas e diz que o livro não chega a ser um manual, mas que “dá sugestões de caminhos a serem seguidos” para se alcançar a cidadania plena.

Internet e cidadania. Tas e Cortella concordam que a internet deu mais voz ao cidadão, seja no ambiente online ou fora dele. “Mas a internet é só um item de uma revolução que é bem maior. As pessoas começaram a mudar a forma de se relacionarem entre si há 50 anos, já com a TV, com um conjunto de dados que temos disponíveis há muito tempo, via mapas e satélites”, diz o jornalista. Ele ainda destaca: “O que começamos a ter nos últimos dez anos foi um fenômeno em que todos esses dados começaram a ser analisados por uma inteligência artificial, que passou a gerar significado sobre poder de compra e até sobre o uso do corretor. As pessoas passaram a ter poder para reclamar de uma empresa tanto na internet quanto na porta dela”.

Cortella pondera que a web faz parte das instituições de construção da cidadania, como a mídia ou a igreja. “Assim como qualquer instituição, a web tem duas possibilidades: a de cumprir bem seu papel ou a de propagar falsidades. O que se deve fazer é evitar cair em uma armadilha”, destaca o filósofo.

Afinidade. Ao serem questionados sobre o que pensam um do outro, a resposta do jornalista e do filósofo foi a mesma: admiração. Apesar de essa ter sido a primeira obra escrita por eles juntamente, à convite da editora Papirus, eles já haviam feitos outros trabalhos.

“Nós nos encontramos muitas vezes em eventos de educação corporativa, e o convite foi uma alegria enorme, pois temos grande afinidade. Passamos o dia todo juntos e pudemos criar esse eixo com tudo o que já tínhamos em mente”, comenta Tas.

“Admiro muito o Tas como comunicador. Ficamos refletindo sobre o tema em uma boa conversa”, diz Cortella.

AGENDA

O quê. Sempre um Papo com Marcelo Tas e Mario Sergio Cortella lançando o livro “Basta de Cidadania Obscena!”
Quando. Nesta quarta-feira (3), às 19h30
Onde. Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro)
Quanto. Grátis, mediante doação de livro, mas a distribuição está encerrada

Acompanhe mais notícias no Jornal Montes Claros e fique por dentro dos principais acontecimentos da região!

CLIQUE AQUI - Para receber as notícias do Jornal Montes Claros direto no seu WhatsApp!!!

Vanfall Chegou a Montes Claros !!!

Sobre Jornal Montes Claros

Últimas notícias de Montes Claros e da região Norte de Minas Gerais. Acompanhe a cada minuto ás informações em tempo real de interesse para o cidadão.