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Montes Claros – Entrevista Diego Dutra – Vega Films

Montes Claros – Entrevista Diego Dutra – Vega Films

Montes Claros - Entrevista Diego Dutra - Vega Films
Montes Claros – Entrevista Diego Dutra – Vega Films

 

A 2ª Mostra Pequi de Áudio Visual é passado, mas produtores e atores premiados ainda são noticias. Assim o Jornal Montes Claros resolveu ir atrás destas pessoas numa série de entrevistas para saber quem são e o que pensam, dentro deste universo fantástico de cinema e vida. Abrimos então Entrevistando o Diretor Diego Dutra da produtora Vega Filmes.

Concedida ao Repórter de Arte e Cultura Adilson Cardoso.

 Adilson Cardoso: Quem é Diego Dutra?

Diego Dutra: Um cara que acreditava que poderia ser tudo o que sempre queria na vida e hoje pode dizer que encontrou o caminho certo.

AC: Como é que apareceu o cinema na sua vida?

DD: Desde garotinho me imaginava trabalhando num set de filme, mesmo que enrolando cabos, mas sabia que chegaria ao posto máximo. Em 2011, até então, sócio em uma construtora, disse para mim mesmo que já era hora de ir atrás dos desejos do meu coração e com 25 anos de idade resolvi largar tudo o que fazia para iniciar a minha jornada em busca de viver de filmes. Sabia que no início teria que ir devagar, adquirir equipamentos básicos aos poucos, trabalhar de graça para muita gente, como de fato o fiz, e o que eu pensava ser a maior barreira: como eu iria estudar cinema – já que no norte do estado não existe faculdade nem escolas de audiovisual. Iniciei então uma busca incansável de conhecimento de maneira autodidata, utilizei os recursos que estavam ao meu alcance no primeiro momento e me conectei a outros diretores do mundo inteiro, através da internet. Aprendi muito on-line, fiz diversos cursos pela rede, estudei toda a grade programática das principais faculdades de cinema e sou a prova viva de que você pode aprender o que quiser se tiver uma simples conexão de internet. Nestes quase 04 anos vivi de comerciais de TV e conteúdo para Web e tenho alguns filmes e documentários rodados, além de videoclipes premiados.

AC: Quais as suas principais referências?

DD: Busco sempre me referenciar na realidade da vida, nas histórias das pessoas – sou apaixonado por ouvir histórias. Outra importante referência para mim é a arquitetura, por ser uma matemática exata e uma arte suave ao mesmo tempo, e isso me agrada ver e colocar em filmes.

AC: Um filme que marcou e por quê?

DD: Sem dúvidas “A procura da felicidade” de Gabriele Muccino com o Will Smith. Assisti a este filme num momento no qual eu precisava de uma reviravolta em minha vida e tudo o que o filme tinha a ensinar eu aprendi e de fato me movi e fui à busca da minha felicidade em todas as esferas da vida.

AC: Após mais uma Mostra Áudio Visual em Montes Claros, levando para casa mais uma vez expressivas premiações, qual é o sentimento?

DD: De que é apenas o início. Eu entrei nesse ramo para ir além do que acredito ser possível para um mero montesclarense que nunca pisou numa faculdade de cinema. Tenho uma Oficina de Cinema anual, a “Oficina de Cinema Vega Films do Brasil” e sempre digo para os meus alunos que não devemos produzir para um contexto local, mas devemos mostrar para o mundo inteiro quem somos e o que fazemos, e para isso buscamos sempre nos superar, alcançar sempre um nível mais alto, afinal às pessoas só se interessam pelo que de fato é bom e bem feito. A crítica não deixa espaço para o famoso “assim ta bom”.

AC: Em sua opinião o que significa esta mostra para a cidade enquanto pólo cultural?

DD: A verdade é que esta mostra serviu para expor uma parte das pessoas que produzem audiovisual no norte de Minas, a outra parte está tímida ou aguardando o momento certo, imagino eu.

AC: Vimos que houve uma diferença de público entre uma Mostra e outra, a segunda com um numero menor, em sua opinião qual foi o motivo da queda?

DD: Mesmo com todo o esforço da organização do evento houve uma expressiva diminuição de produtores e de público, creio eu que pelo fato de no ano anterior tanto o público quanto os produtores terem depositado muitas expectativas e não terem sido correspondidas da maneira esperada. Ouvi de algumas pessoas a respeito da falta de critérios corretos nas escolhas para algumas premiações, creio que isto tenha influenciado grandiosamente para a decisão de não participarem da segunda edição. Eu, no entanto, resolvi apoiar, pois sei da importância do engajamento entre produtores e público. Quando se falar em festival ou mostra de cinema é difícil as pessoas não se referenciarem em mostras importantes e em filmes bem produzidos, por isso sempre digo para os colegas de profissão que devemos buscar superar as expectativas do público em cada trabalho.

AC: Também foi notado que desde a primeira Mostra, a participação das autoridades políticas foi quase zero, em sua opinião qual seria o motivo?

DD: Primeiro temos de saber se de fato foram convidados. Se houve o convite e ainda assim não compareceram, fica clara a negligência à cultura. Aliás, cultura é algo que não existe para a política pública de Montes Claros, não até o momento. A coisa fica ainda pior quando falamos de cinema, afinal, cinema pra que, não é mesmo?“Não precisamos de cinema para registrar a história da cidade, nem para mostrar maravilhosas histórias na telona”.  Há um gigantesco descrédito político e até por parte da sociedade local. Enquanto não entenderem que somos mais do que pequi, catopé e carnamontes, a cultura vai ficar do jeito que está e o poder de mostrar tudo o que há de rico cultural e artisticamente se reduz a quase zero sem o apoio do poder público.

AC: Em todas as esferas do país nota-se um crescimento muito grande nas produções de cinema, fato é que tivemos muitas novidades na Mostra Pequi, porém as burocracias dos editais do MINC continuam as mesmas, em sua opinião qual seria o caminho para a desburocratização, ou seja, facilitação para os projetos?

DD: As novidades cinematográficas são em sua grande maioria produções independentes, como as minhas, que usam dinheiro do próprio bolso, salvos raros casos de grandes produtores brasileiros que são os mais beneficiados pelos editais e talvez a solução para democratizar o acesso a estes não seja a desburocratização, mas, ensinar a transpor a burocracia que neste caso e necessária, através de treinamentos por parte dos órgãos que lançam os editas, do contrário, os recursos ficarão sempre nas mesmas mãos, enquanto temos milhões de idéias e estórias que anseiam por sair do papel.

AC: Qual o diretor do cinema brasileiro mais lhe agrada e por quê?

São três. Em primeiríssimo lugar vem o meu mestre Eduardo Coutinho, por sua maneira genial de extrair histórias das pessoas de uma maneira muito natural e intimista. Em segundo o Fernando Meirelles pela sua maneira de imprimir o retrato social numa obra, sempre carregada de um realismo absurdo. Por fim o Padilha, que foi lá e fez! Mostrou que brasileiro pode fazer mais que filmes conceituais e ingressou na veia cinematográfica americana, produzindo filmes que todos juram de pés juntos que foram americanos que fizeram.

AC: Qual o direto do cinema estrangeiro mais lhe agrada e por quê?

DD: Muitos enchem a boca pra falar sobre o Truffaut ou Martin, mas, serei franco, não posso negar que o Tarantino sempre me inspirou, tanto pelo seu estilo de fazer filmes quanto pela sua história de vida e como ele começou. Identifico-me também com a maneira de fazer filmes do Christopher Nolan.

AC: Um filme Brasileiro que não recomendaria e por quê?

DD: Acho que não tem nenhum filme que eu não recomendaria, pois o que pode não ser do meu agrado e tem muita coisa que não é, pode maravilhar outra pessoa. Gostos por filmes são subjetivos.

AC: Deixe uma mensagem para os leitores cinéfilos:

DD: Nunca deixem ninguém dizer a você que você não dará conta de fazer algo. Eu escutei isso muitas vezes em minha vida e sei o quanto é ruim para a alma acreditar nisso. Resolva-se!Você pode! Quer fazer filmes? Vá em frente, existe um caminho que é aberto a qualquer um. Quer ser um astro do roque? Por que não? Quando decidimos sair do lugar e depositamos toda a nossa confiança no Senhor nada mais é impossível.

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