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Montes Claros – Entrevista: Ronaldo Goc

Montes Claros – Entrevista: Ronaldo Goc

A 2ª Mostra Pequi de Áudio Visual já é vista no retrovisor do tempo, passou-se com méritos aos curadores e muitas palmas aos vencedores, Diretores, Atores, enfim. Todos aqueles que fizeram de fato acontecer.  Assim o Jornal Montes Claros resolveu ir atrás destas pessoas numa série de entrevistas para saber quem são e o que pensam, num ping-pong direto sem frescura e sem censura, hoje destrinchamos um Diretor que já tem a cara da Mostra Pequi pelas suas diversas premiações – Ronaldo Goc.

 

Ronaldo Goc
Ronaldo Goc

 

Entrevistador: Adilson Cardoso – Repórter de Arte e Cultura do Jornal Montes Claros – Entrevistado Ronaldo Goc.

Adilson Cardoso: Em poucas palavras, quem é Ronaldo Goc?

Ronaldo Goc: Um Artista plástico, graduado em Artes Visuais. Um Montesclarense com os pés no sertão e a cabeça nas estrelas.

AC: Como é que apareceu o cinema na vida do Artista Plástico?

RG: Minha origem é as artes plásticas. Então experimentei a prima dela, a Vídeo arte, que é uma linguagem mais complexa. Minha arte ficou limitada a alguns poucos intelectuais. Então Entrei para o cinema que também é primo das outras para conseguir me expressar mais claramente, ser entendido por mais pessoas e interagir com a mente de outros artistas.

AC: Quais são as suas referências?

RG: Não procuro copiar, seguir linhas ou tendências para criar meus roteiros e dirigi-los, mas posso citar alguns nomes que admiro muito como o artista plástico Salvador Dali, que não tinha freios no processo de criação, os cineastas Stanley Kubrick (2001 uma odisseia no espaço), Ridley Scott (Alien, prometheus) e o Indiano M.Night Shyamalan (A dama na Agua, o Sexto sentido).

AC: Um filme que marcou e por quê?

RG: Um filme velho “Entrevista com o vampiro” Assisti varias vezes. Gostava da atmosfera perfeita que criaram através da trilha sonora, figurino, cenários tenebrosos, maquiagem e outros.

AC: Após mais uma Mostra Áudio Visual em Montes Claros, levando para casa mais uma vez expressivas premiações, qual é o sentimento?

RG: Estamos evoluindo. Estou começando a entender as regras do jogo. Tenho trabalhado muito para isso. Fico exausto mentalmente no final de cada filme. Assumi fazer também a montagem e edição dois últimos filmes para forçar a aprendizagem e entender de forma global todo o processo. Foi uma experiência dura, mas maravilhosa. Estamos detectando as falhas e procurando corrigi-las nos filmes futuros.

AC: Em sua opinião o que significa a Mostra Pequi para a cidade enquanto pólo cultural?

RG: Uma grande conquista para a classe artística local. A 7ª arte tem o grande poder de englobar varias linguagens artísticas como a musica, dança fotografia, artes plásticas, artesanato. A mostra garante uma janela anual de exibições de filmes regionais. Através do cinema ficção ou documentário as novas e velhas tendências culturais podem ser exibidas para a classe artística e população em geral, reciclando ideias, trocando experiências e vivencias, trazendo benefícios culturais para todos envolvidos. Além da exibição de filmes nacionais, que mostram as tendências universais,norteando os trabalhos contemporâneos locais.

AC: Vimos que houve uma diferença de público entre uma Mostra e outra, a segunda com um numero menor, em sua opinião qual foi o motivo da queda?

RG: O maior motivo foi à data que coincidiu com muitos eventos na cidade. Também A 1ª Mostra de 2016 recebeu produções que estavam guardadas há anos por alguns produtores. Os mesmos que não conseguiram produzir novos trabalhos no prazo de um ano para a 2ª mostra. Na 1ª mostra contamos com dois filmes que envolveram muita gente “O dialogo do crack” de Adilson Cardoso e “À mercê da sorte” de Ronaldo Goc. Cada ator, figurante ou técnico trouxe seus familiares. Foi uma grande novidade. Criou-se uma grande expectativa e encheram a casa. Em 2017 foi um publico mais pé no chão, os simpatizantes do cinema, que curtem a linguagem, gostam de assistir. Esse é o espirito cultural que deve ser implantado.

AC: Também foi notado que desde a primeira Mostra, a participação das autoridades políticas foi quase zero, em sua opinião qual seria o motivo?

RG: Sempre foi assim na província. A arte arrebenta as correntes, muda o curso do rio. Somos uma ameaça. Penso também que precisamos “furar a bolha” para sermos notados. “Santo de casa não faz milagre” na opinião de alguns políticos. Estamos trabalhando para isso. Buscando concorrer futuramente nos grandes centros e surpreender.

AC: Em todas as esferas do país nota-se um crescimento grande nas produções de cinema, fato é que tivemos muitas novidades na Mostra Pequi, porém as burocracias dos editais do MINC continuam as mesmas, em sua opinião qual seria o caminho para a desburocratização, ou seja, facilitação para os projetos?

RG: Infelizmente os coordenadores desses editais não acreditam no talento dos novatos. A maioria dos editais com verbas significativas são direcionadas para pessoa jurídica, algo que ainda esta distante da nossa realidade. A saída seria trabalhar em parceria. Produtores regionais unindo forças para concorrer e captar uma verba para a realização de um filme com mais qualidade geral.

AC: Qual o diretor do cinema brasileiro mais lhe agrada e por quê?

RG: Não tenho um em especial, mas posso citar Walter Salles (Abril despedaçado) Capricha nos detalhes e usa planos diferenciados, e o diretor Falecido Glauber Rocha (Deus e o Diabo na terra do sol) pela sua irreverência.

AC: Um diretor do cinema estrangeiro?

RG: O indiano M.NightShyamalan (A dama na Agua, o Sexto sentido, o ultimo mestre do ar). Ele aborda temas fantásticos, mas sem usar muita tecnologia para apresentá-los.

AC: Algum filme Brasileiro que não recomendaria?

RG: Acho que vale a pena tentar entender a historia. Tiro proveito de todos os filmes que vejo no roteiro, parte técnica, cenário, outros. Sempre tem algo que vale a pena. Só procuro assistir de forma econômica.

AC: Algum estrangeiro que não recomendaria?

RG: Ainda não assisti um tão ruim assim (risos) Prefiro os filmes estrangeiros. Eles mostram uma realidade bem distante da minha. Filmes primitivos ou futurísticos são os preferidos.

AC: Deixe uma mensagem aos leitores cinéfilos:

RG: Os cineastas Montes-clarenses e norte mineiros estão começando a construir a historia do cinema regional. Em menos de cinco anos criamos um acervo cinematográfico com quase 20 filmes de gêneros variados. Não vamos parar por aqui. O sertão norte mineiro é rico. Temos muito trabalho pela frente. Precisamos de ajuda de novos cineastas, dos gestores, empresários, imprensa, artistas de outras linguagens, apreciadores de arte e publico em geral. Prestigiem nosso trabalho. A cidade possui cineastas com potencial para grandes produções. A cultura cinematográfica deve ser implantada em Montes claros assim como já existe em muitas cidades. Se um grande público cobrar mudanças, elas ocorrerão com mais facilidade. A função do cinema é realizar sonhos que parecem impossíveis. Vamos juntos fomentar essa fantasia que ameniza as dores da “vida real”.  Um Abraço do Goc.

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