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Literatura de Cordel – Meus cabelos ancestrais

Literatura de Cordel – Meus cabelos ancestrais

Autora: Izabel Nascimento 

IOs cachos dos meus cabelos

Tem um nome: Identidade

Não são moda, não é regra

Imposta na sociedade

Mais do que cor e beleza

Meus cachos são a nobreza

Da minha ancestralidade.

 

II

O crespo dos meus cabelos

Que exigem de ti respeito

Afirmam que crespo e liso

Detém o mesmo direito

Há muito, dizem de mim,

Que meu cabelo é ruim.

Ruim mesmo é o preconceito!

 

III

O afro dos meus cabelos

Tem marcas dos ancestrais

São laços eternizados

Históricos, culturais

Cujas forças reluzentes

Põem belezas diferentes

Num mundo cheio de iguais.

 

IV

Os cachos histórias contam

E o crespo forte resiste

No afro, tem continente

Que o mundo não vê que existe

A mistura que engrandece

E a sociedade perece

Na marca lisa que insiste.

 

V

Retire então as amarras

Da cabeça da mulher!

Que há forma, charme e beleza

História, escolha e mister

Pra que cada mulher cresça

E faça em sua cabeça

Aquilo que bem quiser.

 

VI

O mundo vai descobrir

O chá da felicidade

No dia que se der conta

Para o bem da humanidade

Não há uma só beleza

E a nossa grande riqueza

Está na diversidade.

 

VII

No tempo que a cacheada

Seus belos cachos assume

A indústria do cabelo

Que acha que nos resume

Num comércio absoluto

Nos impõe marca e produto

Pra controle de volume.

 

VIII

O cacho a ser controlado

Tem marca, preço e produto

No rótulo é garantido

O seu uso é resoluto

Sendo diferenciado

Controle do cacheado

Ou um liso absoluto.

 

IX

O sistema nos domina

Não consigo percebê-lo

Vai determinando a vida

Que lutamos pra mantê-lo

Diz quem é feia e bonita

Achando pouco, ainda dita

A forma do meu cabelo.

 

X

Cachos, crespos, afro, blacks

Tem nome, crença, ideais

E já que a real beleza

Requer cabelos reais

Então assumo os formosos

Lindos, belos, volumosos

Meus cabelos ancestrais.

 

Izabel Nascimento é sergipana, escritora de folhetos de Cordel desde a infância. Graduada em Pedagogia e atuando como Professora na Rede Pública de Maruim-SE, a poetisa desenvolveu o Projeto “Literatura de Cordel em Sala de Aula” em escolas da zona rural. Trabalha há um ano como Coordenadora da Sala de Cultura Popular Manuel D’Almeida Filho, na Biblioteca Pública Epifânio Dória, em Aracaju. Também dirige as ações da Casa do Cordel, Espaço Cultural que leva o nome de seu pai, Pedro Amaro do Nascimento. Ministra palestras e oficinas em todo Estado de Sergipe. Em 2014, participou do Festival Internacional do Brasil na Áustria, onde lançou quatro de seus títulos na Embaixada do Brasil, em Viena. A poetisa divulga muitos de seus versos nas redes sociais, dentre eles o Cordel do Whatsapp, que ficou conhecido em todo Brasil.

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