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Montes Claros – Entrevista: Willi de Carvalho

Montes Claros – Entrevista: Willi de Carvalho

Willi de Carvalho
Willi de Carvalho

 

Entrevista cedida a Adilson Cardoso – Repórter de Arte e Cultura do Jornal Montes Claros

Adilson Cardoso  Quem é o artista Willian de Carvalho?

Willi de Carvalho: Sou um homem sonhador, nascido em Montes Claros, morador de Belo Horizonte, mas vivo no mundo. Tenho a alma infantil, muitas vezes me acham imaturo. Mas é uma pureza que trago comigo do interior, algo sem nenhuma maldade. Sou  aquele antenado em tudo que me circula. Tudo ao redor me inspira. Sou fissurado por nuvens pois  elas sempre me trazem  algo. Sou uma pessoa simples,  creio que é na simplicidade da vida que está o meu norte para a criação, sou tímido, mas contrário de outros adoro falar. Gosto de gente que é de verdade, que  não faz firulas, gente que respeita o meu trabalho artístico e a minha luta.

AC: Como é que a arte e  Willi de Carvalho se encontraram?

WC: A arte entrou na minha vida desde quando comecei a respirar o oxigênio da vida. Estudei numa escola infantil  que se chamava Jardim de Infância Presidente Bernardes (hoje Banco do Brasil, inicio da Avenida  Mestra Fininha) Tinha apenas 03 anos de idade quando entrei. Aquele lugar foi muito especial, marcou tanto que nunca conseguir encontrar outro que superasse tudo aquilo que senti. Lembro-me dos Teatrinhos que sempre eram apresentados no Colégio Imaculada Conceição, pois minha escolinha não tinha auditório. Os desfiles nas ruas, a merenda da dona Coló,  até salivo aquele gosto quando me lembro… algo  imensurável. Pintávamos, desenhávamos… Era o meu paraíso.

AC: O que  foi a arte dos anos 70 na visão do garoto Willi que já respirava o ar da criação?

WC: A  cidade já respirava Serestas, quando menino a maior atração era  o parque de exposições. No parque  vinha os cheiros da maçã do amor, da pipoca do algodão doce, esta mistura toda  aguçava  meus sentidos. Na casa da minha avó materna  éramos  muito felizes,  tocava-se  no  violão as músicas de Roberto Carlos, cantávamos juntos sem hora para acabar, Era o tempo da “jovem guarda”. Adorava os parquinhos que vinham para um campo de futebol  perto da minha casa, daí já me atinava pelas cores dos brinquedos. As músicas também eram fonte. A boneca de Leonel com sua roupa gigantesca  que rodopiava, e eu assustado me escondia com medo dela. Mas a miscelânea de cores, movimentos, cheiro , áudio, o barulho dos catopês descendo a Melo Viana, o apito do trem trazendo gente de todo lugar. Afinal, os Morrinhos era um universo de acontecimentos.

AC: Das muitas experimentações no campo da arte, quando   você decidiu pelo estilo que hoje lhe consagra, como surgiu?

WC: Na verdade comecei pintando e desenhando, gostava de miniaturização, pequenas maquetes e mais tarde eu fazia cenários,  para chegar onde eu queria  o fazia em miniatura. Num destes Psiu Poéticos da vida, chega em Moc o artista performance e genial Hélio Leites, eu, Solange Sarmento e Ricardo Malveira tínhamos um atelier próximo ao Altomovel Clube, o Hélio nos visitou e eu curioso perguntei a ele que roupa era aquela que ele vestia. Era uma indumentária meio teatral com caixinhas de fósforo coladas nelas. Eu adorei, fiquei extasiado com aquilo e cada caixinha uma cena e uma história que ele contava. Ele me disse: quer fazer uma? Pois bem, foi aí que eu comecei a desenvolver algo em miniatura, mas levando para o lado plástico e não pra contar histórias como ele fazia e ainda faz. Eram todas nas caixinhas de fósforo, depois comecei a aumentar as cenas, que de certa forma mesmo que estáticas elas também contavam histórias e sugerem  movimento, este foi o meu começar artístico no estilo  miniatura.

AC: Quais são os artistas inspiradores do seu trabalho e por quê?

WC: São muitos os artistas que me inspiram. Quando adolescente me apresentaram Van Gogh, foi amor a primeira vista,  o amarelo que eu amo tanto vem da arte dele. Depois aprendi com a mexicana Remédios Varo, que tem uma obra instigante surrealista que eu admiro muito. Brueguel  sou apaixonado com aquelas cenas minúsculas e cheia de detalhes  que me fascina numa pintura. As Pinturas aquáticas do mineiro Petrônio Bax, a minha conterrânea Yara Tupynambá, Guignard com a sua leveza de pintar Minas Gerais e mais preciso Ouro Preto. Konstantin Kchristoff e as suas obras com muito humor. O que mais me comove é o Arthur Bispo do Rosário pela sua grandeza artística e era tido como louco,  daí eu volto pra Van Gogh e tudo recomeça. Entre estes tem outros vários artistas que me inspiram não só pela arte visual, mas também pela  performática.

AC: O saudoso Teatrólogo e Jornalista  Reginauro  Silva, disse uma vez: Montes Claros é a cidade da arte e da Cultura. Frase muito divergida por vários artistas locais, qual é a sua opinião?

WC:  Concordo com Reginauro Silva, mas a cidade da arte e da cultura ainda sofre por não ter espaço para os seus artistas, mas aí ele inventa e tudo torna possível. O que me entristece em Montes Claros é o fato da cidade da magnitude que é até hoje não ter um Teatro Municipal, uma galeria de arte adequada para grandes eventos. A cidade cresce verticalmente, mas no horizontal “pé no chão cultural”  ainda falta com seus artistas. Sei que tem muita gente que batalha para que  isso aconteça, mas depende de  políticas, que neste momento está um caos.

AC: Quais são os artistas de Montes Claros, mais lembrados por onde você passa?

WC: Quando se fala em arte a Nossa Dama mineira da arte é a Yara Tupynambá, Konstantin Kchristoff, a nível nacional Ray Colares é o mais citado e tem vários artistas contemporâneos que o reverenciam.

AC: Recentemente Montes Claros parou em pleno  horário de almoço, como se fosse jogo de Copa do Mundo, para ver o Programa Encontro da Rede Globo, onde você era convidado, qual foi o objetivo da sua presença e o que significou para sua carreira?

WC: Para eu chegar no programa da Fátima Bernardes antes de tudo foi pelo reconhecimento do meu trabalho pelas mãos de um designer Paulista Marco Pulcherio que pesquisava há muito tempo artistas pelo Brasil, visitou muitas galeria pelo país é numas delas tinham obras minhas e com essa pesquisa toda a pedido da Rede Globo, onde ele presta serviços como decorador e designer dos cenários das novelas, chegou até a mim, comprou 15 obras minhas em parceria com o SEBRAE,  assim foi feito o contato e as peças foram para o cenário da novela “A lei do amor” numa galeria de arte fictícia. No último capítulo da novela, alguns dos artistas da galeria foram chamados para mostrar o rosto. Antes do final da novela, no mesmo dia fomos ao programa Encontro com Fátima Bernardes e lá antes de ir ao  “ar”  eu fui o escolhido para falar com ela. Bom a carreira continuou como estava, a gente ganha um pouco de notoriedade e isso complementa o  caminhar artístico.

AC: E as Exposições, viagens dentro e fora do Brasil como é que andam?

WC: Hoje tenho mais de 35 exposições individuais e mais de 100 exposições coletivas pelo Brasil e o mundo. Fiz uma individual em Bruxelas na Bélgica e participo anualmente de exposições feita pelo banco do México BANAMEX onde eles colecionam artistas Ibero americanos. A novidade será uma galeria de arte que vai me representar em Bruges também na Bélgica e na Suíça tenho uma sala com mais de 30 obras de um casal de colecionador. Mais exposições para este ano e muito trabalho pela frente. Vou participar de uma Bienal internacional na cidade de Socorro em setembro, este ano participei de duas bienais, uma em Goiás e outra em Pirinópolis e fiz uma exposição individual no SEBRAE – BH com o nome de “Minimundo”.

AC: Montes Claros 160 anos, muitas novidades, evoluções, atrasos políticos, violência e drogas e a arte que não cessa. Uma mensagem final para esta Dama que feito o hino de Minas “Quem te conhece não esquece jamais”.

WC: Que a nossa cidade se expanda  de verdade, culturalmente falando e faça jus ao nome que a batizaram, “Cidade da Arte e da Cultura” Que dê dignidade aos seus artistas, principalmente aos que levam seu nome pelo mundo a fora. Aprendi muito com mestres dessa terra querida e aqui deixo o nome deles: Terezinha Lígia, Raquel de Paula e o professor Ricardo Batista Lopes dentre muitos.

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