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Montes Claros – Entrevista: Edilson Marques

Montes Claros – Entrevista: Edilson Marques

Edilson Marques
Edilson Marques

 

Hoje  o nosso convidado para um “papo massa” sem frescura e sem censura é Edilson Marques, Poeta, Escritor e  Educador.

Repórter de Arte e Cultura Adilson Cardoso.

Edilson Marques da Silva é  autor de dois livros; (Dois de Nós)  Narrativa do seu período na faculdade, sob o ponto de vista de uma personagem fictícia. E (O Menino e a Arma) Crônica ambientada no bairro Jardim Eldorado, que tem como ambiente a favela Vila Alice, no centro do bairro. Seus personagens são fictícios, bem como as situações vividas,inspiradas  em narrativas ouvidas e adaptadas. A ideia do livro segundo ele  é dar ao leitor ritmo de vida real, já que o tempo dos personagens não é comprimido ou alongado, assim acontece de um mesmo evento ser visto  pelo ângulo de pessoas diferentes criando novas perspectivas. Além das publicações, Edilson frisa ter  outros livros já escritos aguardando publicação. São eles; “Sobre ele e ele” “A morte pode levar o dia inteiro” “Em busca de Juggernault” e “De Ana a Zilma”. Inquieto e experimentador o Escritor também é poeta participante de varias edições do Salão Nacional de Poesias  Psiu-Poético. Autor das Tirinhas, “Gilberto e Gangue da Esquina”  Charges  para o Jornal Hoje em Dia no ano de 1992. Foi também  jornaleiro, vendedor de jornais, comerciário, vendedor ambulante, fotógrafo, consultor de trabalhos acadêmicos, analista de educação, professor particular, auxiliar de RH e auxiliar de Docência.

Adilson Cardoso: Todo escritor é voraz leitor?

Edilson Marques: Se for me usar como referência, sim, leio o tempo todo. Acho que ler é fundamental.

AC: No Brasil temos uma vasta produção de livros, escritores surgindo de todos os cantos, Internet fornecendo bons materiais para baixar, Congressos e vários salões promovendo a literatura. Na sua opinião porque somos tão atrasados em numero de leitores?

EM: Isso me parece um fruto da modernidade, entre outros fatores. A maioria das pessoas espera o filme ou a serie para conhecer, de fato, uma estória, muitos até compram os livros, mas na verdade não leem, por que tem uma pressa, uma impaciência estranha e acham mais fácil assistir que ler. Ai  temos de considerar o fato de que nem todo livro vira filme, então as pessoas simplesmente perdem coisas fantásticas, tem o preço de publicação de um livro, falta de incentivo, tem a questão cultural, por que a criança não é incentivada em sua família a ler. E mesmo entre os leitores alguns simplesmente não interpretam o que leram. Ou seja: a resposta para essa pergunta é motivo de um simpósio.

AC: Viver de arte é um sonho impossível em Montes Claros?

EM: Creio que nossa realidade é a mesma de qualquer cidade: não dá para todos viverem de arte. Aqueles que despontam, possivelmente vão viver , sim apenas de sua arte, mas, normalmente são pessoas que nem tem isso como objetivo, as pessoas que podem se doar a arte, sem precisar viver dela.

AC: O saudoso Teatrólogo e Jornalista Reginauro Silva disse: “Montes Claros é Cidade da Arte e da Cultura”.  Qual a sua opinião?

EM: Concordo. Montes Claros é berço de muitas pessoas e coisas espetaculares. Darcy Ribeiro, Tião Carreiro, Zé Côco do Riachão. Eu até brinco que, todo mundo que é bom mesmo, tem um pouco de montes-clarense, é só procurar na genealogia que encontra.

AC: Certa Vez, Marcelo Nova vocalista da banda Camisa de Venus, disse: “Falta Cultura pra Cuspir nesta Estrutura”. Em sua opinião a politica da falta de incentivo é um dos principais entraves para o crescimento do artista na nossa região ou a falta de conhecimento adequado da parte dele  é a bola de chumbo atrelado a perna?

EM: A falta de incentivo é o maior mal, com isso eu não falo apenas do financeiro, para conseguir orientação de como fazer alguma coisa por aqui é difícil.

AC: Você disse que entre os livros escritos ainda não editados, tem o “ A morte pode levar o dia inteiro” chamou atenção pela semelhança com  títulos  de filmes  do Velho Oeste. Do que se trata?

EM: Um belo dia o personagem  principal acorda e a Morte está ao redor de sua cama, esse não é um tema inédito, só é abordado dentro de nosso tempo, da nossa época, em que as pessoas se interessam pelo que é imediato, mas acreditam que terão sempre o amanhã. É fácil para qualquer pessoa se identificar com essa situação.

AC: Um livro inesquecível:

EM: Eu teria de falar por tema, mas já que é um livro só: Serrano de Pilão Arcado. Eu não entendo por que esse livro não é um sucesso mundial.

AC: Um acontecimento que te marcou positivamente e outro Negativamente:

EM: Positivo: ter realizado um sonho antigo, ao lançar meu livro O Menino e a arma.

Negativo: Quando tinha vinte anos um médico me falou que, possivelmente, eu só enxergaria até os 25. Isso não se confirmou, ainda bem, mas foi algo que me assombrou por muito tempo.

AC: Estamos literalmente mergulhados no caos político, a deslealdade dos que nos levaram o voto é imensurável, cada dia outro nome cai na “arapuca” da lei. Você como educador, formador de opinião, cidadão Brasileiro se tivesse a chance de mudar a história da nação com um decreto qual seria?

EM:Investimento em educação. Os países que deram a volta por cima usaram principalmente essa formula.

AC: O Jornal Montes Claros agradece pela participação. Para fecharmos deixe uma mensagem aos nossos  leitores.

EM: Uma das máximas que norteiam minha vida: se estiver de frente  um problema que tem solução, não se preocupe, tem solução. Se estiver de frente um problema que não tem solução, não se preocupe, não tem solução.

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