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Nilson Apollo Santos
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Coluna do Nilson Apollo – Tempos de poda

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Coluna do Nilson Apollo – Tempos de poda

Alguém que cultive uvas em seus quintais, talvez possam entender melhor sobre o que vou escrever agora, é lindo ver a parreira frutificando, e melhor ainda é colher e saborear o fruto.

O ciclo é contínuo, todo ano tem, e até mais de uma vez, no caso da safra temporã, quando a natureza nos brinda com um sobejo do produto da vide.

Coluna do Nilson Apollo - Tempos de poda

 

Vão por mim, é uma maravilha, acompanhar todo esse processo, com exceção de uma fase…  A poda, o momento da poda, que tristeza, que cena triste, melancólica e desesperadora, para quem  cultiva a videira, e muito mais para a própria videira… Ela chora em suas extremidades cortadas, ela se apresenta ressequida, e feia em seus contornos secos e aparentemente mortos … Quem não conhece da cultura, ao comtemplar o cenário perde as esperanças; “Morreu coitada” – podem pensar…  De tão feia e assustadora que ficam aqueles ramos de outrora, floridos, e belos com suas vivas folhagens.

Mas pra quê podá-la, se na natureza seu ciclo flui automaticamente ao sabor do tempo? – Para dar mais frutos, para reativa-la e promover o renovo. E depois de podada e adubada no tempo certo, após o triste cenário, e surpreendente choro, os brotinhos começam a aparecer, e em questão de tempo, esquece-se o sofrimento, e espera-se pela próxima colheita e tudo se renova.

E que isso tem a ver com o momento que atravessamos enquanto país? Estamos sendo podados, com essa crise. O cenário é de morte, o panorama é triste e choroso, mas algo de bom tem que ser aproveitado neste processo.

Nossas podas enquanto país e indivíduos.

Coluna do Nilson Apollo - Tempos de poda

 

Falências e recuperações no período de crise:

Nesses últimos anos, depois de vermos mais de 300 mil empresas fechando país à fora, os pedidos de recuperação judicial registraram queda de 23,7% de janeiro a dezembro de 2017. Dezembro de 2017 teve queda de 30,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior e de 33,8% na comparação com novembro de 2017.

As recuperações consumadas tiveram quedas ainda mais acentuadas no último mês de 2017. Na comparação com dezembro de 2016, houve queda de 49,2%. Já em relação a novembro, a redução nas recuperações judiciais deferidas foi de 46,6%. No acumulado do ano, as recuperações deferidas caíram 18,9% em relação ao ano anterior.

As pequenas empresas responderam por 94% dos pedidos e das recuperações deferidas em 2017.

Ou seja, o choro está terminando, e os “brotinhos” de renôvo a qualquer horas surgirão.  Sairam do mercado muitas empresas que deveriam sair e se repensarem. Muitos empresários forçados a se re-adubarem, se reciclarem e se reinventarem neste período de “morte” em vida.    Os que sobreviveram, ressurgirão mais fortes.

Auto extermínio:

Assistimos estupefatos frente a um crescente numero de suicídios, percas não muito divulgadas para que não se torne uma epidemia. Muitos não suportaram o processo de transição. A cada 45 minutos, uma pessoa tira a sua própria vida no Brasil, tivemos um aumento de 10% conforme últimos levantamentos do IBGE, que chamou a atenção para o aumento também do numero de jovens que suicidaram. De 1980 até os dias atuais a taxa subiu 60%, números alarmantes, mas que também não podem ser debitados somente na conta da crise financeira, são reflexos de diversos fatores, dentre eles a crise, o desemprego e varias outras variantes, que talvez a crise somente tenha evidenciado.

Se incluirmos as mortes não declaradas na conta, a perspectiva é ainda pior com 30% mais casos e tudo indica que continuaremos subindo no ranking. Mas por quê?  Teremos que avaliar isso com cuidado na reconstrução de nosso país.

Divórcios e casamentos:

De acordo com os especialistas, historicamente, a situação financeira de um casal, quando está abalada, figura entre os principais motivos que determinam o pedido de divórcio. “Só perde para casos de adultério”, explica. É um dos crivos e peneiras mais eficazes dos relacionamentos, crises financeiras, que aponta para os números do IBGE que registraram o aumento em 160% dos divórcios no Brasil nos últimos dez anos.   Os casais que suportarem e resistirem às crises mereceriam a felicidade plena depois do vendaval, pois esquecendo os números e gráficos, no dia a dia é morte em vida, dia após dia de tormenta e desafios de adaptações e resiliência. Poucos casais pós anos noventa (90) resistem a uma crise financeira.

Prisões:

Na Islândia anunciaram a condenação a penas de prisão de mais cinco altos dirigentes de Bancos do país, considerados culpados pela crise financeira de 2008. O número de banqueiros responsabilizados já vai em 26 os presos culpados por praticarem crimes contra a ordem financeira do país e mergulha-lo em uma catástrofe que provocou o colapso econômico em 2008.   O mesmo estamos vendo acontecer por aqui no Brasil, muitos figurões estão sendo presos, mas as investigações ainda não chegaram aos banqueiros, que lucraram e muito com essa crise, que a meu ver, é tão artificial quanto a invasiva poda de uma vide, quem maneja as tesouras (podões)?

São nos momentos da poda e recuperação, que de tempos em tempos a videira conhece e sabe o que lhe sustenta e faz bem, e esquece-se do que lhe faz mal e não acrescenta, seja negócios, amizades, relacionamentos, investimentos, cursos, localidades, política, empreendimentos e ideias… TUDO SE REVELA, O BELO E O FEIO…

Enfim, são dias terríveis atravessados, e de tempos em tempos, a poda se repete, assim como a fartura, o sobejo, o bom olor da videira, e suas vivas cores e prazerosa sombra sob seus ramos, e também suas “feiuras” e escassez.  É um ciclo necessário na manutenção de vida.

Esse processo, para piorar, geralmente ocorre no inverno, o que intensifica o sofrimento da videira, que em contrapartida, precisa também retirar mais e mais forças de si, e do solo, para retornar em vida plena.

Quando a primavera se aproxima, os dias vão ficando mais longos e quentes, a videira – sob a ação do calor do sol – vai despertando de seu descanso e sofrimento invernal. Os viticultores sabem que esse processo se iniciou quando dos pequenos galhos podados nesta época começam a despontar. É o chamado ‘renovo da videira’, uma forma da natureza mostrar que a primavera está chegando e a seiva nutritiva, que irriga a planta e permite seu crescimento, voltou a circular. As folhas nascem, os brotos aparecem e mais uma safra começa a cobrir os campos de verde.

ISSO É A VIDA, É ACEITAR, E SE ADAPTAR E RESSURGIR COM MUITA VIDA E FRUTOS… OU MORRER…

Optemos pela paciência, resiliência e VIDA!!!

Há esperança!!

Por Nilson Apollo Belmiro Santos

 

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