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Nilson Apollo Belmiro Santos
Nilson Apollo Belmiro Santos

Coluna do Nilson Apollo – Brasil, um monstro colonial

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Coluna do Nilson Apollo – Brasil, um monstro colonial

O Brasil acordou, e confuso…

O gigante que estava deitado eternamente em berço esplêndido, acordou de seu eterno sono, ou da maca cirúrgica onde fora costurado, como o monstro “Frankenstein “ da autoria de Mary Shelley.

A obra é considerada a primeira literatura de ficção científica da história, lançada em 1818, que conta a história de um cientista maluco que constrói um monstro em seu sombrio laboratório. Iniciou-se com isso a propagação do gênero literário do horror.

 

O monstro fora montado pelo cientista louco, que encorajado pelo seu até então brilhantismo científico, resolveu colocar em pratica suas ambições, fazendo uso de diversas partes de outras corpos, cujos cadáveres eram mutilados e conectados à aquele quebra cabeça monstruoso.

Após meses laborando sua experiência, eis que surge a criatura horrenda, que devido à gigantesca e grotesca estatura, causa repulsa em seu “pai”, que abandona a mórbida experiência, semi-viva, ou morta, à sua própria sorte… Inicio de todos problemas, vale à pena conferir o livro.

Mas, o que isso teria em relação ao Brasil e seu momento atual?

Alguém que pensa, conseguirá estabelecer vinculo entre as duas situações, a fictícia e a real, que somos nós, o Brasil…  Esse país poderia dar certo com essa configuração estrutural, a julgar pelo seu nascimento?   Um grupo de europeus, famintos, degredados, escória e refugos em suas pátrias, resolvem explorar o mundo e aqui aportam, na terra do Pindorama…

Aqui chegando, resolvem se apossar de terras pertencentes aos autóctones do lugar, e para piorar, fazendo uso de suas baixezas e comportamentais, resolvem escravizar, matar e estuprar à aqueles que aqui estavam, além de trazerem a pólvora, o fio da espada e doenças letais que dizimaram boa parte desses autóctones… Como consolo, paradoxalmente, trouxeram  também a cruz e os sacerdotes “apaziguadores”… Não logrando êxito com os nativos, aos quais denominavam “pretos da terra”, resolveram aumentar as peças/ membros do monstro colossal, já não bastava a aberração de suas chegadas e destruição causada, a obsessão era tanta, que tiveram a ideia de atravessarem novamente o oceano e irem inquietar a outros povos, que se encontravam em franco progresso em suas sociedade, homens e mulheres fortes e talentosos, na bateia e fundição do ouro, na agricultura e nas artes.  África era o destino agora… Como o reino de Portugal, não dispunha de mão de obra suficiente, e os patrícios que cá se encontravam, eram pessoas de baixíssimas condições morais, ou laborais, porém com rudeza suficiente para receberem ou trazerem à força, homens, mulheres e crianças, e se preciso fosse, matassem, jogando-os ao mar, ou  omitindo-se diante do padecimento  em longas viagens em porões insalubres de navios, onde amontoados, eles se misturavam à fezes, urinas, vômitos, sangue de menstruação e corpos que morriam no trajeto, da viagem de mais de um mês até aqui chegar. Na mente deles, aquela experiência na criação do monstro era válida, Não importava, se haveria rejeição por parte dos novos membros implantados, ou do corpo, inerte que os haveria de receber… Os cativos, pulsantes não se sujeitariam a fazerem parte daquela experiência macabra , se não fossem submetidos à inúmeros procedimentos de tortura, pressão psicológica, e lavagem cerebral.

Imagino que os primeiro que aqui chegavam, à principio moribundos pelo padecer da viagem, mantinham-se inertes e confusos, porém ao retomarem suas forças e memorias de seus nomes de família, tradições, línguas e origens, se viram perdidos e revoltados devido ao sequestro e condições sob as quais eram submetidos, e por  quê? O que justificaria aquilo?

Nesse meio tempo, os indígenas imprimia fuga coletiva para o interior do continente, ou era mortos pelos desbravadores portugueses. Eles até que tentavam resistir mas era inútil…

O monstro Brasil era aos poucos montado, os heróis forjados, flamulas, hinos e bravas histórias fictícias contadas, na intenção de legitimar, aquele putrefato nascimento de uma nação, criada  sobre o suor e sangue de muitos inocentes que não concordaram, pediram ou aceitaram de bom grado participarem dessa horripilante experiência.  Por fim, o monstro estava aparentemente vivo, porem sem uma roupagem “apresentável”, quando tentaram dar-lhe vestimentas europeias, atraindo para essa terras, italianos, alemães, mais portugueses, espanhóis e também uma pequena parcela de asiáticos, que receberam incentivos e atenção especial por parte do governo, diferente, dos africanos trazidos à força, e dos índios, massacrados pela força.  Os asiáticos eram considerados também, um povo de segunda classe, e a intenção, era esconder as cicatrizes do monstro que haviam criado, chamado Brasil.

As cicatrizes eram as favelas, para onde os africanos aqui nascidos se dirigiram e tentaram se organizarem para sobreviverem, pois não havia terra nem valores como indenização, nem uma gleba sequer, ou um burro, como acontecera nos Estados Unidos da América, que se preocuparam com o mínimo para os prisioneiros de guerra libertos pós a abolição do cativeiro naquele país.  A alternativa, eram continuarem semi-cativos sob a condição de meeiro nas fazendas onde seus pais e avós padeciam.

Tentaram e tentam esconder, mas, as cicatrizes estão expostas até hoje, e cada vez mais torna-se quase impossível esconde-las, seja por repressão ou indiferença.

A solução seria mais policiamento? Cremos que não… A policia tal como conhecemos, fora criada também com o objetivo de esconder essas cicatrizes do Brasil colônia, uma vez que, diferentemente dos indígenas, os africanos, muitos com sangues nobres e descendentes de guerreiros em África, nunca aceitaram a submissão silenciosa, revoltas eram e são constantes, até o dia de hoje.

 Vide umas das motivações de envios de forças portuguesas nas terras de Minas do século XVIII;

“Devido a essas peculiaridades, foram enviados para as recentes terras descoberta de extração de riquezas minerais, a qual mais tarde seria conhecida como Minas Gerais, os Dragões Del Rey (corpo militar português). Por solicitação do Conde Assumar, governador das Minas, os Dragões deslocaram para as terras mineiras com a missão de “guarda aos governadores, ao comboio da Fazenda de sua Majestade e ao socorro contra os poderosos, que se faziam fortes com seus escravos”. (COTTA, 2014, p. 69)

Ou seja, até quando as cicatrizes e roturas serão maquiadas, contidas ou escondidas?

Até quando, mesmo sendo maioria os negros hão de ficarem “encurralados” nos guetos, fora dos programas sérios de televisão, da governança, do sistema financeiro, agrícola, acadêmico, industriário e comercial dessa bizarra nação?

Presidentes de partidos políticos, donos de redes de televisão, centros de excelência científica tecnológica, façam a parte de vocês, tomem também a iniciativa da equiparidade, busquem promover, contratar, promover e auxiliar no avanço do país, que em espasmos perde-se nessa convulsão, não somente social, mas também racial.

O TEMOR É DE QUE UM DIA O CLAMOR, QUE AINDA É POR IGUALDADE TORNE-SE UM GRITO POR VINGANÇA.

E estamos falando de uma população que cada vez mais cresce em quantidade, se hoje é maioria, imaginemos em 2050, quando os nossos filhos e netos ainda estarão por aí…

Essa guerra silenciosa tem que parar, e o monstro Brasil de cérebro colonial, precisa morrer e ressurgir, saudável, como um país potencialmente feliz e próspero, para todos.

Façamos cada um a nossa parte, e promovamos a paz e harmonia neste corpo adoecido, chamada BRASIL.

COMBATA O RACISMO E DISCRIMINAÇÃO, SEJA VOCÊ QUEM FOR, ESTEJA ONDE ESTIVER.

Nilson Apollo Belmiro Santos
Nilson Apollo Belmiro Santos

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Vanfall Chegou a Montes Claros !!!

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