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Coluna do Nilson Apollo – Suicídio digital de um racista virtual (e no mundo real)

Coluna do Nilson Apollo – Suicídio digital de um racista virtual (e no mundo real)

O mês de julho do ano 2018, em pleno século XXI, reacendeu novamente uma discussão centenária no que tange as questões raciais em âmbito nacional.  Dessa vez, exposto nas redes sociais vimos um demonstrativo claro do que vai por detrás das máscaras de muitos de nossos jovens brasileiros, o RACISMO.

Um jovem paulista, que há anos vinha escrevendo absurdos racistas, machistas misóginos e preconceituoso em seu canal de vídeos e redes sociais, cometeu suicídio digital diante do mundo. Eram piadas de péssimo gosto, que talvez o jovem achasse engraçadas, sem se lembrar que a brincadeira além de inadmissível era criminosa.

O assunto cansa, confesso, cansa para quem luta contra o ato, assim como aos leitores que já torcem o nariz e enojados classificam como vitimismo, “mimimi” (odeio essa onomatopeia) e blá blá blá…

Muitos poderão defender; “mas não foi um crime de racismo, foi uma injúria racial”, e conforme a legislação, são diferentes em seus conceitos, eu sei, mas, como dissociar uma coisa de outra?  Procurem no código penal, estou cansado de falar sobre isso…

“Foi uma simples brincadeira” – Outros podem dizer… Mas vamos lá; quais os danos que essas “simples brincadeiras” podem causar, ou vem causando a população negra do Brasil ao longo desses quinhentos anos?

Deem uma “olhadinha” na foto abaixo e vejam, quem está escrevendo é um negro… Isso, um negro, de origem africana, 1.80m de altura, ombros largos, mãos grandes, canelas grossas, lábios fartos, e que “não pensa” (conforme o folclore) … No ideário brasileiro, cada uma dessas características são ideais para que definam meu comportamento como forma de vida.   Mas na verdade, o que essas características querem dizer de fato?  Nada, eu simplesmente sou “um homem negro, de origem africana, 1.80m de altura, ombros largos, mãos grandes, canelas grossas, lábios fartos que “pensa”. Eu e milhões de outros iguais a mim.

 Ao longo dos anos, o que esse rapaz fez na internet, é o que tenho assistido quase que o tempo todo. E independe do ambiente, seja ele corporativo, eclesiástico, recreativo ou social.  E pior, as vezes de pessoas muito próximas a nós mesmo, que em um ato falho vomita alguma frase sutil de seu racismo velado.   Se eu fosse contar aqui tudo que já ouvi, seja em brincadeiras, piadas, assédios, morais ou sexuais, não caberiam aqui nesse pouco espaço.

Minha postura e de muitos outros, em muitas das vezes é ignorar, ou em alguns casos confrontar ao agressor, que querendo ou não, veio há tempos alimentando sua limitada mente com histórias e imagens caricatas da pessoa negra.

Eu cresci assistindo o personagem “Mussum” em um programa campeão de audiência na televisão, e automaticamente, todos os meninos que traziam a melanina na pele, automaticamente recebiam a alcunha do personagem, um homem entregue ao vício do álcool, com linguajar simplório e de comportamentos reprováveis.  Se fosse bom de bola, automaticamente seria chamado de “Pelé”. Se fosse franzino “Tião Macalé”, outro personagem desdentado e que se vestia ridiculamente, representado de maneira jocosa na televisão brasileira.

Quanto às mulheres negras, caso não fossem associadas a figura da “nêga maluca”, era a carne exposta na vitrine televisa de um apresentador com ares de cafetão chamado “Sargentelli”.

Essas figuras foram tão marcantes (negativamente), que se criou a ideia de que o negro no Brasil não serviria para mais nada que não fosse representarem esses papeis.

Me recuso a falar sobre questões sexuais, outro estigma que persegue aos negros e negras do Brasil, onde nos retratam como verdadeiros animais quando o assunto é sexo.

O rapaz foi infeliz, e desinteligente em suas postagens, e tentativas de ser engraçado.  Por falta de direção qualificada, o jovem expos sem nenhuma mascara tudo que grande parcela da sociedade pensa, mas não fala. Caso em seu estúdio tivesse uma diretoria ou uma cartilha a ser seguida, ele continuaria racista, mas de maneira bem mais eficiente, inteligente e velada.

“Inteligente? ” – Alguém pode me perguntar. E eu respondo; “Sim, inteligente”, inteligência esta que existe nas redes de televisão, cujos diretores pensam igual a ele, mas não expõem de maneira tão direta e deselegante. Eles simplesmente não contratam um negro para estarem à frente de um telejornal, eles não são fieis a proporcionalidade racial da população brasileira em suas novelas e seriados, e quando o fazem, na maioria das vezes aplicam a velha formula, o negro sendo subalterno, bandido, viciado, violento, sensual ou ridículo em seus papeis.

 Que me desculpem Lazaro Ramos e Thais Araújo, mas, apliquem um olhar crítico no espalhafatoso personagem“Mr. Brau”, um novo rico, que enriqueceu por intermédio da música, que mora em uma mansão, mas que não sabe lidar com a vida de rico, e por mais que insistam que tenha havido um avanço quanto ao fato de pelo menos ele não morarem na periferia, está clara a maneira caricata de comportamento exibida pelo casal, seja na fala, nas vestimentas ou nos hábitos descompensados.  Até quando?

A máscara do insensato rapaz caiu, mas, e as das grandes corporações, do alto escalão das forças armadas, do cinema que nos venderam ao mundo como bandidos, e nas ruas das cidades, quando vão cair?

Eu sempre me recusei a me prestar ao papel de “bobo da corte”, deixo bem claro; não sei sambar, não sou um craque da bola, não sou automaticamente adepto de rudes atividades laborativas, nem nunca permiti que me associassem à fabulosos desempenhos no quesito sexual (isso é muito íntimo),sou um homem, no sentido clássico da palavra, pai, profissional, amigo, cidadão, filho e isso é o suficiente para ser eu mesmo, e desempenhar a qualquer atividade em cujas quais possa me envolver, e isso não serve somente para mim, são para milhões de outros iguais.

No caso deste rapaz, especificamente, a reação foi rápida por parte dos patrocinadores, que cortaram relações comerciais com ele. Talvez tenham se lembrado do que aconteceu com as marcas que patrocinaram em 2014 ao seriado denominado “O sexo e as negras”. Receberam uma enxurrada de e-mails com ameaças de boicotes e execração nas mídias digitais, o que redundou em um término precoce com a retirada do seriado da grade de programação do canal.

Enfim, urge a necessidade de nos repensarmos como povo, em revermos nossas representatividades e prioridades. Essa “propaganda” perniciosa tem que acabar, e o povo negro do Brasil, precisa ser melhor representado nas redes de televisão, principal ferramenta de formatação mental de nosso povo, que carece de mais cultura.

Por muitas vezes questionei a ausência de concessões de canais de televisão exclusivos que fossem mantidos e geridos pelos negros “invisíveis” de nossa sociedade; os empresários, escritores, catedráticos, políticos, cientistas, artistas, e pensadores que gritam por igualdade. Igualdade essa, sufocada pela máscara da falaciosa “democracia racial” cantada aos quatro ventos do país.

Proponho na verdade que ocorra um processo de “iluminismo” por parte da população negra, onde possamos nos reunir e de fato debatermos as diretrizes e parâmetros que hão de nos nortear neste país, que se diz tolerante quanto ao fator racial, mas que na verdade, estrategicamente, se mostra um dos mais racistas do mundo, a julgar pelos gráficos que apontam para os números negativos envolvendo a população negra.

Deixo claro; nem todos os brancos são racistas, do contrário, essas palavras não estariam aqui redigidas neste veículo de comunicação que me abre este espaço, mas, que uma enorme parcela desse nosso Brasil seja racista?! Não tenha dúvida…

O rapaz é “peixe pequeno”, mas que sirva de exemplo, para que nunca mais um outro ouse cometer tamanha sandice.

O nome do rapaz??  Prefiro ignorar…

 

Nilson Apollo Belmiro Santos
Nilson Apollo Belmiro Santos

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