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Coluna do Nilson Apollo – “O Brasil não é um país sério”

Coluna do Nilson Apollo – “O Brasil não é um país sério”

Atribuem a supracitada frase ao general francês Charles de Gaulle, não se sabe se é verdade ou mentira que ele tenha dita isso. Já ouvi também uma outra versão atribuída ao mesmo general, que segundo a fonte, na verdade ele disse; “O mundo é um circo, e o Brasil é o palhaço”. Enfim, virou um “telefone sem fio”, aquela brincadeira em que as crianças, formando um círculo, cochichavam uma frase ao ouvido de um próximo, e depois, ao fim do círculo, conferiam o resultado da frase original, ou seja, cada um repassava o que entendia. Começava com “chiclete de caixinha” e terminava “chacrete do Chacrinha”. Eu “sacaneava” de propósito, somente para rir muito com a cara de estupefação de todos, admirados com o resultado esdruxulo da brincadeira, por exemplo; Me falavam: “A coroa do rei”, eu retransmitia; “A unha encravada do Curupira”, e ficava me segurando até o fim da brincadeira, e quando revelavam o resultado, eu ria tanto da cara do participantes, que logo, logo abria-se um sindicância para descobrirem quem alterou tanto a frase, mas eu era denunciado sempre, pois ria muito da situação, enfim, uma inocente brincadeira… Mas, e a frase atribuída à De Gaulle, poderia ser verdade, ou não?  O Brasil é um país sério, ou não?  Eu julgo que não…

O que realmente funciona por aqui? Quem nos governa? Quem escolhe os governantes? Quais os critérios? O que é nossa arte? Quais são os nossos projetos para o futuro? O que nossas escolas estão preparando para o futuro da nação? O que assistimos nas televisões? Que tipo de música ouvimos? Como nos portamos? Quem entende de fato nossas leis? E nossa política?

Vamos por partes, atenhamo-nos primeiro em nossos órgãos e instituições; elas não funcionam de fato. Vamos citar um exemplo; há poucos apreenderam um montante de R$51 milhões no apartamento de um político, e foi aquela celeuma nas televisões, todos revoltados com a aberração, mas, não ouvimos nada acerca de aquele montante haver sido rastreado pela receita federal, que também não monitorou previamente aquela movimentação financeira…. É muita grana para sair assim circulando e por fim ser estocada em um apartamento vazio.  Quem daquele órgão, subordinado ao Ministério da fazenda se manifestou sobre o ocorrido?  Quais “cabeças rolaram” por causa daquilo? Os agentes danosos que operavam aquele roubo, obviamente deverão, ou pelo menos deveriam responder pelo mau feito, mas, quem há de responder pelo bem “não feito”… Alguém cuja responsabilidade era evitar esse tipo de situação falhou, e falhou feio.  Esqueça de declarar seu imposto de renda e veja como são bons de serviço. É cair na “malha fina” na certa.

E quanto a nossos políticos, existe critério sério para que se escolha algum deles, ou pelo menos, uma preparação garantida aos votantes? Não!!  A ignorância impera, e ano após anos monta-se e desmonta-se um circo, porém, mantêm-se os mesmos malabaristas, e os mesmos palhaços…. Ninguém sabe nada de nada, nem busca saber, ou entender, muito menos se envolver de fato. Raposas escolhidas como pastores, e pior, pelas próprias ovelhas, limitadas em suas percepções de mundo, e inconscientes de suas próprias vulnerabilidades. Estamos às portas de assistirmos uma tragédia eleitoral acontecer, o líder nas pesquisas de voto mostra-se um analfabeto funcional, além de truculento e não demonstra deter nenhum conhecimento de como o país funciona, seu canto do cisne (para mim é do corvo) são palavras de baixo calão e demonstrações constantes de desequilíbrio emocional, e pior; sua fala encanta a uma enorme parcela do eleitorado brasileiro.

Onde erramos enquanto formadores de cidadãos, opiniões e senso-crítico?

Durante um período, além de nossos pais, professores e líderes religiosos (?), tínhamos também muitos talentosos artistas conscientes que auxiliavam nessa formação coletiva. Hoje, é questionável, a valia de nossas artes, a julgar pelo vemos no comportamento de nossos jovens que a consomem, é lamentável de assistir o que estamos fazendo com nossa juventude.  Por aqui parece que ainda não perceberam o valor e finalidade das artes na depuração da massa.  Ouvem-se a qualquer coisa, assiste-se a qualquer coisa, e pior, assimila-se a qualquer aberração animalesca que dizem ser arte.

Me lembro da celebre, responsável e consciente pianista norte-americana Nina Simone, que em uma entrevista disse;

“E nesse tempo crucial em nossas vidas, quando tudo é tão desesperador, quando todo dia é uma questão de sobrevivência, eu acho que é impossível você não se envolver. ” – NINA SIMONE, em entrevista na década de 70

Além do talento nato, a artista, uma mulher negra, que estudou e dominou bem a matemática e sensibilidade da música, e foi além, fez bom uso dela, ajudando a formatar positivamente a mente da juventude que consumia sua arte. Ela sabia quão edificante poderia ser, ou também danosa ao propor uma forma às mentes e comportamentos dos ouvintes. Ela dizia que era dever dos artistas auxiliarem na educação e formatação daquele país, E nós, o que temos vistos e assistido nos últimos anos?  Prefiro nem escrever sobre a bestialidade que se tornou nosso mundo artístico. Nudez, sexo, bebida, preguiça, malandragem, boçalidades e paixões fugazes, e o resultado? Estamos vendo em nossa sociedade, e haveremos também de ver os reflexos nas urnas… (Tomara Deus que não). O mesmo povo que aplaude o lixo que consumimos nas televisões, sejam nas programações ou na música, são as mentes deformadas que escolherão a um que os representem de fato.

Homens indecorosos, ignorantes, ou malandros inteligentes que fingem fidalguia diante das câmeras ou em épocas de campanhas política, mas que são os exemplos que nos mostra dia após dia que quanto mais esperto, melhor, para si e suas famílias.

Enfim, estamos em convulsão, política, moral, social, econômica, familiar e espiritual. Nosso país é como um corpo em espasmos frenéticos, com claras demonstrações de estar sendo conduzido por um cérebro danificado.  E, sendo realista, não pessimista, observo, não existem propostas ou projetos sérios para que se sane esse “corpo” ou se reeduque a esse cérebro confuso e limitado cognitivamente…

Por onde começar? Choque de realidade, disciplina, concessão de maior liberdade, para que cada um decida por si mesmo como anarquicamente interagirá com seus concidadãos? Altera nosso sistema educacional?  Debater sobre a real finalidade desse sistema educacional, ou enfim… O que fazer?

Para encerrar, não sei o que falou de verdade o general Charles de Gaulle, mas alguém profeticamente deturpou a fala, e infelizmente, acertou…. Somos um circo…

E tem muita gente “querendo ver esse circo pegar fogo” – Podem acrescentar…

Brincadeira sem graça, quando vista por esse ângulo…

 

Nilson Apollo Belmiro Santos
Nilson Apollo Belmiro Santos

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